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ㅤ ៚🍒ˎˊ˗ 𝐒𝐀𝐅𝐈𝐑𝐀 é umɑ gɑrotɑ sem esperɑnçɑ, com somente um objetivo. Elɑ sɑbe o que quer, e o que precisɑ fɑzer pɑrɑ consegui-lo, entretɑnto, elɑ nα̃o o fɑrά ɑté que todos em suɑ vidɑ estejɑm mortos. Elɑ nα̃o se vê como umɑ pessoɑ, e s...
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Os barulhos da sala de aula ameaçavam explodir minha cabeça. Eu estava exausta pelo dia anterior, e tudo que eu queria no momento era silêncio. Mas se eu ficava sozinha, as vozes na minha cabeça começavam a ficar mais altas, brigando uma com as outras para me enlouquecer. Ver a foto novamente me desestabilizou completamente. Eu tinha sido grossa com Tate mandando ele sair de dentro da minha casa, e poderia parecer que eu quis fazer aquilo, mas eu só o mandei embora porque não queria que ele me visse desmoronar. Não queria que ele me visse frágil, quebrada e vulnerável. Eu sabia como ele me via. Uma pessoa que não tinha medo de nada, e de ninguém. Mal sabia ele que eu sentia medo de tudo ao meu redor. Mas agora eu não sabia o que fazer. Passei o resto do dia anterior dormindo por causa do meu ataque de pânico, nem tinha pensado em mandar uma mensagem para ele pedindo desculpas ou tentando explicar tudo que tinha acontecido. Mas eu poderia explicar? Eu estava pronta para contar a alguém o porquê eu tinha medo de quem estava naquela foto? A resposta era não. Passei as primeiras aulas fugindo dele, a única pessoa com quem eu tinha conversado era Rebekah, mas eu sabia que ela tinha percebido o quão desligada eu estava. Conforme as horas passavam eu percebia que ela me lançava olhares, me observando silenciosamente como se em sua cabeça estivesse passando milhares de motivos para eu estar daquele jeito. Era irritante, mas também tocante. Não éramos amigas, então porquê ela se importaria? O sinal da última aula tocou, todos saíram enquanto eu estava debruçada na minha bolsa que estava em cima da mesa. Quando levantei minha cabeça para ver se a sala estava vazia, percebi que Bekah ainda estava ali. Me fazendo companhia em silêncio e me esperando. - Porque você não saiu apressada igual a todo mundo? - perguntei. - Eu não queria te deixar sozinha, eu percebi que você não está bem hoje. - ela deu um sorriso fraco. - Eu estou bem. - disse me levantando e colocando minha mochila nas costas. - É só o clima, o calor me deixa desanimada. - Sério? - ela soltou uma risadinha. - Geralmente é ao contrário. Ficamos desanimados com o frio, só querendo ficar na cama. - Eu gosto de andar fora da curva. - dei um sorriso fraco. Nós duas saímos da sala e descemos as escadas, olhei de relance para meu celular que estava ligado, ainda não tinha nenhuma mensagem. E eu sabia que não iria ter durante um bom tempo, não se eu não fosse até ele e explicasse o porquê eu agi daquela forma, mas eu ainda não podia. Assim que chegamos no pátio, vimos Aiden vindo em nossa direção. Com aquele sorrisinho malicioso que dizia que ele estava pronto pra te irritar, e arranjar confusão. Eu odiava aquele sorriso, mas não tanto quanto antes, desde quando ele me ajudou quando me machuquei. - Indo em direção ao antigo casarão de novo, meninas? - ele perguntou se juntando a nós enquanto saímos da escola. - Qual é a fascinação de vocês com coisas velhas? - Você é muito jovem para entender ainda, Peter Pan. - disse Bekah dando tapinhas em sua cabeça. - Temos a mesma idade, floco de neve - ele debochou. Enquanto os dois estavam falando, eu apenas fazia companhia mas se eles sumissem eu não perceberia, minha atenção estava totalmente no meu celular. Hoje eu estava exausta, mas do que nos outros dias e precisava de