Capítulo 24

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Outubro de 2020
Vitória, Brasil

Victoria ficou em choque quando ouviu a frase dita por Giulia.

- Você está falando sério?

- Acho que sim. - Giulia falou com tom de voz baixo. - Eu não gostaria de acreditar, porque a partir do momento que eu duvidar dos meus pais isso pode ser real. Mas pra ser sincera, eu não duvido tanto que seja realmente possível.

A neerlandesa podia ver o semblante triste da garota. Victoria não conseguia imaginar como Giulia estaria se sentindo, como ela poderia estar lidando com uma possível mentira. E o principal, os mentirosos seriam seus pais. Era realmente difícil de engolir.

- Eu fico feliz. Só por favor não se sinta obrigada a fazer nada. Eu e Aaron viemos prontos para tentar te convencer, mas não iremos fazer nada que você não queira. 

- Está tudo bem. Eu só gostaria que nada fosse a público, muito menos que minha família soubesse. Eu sou de maior, respondo por mim, e não quero que eles se intrometam ou possam piorar tudo isso para vocês.

- Sem problemas! Não temos o interesse de abrir a investigação até quando tivermos uma resposta e todos os envolvidos se sintam confortáveis. - Victoria falou, tentando acalmar a brasileira. - Quando podemos fazer esse exame? 

- Quando você achar melhor. Não sei se hoje seria possível, já é quase noite.

- Na verdade, se você aceitar, podemos sim fazer. Aaron conseguiu resolver tudo pra gente. Além de conseguir acelerar o resultado para menos dias. 

- Mas sei que ainda demoraria. Quantos dias seriam necessários?

- O laboratório dá uma média de 15 a 20 dias, mas nós conversamos e pedimos uma exclusividade e rapidez maior. Nos deram 3 dias para ficar pronto, porque vai ter uma pessoa específica e principalmente voltada para nosso teste.

- É uma redução significativa mesmo, mas ainda sim vou morrer de ansiedade até lá. Se estiver tudo certo, podemos ir agora mesmo. Não é como se meus pais se importassem tanto comigo.

Foi inevitável para Giulia pensar no que Camila tinha dito dias antes. A amiga estava certa, seus pais não ligavam muito para o que ela fizesse. Antes doía admitir, mas, nesse ponto, Giulia já nem se importava mais. A cada minuto que passava, uma certeza de que aquele assunto era verídico era maior. 

- Podemos sim. Aaron está esperando por mim, vou mandar uma mensagem para ele. 

Depois de 5 minutos, Giulia viu um homem alto e moreno se aproximar. 

- Boa noite, você é Giulia certo? - ele perguntou.

- Sim, sou eu, não como se você já não soubesse. E você é Aaron, quem esteve me espionando há meses. 

- Eu prefiro o termo investigar. - falou Aaron dando um leve sorriso. Ele tinha gostado da garota. - Victoria me falou que vocês irão fazer o teste, certo?

- Exato. Você poderia nos levar? - a neerlandesa perguntou.

- Claro. Vamos?

As duas se arrumaram no carro, ficando Giulia atrás, com Aaron dirigindo e Victoria ao seu lado.

30 minutos foram necessários para chegar à clínica. Apesar de perto, o trânsito não ajudou em nada. Ao entrarem no local, foram recebidos por Clara, uma biomédica, quem faria o teste das mulheres. Aaron já tinha a ligado antes de saírem da faculdade, então a profissional já os esperava. 

O procedimento foi rápido. Somente Victoria e Giulia entraram na sala e logo Clara explicou como era feito o teste . Uma simples amostra de saliva seria coletada e, assim, o nível de parentesco seria testado. 

Em 20 minutos eles já saíam da clínica, com data de buscar o resultado 3 dias depois. 

- Nós iremos abrir juntas, certo? - Giulia perguntou.

- Com certeza. 

- Isso é essencial até para sabermos como devemos agir depois. - Aaron falou. - Sobre isso, eu preciso que você assine um termo de confidencialidade, Giulia.

- Sem problemas, Victoria tinha comentado sobre isso. 

Aaron pegou o documento, dando-o para a mais nova, que assinou apoiando no próprio carro. 

- Você gostaria de comer alguma coisa? - Perguntou Victoria.

- Olha, na verdade eu gostaria de ir pra casa. Eu fiz o exame e estou acreditando em vocês de espontânea vontade. Mas ainda tá sendo difícil pra mim. Eu preciso de um tempo. Me passa seu número e nós marcamos de nos encontrarmos para abrir o resultado. Pode ser?

- Como você quiser. 

Victoria deu seu telefone provisório que estava usando no Brasil e perguntou a garota se queria carona.

- Não precisa. Eu vou de ônibus, não é longe. Eu realmente quero ficar sozinha. Mas obrigada por hoje.

- Tudo bem.

Assim, Giulia deu um leve sorriso como despedida aos dois gringos e se virou saindo do estacionamento da clínica. 

- Giulia. - Victoria chamou. - Eu sinto muito. - Falou se referindo à possibilidade da vida da menina ter sido uma mentira.

- Obrigada. E acredite, eu também. - A brasileira devolveu, falando sobre si  própria e sobre a família Verstappen, que foi enganada por tantos anos. 

A mais nova saiu, então, sem olhar para trás.

Life Changes - Charles LeclercOnde histórias criam vida. Descubra agora