C A P Í T U L O 3

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SAFIRA IVANOV SOROKIN
ATUALMENTE, 2024

         Senti seus dedos deslizarem por meus braços, em um carinho quase fantasma, minha mão estava em seu cabelo fazendo massagens, como eu sabia que ele gostava

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         Senti seus dedos deslizarem por meus braços, em um carinho quase fantasma, minha mão estava em seu cabelo fazendo massagens, como eu sabia que ele gostava. Sua respiração estava profunda, quase dando a impressão de que ele estava dormindo contra meu peito, mas eu sabia que estava apenas saboreando o momento e pensando. Em quê, eu não saberia dizer.
            Ter uma espécie de relacionamento com o médico da escola nunca esteve em meus planos, eu evitava qualquer tipo de coisa que me forçasse a ter que construir uma ligação afetiva com alguém. Por isso sempre disse que meus colegas eram apenas conhecidos, talvez até amigos com tempo de validade.
             As únicas pessoas com quem eu sabia que poderia contar, eram as que estavam dentro da minha casa, e mesmo assim parte de mim me impedia de realmente conseguir me abrir com todos. Era como se não importasse onde, ou com quem fosse, eu nunca conseguisse realmente baixar a guarda.
         Tate e eu tínhamos nos conhecido em uma festa de uma das mansões da cidade. Lembro-me de estar mal naquele dia e simplesmente sair de casa sem destino algum, e depois de andar por quase toda a cidade em busca de algo que eu não sabia o que era, a melodia de uma música alta começou a me chamar. Então acabei meio que invadindo a festa por assim dizer, não que alguém tivesse percebido, todos estavam mais do que bêbados naquele momento. Eu nunca fui do tipo que gostava muito de beber, mas estando em um lugar tão cheio como aquele, até eu precisei de uma bebida e esse foi meu primeiro erro. Aceitei a bebida que um cara tinha me dado, mas não raciocinei que algo poderia estar errado. Mais tarde, naquela mesma casa eu comecei a passar mal, me sentia tonta e enjoada. E quando tentei ir embora, passando próximo a piscina, sem querer uma garota acabou tropeçando em mim e eu caí dentro d'água.
                 ׅ Lembro que todos estavam se divertindo com a situação. Achando cômico enquanto eu me afogava na piscina por não ter forças o suficiente para nadar, até que ele chegou e me ajudou. Tate me retirou da piscina, me levou até um dos quartos e cuidou de mim até o nascer do sol. Quando eu acordei assustada sem saber o que tinha acontecido ou onde estava, percebi que ele tinha passado a noite inteira dormindo ao meu lado, só que no chão. Eu odiava admitir, mas aquilo meio que fez com que eu ficasse grata a ele.
            Mas mesmo assim, nada tinha me preparado para depois de uma semana sem dar as caras na escola, encontrar ele substituindo provisoriamente o Sr. Gary que tinha sofrido um acidente na semana em que faltei, e como um bom aluno doutor que gostava de seu professor, tinha ficado em seu lugar para ajudar.
           Tate e eu não éramos um casal, mas com o tempo começamos a nos conhecer. Eu sempre tive regras. Poucos beijos, somente sexo e sem conversa. Sem falar que tinha sérios problemas em deixar as pessoas tocarem meu corpo, era uma das minhas maiores inseguranças.
             Mas ele entendeu isso, me deu o espaço que eu precisava. Tinha paciência mesmo tendo milhões de perguntas, das quais eu dava poucas respostas.
            Talvez fosse uma ilusão da minha cabeça, doida para ter algum refúgio, mas quando estávamos juntos eu sentia que não precisava incorporar um personagem igual fazia com todos ao meu redor. Sentia que poderia ser algo novo e diferente.
             Algo bom.
            Tate se espreguiçou abraçando meu quadril a seguir, beijando o meio do meu peito e olhou para mim em seguida, passando os dedos por meus cabelos.
— Acabei de lembrar de algo interessante que aconteceu hoje. — disse encaracolando uma mecha de meu cabelo em seu dedo indicador. — Um garoto trouxe os dois amigos mais cedo machucados. Parece que um deles tinha batido a própria cabeça contra a parede e quebrado o nariz, e o outro por alguma razão engoliu um lápis quebrado.