algo que me ajudasse, Tate era a resposta. Minha mãe dizia que eu era orgulhosa, preferia perder algo ao invés de dar o braço a torcer. E ele não era nada meu. Não tínhamos nada, mas ainda sim eu sentia como se estivesse perdendo tudo. - Esses jovens de hoje em dia! - Aiden pegou meu celular. - O que tem de tão importante aqui pra você estar assim? - Me dê meu celular! - disse tentando pegá-lo, mas ele não deixou. - Deixe de ser chato Aiden! - mandou Bekah Ambas tentamos pegar o celular, mas não importava, ele era mais algo que nós duas. Aiden tinha 1,85, Rebekah batia em seu peito, enquanto eu era a mais baixa dos dois, e batia em sua cintura. Esse babaca era uma girafa. - Vamos ver o que temos aqui... - ele começou a mexer no aparelho, não dando a mínima pra mim. - Sr. Laurent? - ele franziu o cenho. - Da onde eu conheço esse nome? Rebekah olhou para mim mas não disse nada, eu não poderia deixar ele mexer mais e descobrir alguma coisa. Todas as vezes que Tate e eu conversamos pelo celular tínhamos cuidado, apagamos a maioria das mensagens comprometedoras como se fossemos bandidos prestes a executar um crime. Mas ultimamente eu não estava sendo tão cuidadosa como eu era, estava ficando relaxada, e ter Aiden bisbilhotando meu celular era a prova disso. Pisei em seu pé com toda força que tinha, e o garoto moreno começou a grunhir de dor, ele se abaixou um pouco e peguei o celular de sua mão guardando na minha mochila rapidamente. - Na próxima é um chute nos seus países baixos. - ameacei. - Antes disso acontecer é mais fácil eu pisar em você antes, mordedora de tornozelo. - ele riu da minha cara. - Eu tenho a estatura normal, nem todos nós temos o azar de sermos o pé grande. - Ao menos eu sou famoso, pequena loba. - me chamou pelo apelido de quando éramos pequenos. - Me chame assim de novo, e você vai ver o que essa pequena loba pode fazer. - cheguei mais perto dele. - Vocês dois são inacreditáveis! - Rebekah começou a rir enquanto observava a cena. - A culpa é dela! - A culpa é dele! Falamos juntos enquanto apontavam um para o outro, Bekah continuou rindo mas voltamos a andar em direção a rua de labirintos lado a lado. Quando olhei para o meu lado esquerdo, Aiden fez uma careta mostrando a língua. Ele mostrou a língua como se fosse uma maldita criança. Fiz uma careta também e lhe mostrei o dedo do meio, sem chamar a atenção da loirinha que ia em nossa frente. - Eu ainda estou vendo isso. - disse Bekah com um sorriso no rosto fazendo com que parássemos o que estamos fazendo. Continuamos andando até chegar ao antigo casarão, mas dessa vez ao invés de entrar, nós três sentamos no meio fio esperando seu motorista chegar. Parte de mim esperava que Tate também viesse, mas eu já estava preparada para pegar meu ônibus e ser independente. Meu celular tocou, tirei a bolsa rapidamente e comecei a vasculhar dentro dela em busca do aparelho, depois do que pareceu ser uma eternidade consegui acha-lo. Tinha uma mensagem de Tate. "Precisamos conversar. Ainda está na rua dos labirintos?" "Estou." "Estou chegando." Engoli em seco enquanto guardava o celular novamente dentro da bolsa. Bekah estava me observando atentamente como sempre, mas antes que Aiden pudesse dizer alguma coisa e começar mais uma discussão sem pé nem cabeça, ela começou a falar com ele sobre um assunto que o mesmo aceitou estupidamente fingir se interessar. Era estranho o fato de Tate saber onde eu estava, mas preferi esquecer desse detalhe, ele provavelmente só tinha tido um palpite. A BMW preta de Tate estacionou em nossa frente quase dez minutos depois. Quando me levantei e peguei minha mochila, percebi que minhas mãos estavam suadas e que