Prólogo

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" Você é mais mal que a maldade mais brutal.
Eu queria ter percebido antes, sentido antes. Mas a única coisa que sentia era que queria te sentir, te ter para mim.
Você é tóxico, um pecador. Mas tem minha cura e dentro de ti minha salvação.
Eu te amarei, mesmo sabendo que em meu último suspiro o teu suspiro será de alegria, e que você foi o motivo desse suspiro ser tão silencioso. Te amarei, mesmo sabendo que aos meu gritos e berros de angústia mais profunda serão seus segundos de satisfação. Mas te ver satisfeito é o motivo do meu sofrimento não ser em vão. Porque eu sei que tudo que você quer é me amar, até que esse amor se torne um sentimento tão vazio que você não conseguirá nem amar a si mesmo. Te amar, te amar... Até que você odeie se amar e me amar.

De Amália Paulsen para Lucian Scalene."

O homem tremia ao segurar o pedaço de papel, amassado e tão pouco conservado. Não queria admitir a si mesmo o que fez, nem mesmo imaginava que fosse errado. Na verdade, o seu senso de certo ou errado começou a se distorcer quando passou dos limites pela primeira vez. Há muitos anos. Agora, Lucian olhava fixamente para o bilhete deixado pela sua namorada.

Suas mãos permaneciam trêmulas, seu coração palpitava em eterna agonia e sua cabeça girava. Como se seu extinto predatório tivesse lhe dominado mais uma vez, mas desta vez era diferente. A vida inteira de uma pessoa, ou o que sobrou dela, estava em seu controle, que nesse momento já era inalcançável.

Lucian piscou algumas vezes, se tirando do transe assim que ouve três batidas na porta.

- Droga. - murmurou aflito, escondendo o bilhete debaixo do colchão.

- Sua pizza senhor! - gritou o entregador, impaciente do outro lado da porta.

As pressas ele procura sua carteira, ainda nervoso. Lucian abre uma pequena fresta da porta da frente, para que o homem do outro lado não visse a sutura, seguido por pequenas gotículas de sangue no dorso das mãos.

- Pode deixar aí.

Estranhado, o entregador arrasta a caixa pelo chão até dentro da casa.

- Obrigado, tenha uma boa noite. - Lucian joga o dinheiro para fora e tranca a porta ás pressas, suspirando de alívio enquanto observa o entregador se afastar pelo olho mágico.

Voltando para seu quarto, quase salivando, ele abre a caixa e se depara com uma pizza média de calabresa com queijo e... Cebola?

- Filhos da mãe, disse mil vezes que queria sem cebola. - Lucian suspira, se sentando à beira da cama. - Oh meu Deus, como eu pude me esquecer de você? Claro, primeiro as damas.

O assassino, delicadamente sobrepõe a fatia de pizza no cadáver de Amália, ainda meio enojado pela cebola.

- Bon appétit, meu amor.

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