Capítulo 23

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Outubro de 2020
Vitória, Brasil

Giulia começou a gargalhar. Riu como nunca havia feito antes.

Que mentira seria aquela?, ela pensava. Onde poderiam estar as câmeras? Porque aquilo só podia ser pegadinha... certo?!

Porém, ao ver que a mais velha não estava reagindo da mesma forma, Giulia parou de rir no mesmo instante.

- Espera, como é? - ela perguntou, num tom mais alto.

Por sorte ninguém estava passando pelo local, caso contrário, teriam chamado mais atenção do que era o recomendado.

- Você não está falando sério, está? - ela parou, olhando de Victoria para o chão, tentando raciocinar. - Claro que isso é mentira! Eu tenho meus pais, tenho minhas irmãs. Nasci e cresci naquela família. É impossível eu ser sua irmã, a menos que você não seja uma Verstappen de verdade.

- Podemos por favor conversar sobre isso no carro? Você já percebeu que o assunto é mais sério e particular do que você esperava.

-A questão não é ser mais séria ou particular. O fato é que isso é mentira. Me desculpe, mas não vou perder meu tempo ouvindo o que você está inventando. Caso você não percebeu, eu estou muito cansada depois de um dia cheio, hoje é sexta e tudo que eu mais quero é chegar na minha casa. Então por favor, você pode me deixar ir?

- Giulia, eu te imploro! 5 minutos é tudo que eu preciso. Eu te deixo em casa e no caminho podemos conversar sobre, o que acha? Por favor, eu... só não posso deixar essa oportunidade passar.

- Que oportunidade... do que você está falando? - Giulia começou a ficar impaciente e olhava para os lados a cada momento. - Olha só, você tem 5 minutos para me convencer, nada mais que isso.

- É o que eu preciso! Podemos conversar no carro?

- Tudo bem, mas vamos ficar aqui mesmo. E quando os 5 minutos passarem eu vou embora.

Victoria concordou com a cabeça, chamando a mais nova pra entrar no carro. Já sentadas e confortáveis, a neerlandesa continuou:

- Eu sei o quão loucura isso parece! Acredite, eu sei! Mas por favor só escute. Eu sei que você sabe quem eu sou, assim como conhece a minha família. O que nem você nem ninguém sabe direito é que a família Verstappen supostamente era pra ter três filhos. Isso falando em relação à minha mãe Sophie. Ela engravidou mais uma vez depois de Max, e todos achavam que o bebê tinha morrido. Porém descobrimos que não morreu.

- Pra você falar que eu sou sua irmã, suponho que eu teoricamente sou esse bebê. - Giulia interrompeu e, ao ver Victoria concordando voltou a falar. - E o que faz você acreditar nisso?

- Toda a investigação de meses que um detetive particular fez. Nós o contratamos para descobrir o que precisávamos e ele chegou a você.

- E o que, por acaso, foi descoberto? Ainda não entendi bem como meu nome chegou nesse meio.

- Vou ser sincera. Eu provavelmente nem poderia te contar isso. Aaron vai querer que você assine um documento de sigilo, porque nada do que for falado pode vazar.

- Eu assino. Mas seus minutos estão passando, então você poderia continuar por favor?

- Eu encontrei uma passagem, em nome do meu pai, para cá. E essa viagem foi logo na data que o último bebê nasceu. Aaron conseguiu provas no hospital e nos aeroportos e tudo chegou a você. Estou aqui tentando te contatar para fazermos um teste de DNA. Minha família sempre teve a dor que essa falsa morte causou. Minha mãe, aparentemente, nunca mais foi a mesma. A possibilidade de você estar viva e provavelmente ter contato com a gente é um milagre.

Giulia nem sabia como agir. A história era toda muito maluca, porém Victoria falava tudo com uma certeza e uma segurança tão grande que dava brechas para que a brasileira acreditasse. Mas ainda assim, seria possível que sua família mentisse para ela dessa forma?

- Eu entendo que esse Aaron chegou até mim, mas pode ser um erro. Minha família nunca faria isso comigo. Eles falariam que sou adotada.

- Eles na verdade não falariam.

- O que? - Giulia disse, um pouco desconfortável. - Como você poderia falar?

- Eles estão recebendo pra te manter escondida da gente. Por isso não te falariam nada.

Para a brasileira aquilo era bem desanimador, principalmente por ela, no fundo, não duvidar verdadeiramente que isso seria possível. Ela conhece os pais. O que é irônico, já que os conhece bem para se contradizer e constatar que seria possível sim que eles mentissem. Por dinheiro, eles fariam isso.

- Eu não consigo imaginar o quão assustador isso pode parecer. Mas eu ficarei no Brasil até tudo se resolver, então te apoiarei no que for necessário.

Giulia se sentiu perdida, mas dentro dela a curiosidade e a raiva de pensar que poderia ser verdade borbulhavam. Por isso, de forma impulsiva ela disse:

- Eu aceito fazer o teste de DNA.

Life Changes - Charles LeclercOnde histórias criam vida. Descubra agora