estava respirando um pouco rápido, fiz um esforço para me acalmar e abri um sorriso para os primos Thompson 's que me olhavam. Rebekah me deu um abraço, esse ato ainda me surpreendia. Aiden continuou sentado de braços cruzados encarando o carro, quando abri a porta do carro ele apenas olhou para mim e não disse nada. Uma buzina veio da entrada e vi que era o motorista dos primos, me despedi e entrei dentro do carro. Tate estava quieto, mudo. A única coisa que ele estava fazendo era dirigir em silêncio até a minha casa, e isso estava me matando. Quando mais nova, toda vez que minha mãe estava chateada comigo, ao invés de brigas e castigos, ela fazia silêncio. Me deixando com os meus próprios pensando, deixando com o que eu pensasse em tudo que poderia ter feito ou dito de errado, e mesmo que eu passasse horas perguntando pra ela, nunca tinha nenhuma palavra dirigida a mim. Agora parecia que Tate estava querendo fazer isso. Eu queria lhe dar tempo e espaço, como ele me dava. Mas esse silêncio estava me matando. Fingi uma tosse para que o silêncio não fosse tão esmagador, o barulho parecia ter tirado ele de seus pensamentos quando soltou um suspiro e estacionou o carro na rua próxima ao portão da propriedade de meu avô. Nós dois ficamos ali parados sem falar nenhuma palavra um ao outro, mas conforme minha ansiedade foi se intensificando, não consegui esperar mais. - Eu queria te ped... - Eu não quero desculpas, quero respostas Safira. - disse ele me interrompendo. - Eu achei que nós estávamos indo bem. - Estava, mas você não entende. - evitei olhar pra ele. - Eu já te disse, não posso te contar tudo, há coisas que aconteceram que eu não consigo compartilhar. Você entendia isso antes. - Eu ainda entendo, mas não posso ficar com alguém que me manda embora sem nenhuma explicação. - Não pode? - perguntei olhando pra ele. - Não posso, me desculpe. - ele umedeceu seus lábios. - Eu sei que você não se interessa por nada a respeito de nós, mas eu me interesso, Safira. Estamos há quatro meses nesse joguinho e mesmo assim você não me deixa entrar. - Isso não faz sentido. - me defendi. - Não faz? - indagou. - Você não deixa ninguém se aproximar de você, e mesmo que alguma pessoa consiga, você sempre tem que atrapalhar tudo mandando ela embora ou simplesmente sumindo. O carro parecia estar ficando cada vez mais abafado, abri a porta e sai do carro em busca de ar me encostando no capô do carro. Tate abriu sua porta e saiu em seguida vindo em minha direção apontando o dedo para mim. - Viu? Esse é o jogo. Toda vez você tem que fugir, você diz que não tem medo de nada mas eu acho que o medo te domina. É por isso que sempre tem que brigar com tudo e todos ao redor. - ele virou as costas pra mim. - Se eu sou uma pessoa tão difícil assim, porque continuou se encontrando comigo? - empurrei ele fazendo com que me olhasse. - Eu nunca te pedi nada. Você se aproximou porque você quis, não o contrário, é mais fácil pra você colocar a culpa em mim do que admitir que você tem medo de ter o que quer! - Eu quero você porra! - Ele gritou. Paralisei ao ouvir aquilo, Tate chutou o pneu do carro e xingou antes de voltar a olhar para mim. Eu não sabia o que dizer ou fazer, meu coração batia com tanta força e rapidez no meu peito que parecia que eu estava prestes a ter um infarte. "Eu quero você" Essas são as palavras que qualquer pessoa deseja ouvir, e cá estava eu, parada igual uma tonta apenas encarando o cara em minha frente. Eu gostava de Tate e sabia disso, tentei muitas vezes me convencer do contrário e dizer que ele era só mais uma pessoa sem importância na minha vida, mas não era. Eu queria que ele me conhecesse. Queria que