Inimigo próximo

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—Estamos ferrados pelo mesmo motivo que presumo que estamos ferrados? -Ela questionou entre os risos. Sakura estava vermelha e um pouco desconcertada. Suas bochechas estavam avermelhadas. O ambiente ainda estava repleto de luz dourada do sol.

—Talvez. -Sasuke se aproximou mais, segurou levemente o pulso dela aproximando-o de seu nariz. Farejou seu braço até o pescoço lentamente fazendo-a rir pelas cócegas do ato. Coisas estranhas eram normais vindas de Sasuke, lhe restava rir do que ele procurava.

—Pela quantidade de ocitocina em você, eu diria que... -Ele procurou em sua memória como poderia expressar aquilo.

—Esta caidinha por mim! -Ele disse a surpreendendo. O clima foi interrompido por uma gostosa gargalhada.

—Aonde aprendeu essa expressão tão cafona? -Sakura zombou. Ele apenas riu. Mais alguns segundos se passaram e o olhar dela se voltou para o chão. Aos poucos ela ficava mais séria. O riso a deixava.

—Por que disse aquilo? -O vento soprou mais uma vez seus corpos.

—Que eu sei aonde gostaria de morar? -Ela resgatou nas memórias o que queria perguntar. Sasuke sorriu.

—Você sabe o por quê. -Ele disse por fim se encostando em uma estrutura de madeira para encarar o horizonte. Seus cabelos agora estavam apenas úmidos. Ao notar que Sakura esperava uma resposta mais concreta ele suspirou. Seus olhos negros como uma noite gelada se voltaram para ela. Sasuke poderia se passar por uma espécie de pintura renascentista sem problemas na visão dela. Sua pele tinha um aspecto macio. Agora era levemente bronzeada com pequenas pintinhas. Seu cabelo ficava sempre bagunçado. Era liso e escuro como obsidiana negra. Tinha alguns traços firmes como um nariz bem desenhado e lábios finos, rosados e suaves. O coração de Sakura bateu mais rápido acompanhado por um suspiro. Alguns momentos presentes consagravam eternas lembranças. Ela gostaria de guardar aquele momento. Sasuke ainda a encarava intensamente.

—Eu quero morar aonde você esteja. -Disse ele por fim. O coração dela bateu forte no peito mais uma vez. Foi a vez da mão miúda dela acariciar seu rosto. Sakura por fim beijou sua testa e ele fechou os olhos com isso. Apreciava cada simples contato com ela.

—Bom, acho que eu vou iniciar a escrita dos relatórios agora. Precisa ser minucioso. Vou anexar evidências que reforcem o que estou falando. Talvez eu fique muito tempo no escritório do segundo andar. É mais arejado. -Disse ela por fim enquanto ainda acariciava os cabelos negros com fascínio.

—Quer ajuda? -Ele se ofereceu gentilmente. Sakura sorriu.

—Gosto de fazer essas coisas sozinha. Você se importa? -Ela perguntou gentilmente. Sasuke segurou uma das mãos dela que o acariciava e beijou com delicadeza.

—Não. Se precisar de ajuda... Me fale. Acho que eu vou lavar as louças e pensar em um cardápio para o jantar. -Disse ele por fim.

—Você descobriu mesmo um hobbie! -Ela brincou enquanto entravam juntos em casa.

—Experimenta ficar comendo só por pílula e descobrir logo em seguida um universo gastronômico. -Ele zombou.

—Não se esqueça de tomar banho para não resfriar. -Disse ela por fim. Sasuke riu.

—Idem! -Foi a sua resposta. Sakura assentiu com a cabeça.

—Sabe, não tem que ficar arrumando a casa e cozinhar, pode explorar a mata se quiser, sei que gosta. Pode andar pela orla. E.. Pode andar na vila se quiser eu... Acredito em você! -Aquelas palavras fizeram o coração de Sasuke bater mais forte. Se encaravam olho no olho. Sentir confiança de alguém que presava era um dos melhores sentimentos que Sasuke pudera experimentar.  Ele era grato por isso. Um sorriso se formou em seu rosto.

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