pudéssemos sair e não só transar no consultório da escola ou no carro. Minha mãe e Yelena gostaram dele, Mischa e meu avô provavelmente seriam céticos no começo, mas depois aceitariam. Mas mesmo sabendo disso, algo ainda me parava e me deixava com medo. Eu não tinha medo de Tate, tinha medo do que o sentimento que ele dizia sentir por mim poderia fazer. O fantasma que me assombrava, tinha me deixado assim. - Eu também quero você. - admiti, minha voz era tão baixa que achei que ele não tivesse ouvido. Tate me encarou, perplexo pelo o que eu tinha acabado de dizer, mas não demorou muito para que ele viesse em minha direção e colou nossas bocas. O beijo não era romântico e doce como deveria ser, era um beijo possessivo e cheio de fogo, do tipo que quer tirar tudo de você e te deixar sem ar. Ele suga toda a sua energia. Passei a minha destra pela sua camisa polo até chegar ao seus ombros, o puxando e colocando nossos corpos. Tate passou as mãos pela parte de trás das minhas pernas e me levantou, fazendo com que eu sentasse no capô do carro que ainda estava quente. Eu tinha até esquecido que estávamos praticamente na frente do portão do casarão da minha família. - Eu preciso de você. - ele disse parando de me beijar. - Você me tem. - ofeguei dando um sorriso e começando a deixar trilhas de beijos pelo seu pescoço. - Cada. - beijo. - parte. - beijo novamente. - de mim. - Eu te amo princesa. - ele disse, voltando a me beijar. As últimas palavras que ele tinha dito continuavam em minha cabeça. O beijo se tornou frio e morto, meus lábios paralisaram e somente a boca de Tate continuava se mexendo. Quando percebeu que tinha alguma coisa de errado, parou de me beijar e tentou colocar a mão em meu rosto, mas desviei por instinto. Engoli em seco e continuei olhando para ele. Ele também queria ouvir aquelas três palavras, ele precisava saber o que sentia por ele. Eu gostava dele e faria o impossível para protegê-lo. Mas eu não sabia o que era o amor, e se eu pudesse escolher quem amar essa pessoa seria ele, e eu queria dizer isso, mas o que saiu não foi bem o planejado. - Não consigo. - engoli em seco olhando para ele. Com duas palavras parecia que eu tinha quebrado Tate. Seus olhos encheram d'água, e o mesmo olhou para baixo tentando disfarçar a mágoa, mas era tarde. - Você diz que me quer. - sua voz era baixa enquanto ele se afastava de mim. - Você fode comigo de todas as formas, mas ainda não consegue dizer que me ama. - Não é isso Tate, você não entende. - pulei de cima do capô tentando chegar mais perto dele. - Você não deveria me amar, você não pode. - tentei explicar. - Eu amo. - ele se afastou de mim abrindo a porta do carro. - Mas você está tão preocupada em achar um problema em tudo, que não aproveita as coisas boas que acontecem com você. E depois de falar isso, ele entrou dentro do carro e foi embora, me deixando parada no meio do asfalto mais destruída do que eu já estava. Voltei para casa totalmente arrasada, não consegui fazer nada além de subir para meu quarto e me jogar em cima da cama. Olhei para o teto que eu mesma havia pintado. Era o céu escuro da noite, com uma lua enorme pintada de branco, que quando apagava as luzes fazia com que ela ficasse fluorescente junto com as estrelas. Desse jeito eu poderia ter meu céu e estrelas sempre que quisesse. Sempre que precisasse me sentir melhor. Mas dessa vez eu não me senti. Mischa subiu em minha cama e deitou ao meu lado, Yelena subiu logo depois deitando a cabeça em minha barriga. Elas não tinham dito nada, nem um uivo ou latido sequer, mas eu sabia que elas estavam me consolando, de algum jeito elas tinham conhecimento de que algo estava errado.