— Eles não devem ser muito inteligentes então, pelo menos o terceiro não era burro. — comentei casualmente, mas o idiota mordeu um dos meus seios me fazendo dar um gritinho, certeza que ficaria vermelho. — Isso era pra ser uma punição? Porque é meio excitante.
— Se te pegam fazendo algo assim você pode pegar uma semana de suspensão. — ele alertou beliscando o lado do meu corpo, fazendo eu me contorcer. — E eu não vou aguentar mais uma semana sem ter você, entendeu? Ficar perto de você nesse lugar sem poder te tocar a todo o momento já é tortura suficiente.
— Eles mereceram, estavam assediando a aluna nova que não parecia saber se defender. — dei de ombros levando as mãos ao seu cabelo. — Sem falar que eles devem ser orgulhosos demais para falar que uma garota fez isso com eles. Sem vítima, sem crime.
— Não sei se te dou umas palmadas, ou se fico excitado com essa sua atitude criminosa.
— Eu adoraria a primeira opção, mas...— dei um sorriso puxando um pouco os seus cabelos antes de mudar nós dois de posição, e ficar por cima dele. — Infelizmente temos que nos vestir, porque a qualquer minuto o sinal vai tocar. E se nos pegarem aqui desse jeito, é "Adiós trabalho", e "Olá expulsão".
          Ele me deu um beijo e então eu levantei para procurar minhas roupas, vesti o sutiã rapidamente junto com a regata enquanto Tate ficou nu deitado no carpete do chão me observando enquanto vestia o resto de minhas roupas. Achei minha calça, mas não estava conseguindo achar a minha calcinha e não poderíamos dar bandeira deixando que alguém achasse e suspeitasse de algo.
            O Dr. Laurent já tinha colocado a cueca e a calça, enquanto eu só estava de blusa e sutiã. Ele deveria ter percebido o que eu estava procurando, porque assim que me virei para lhe perguntar se tinha visto, lá estava ele segurando minha calcinha preta na mão. Tarado.
— Está procurando por isso aqui, Cinderela? — perguntou dando um sorriso cafajeste, assim que tentei pegá-la, ele tirou do meu alcance. — O que eu ganho em troca se te devolver?
— Pode ganhar um chute nas bolas igual a um dos garotos de mais cedo, o que acha? — fiz um esforço pegando a calcinha e a vestindo rapidamente, e em seguida começando a colocar a calça.
— Tão malvada, não é desse jeito que as princesas costumam se comportar. — disse dando um tapa na minha bunda.
— Elas também não transam com o médico da escola preparatória das princesas no carpete. Então acho que podemos concordar que sou fora dos padrões. — rebati.
         Assim que acabamos de nos arrumar o sinal do recreio tocou, em pouco tempo já estávamos conseguindo ouvir as conversas e os gritos de alguns alunos que estavam descendo as escadas e começando a encher o refeitório. Eu não comia com os outros alunos, preferia passar o tempo na biblioteca ou na quadra onde quase ninguém ia, também teve vezes que Tate e eu comíamos juntos na sua sala, e mesmo que eu curtisse a ideia de ser pega, seria burrice fazer isso.
            Nos despedimos sem cerimônia e o mais rápido possível, eu saí primeiro indo em direção aos bebedouros e fingindo beber um pouco d'água, checando se alguém estava de olho, mas como sempre, era como se eu estivesse com a minha capa de invisibilidade. Andei até a quadra, indo até o fundo para um cantinho que ficava escondido atrás de uma parede, quanto mais me aproximava, mais conseguia identificar que tinha alguém ali.
            Assim que entrei no meu lugarzinho conforto, pude ver Rebekah sentada com o vestido no chão debaixo da sombra de uma árvore. Ela não percebeu de imediato minha presença, só quando coloquei a mochila no chão do outro lado.
— Parece que mais alguém achou meu esconderijo, impressionante.
— Tínhamos marcado de nos encontrar aqui. Eu não tinha te visto em nenhum lugar depois que você saiu da sala, achei que não fosse aparecer. — Ela disse exibindo um sorriso fraco.
— Precisei resolver uma coisa. — dei de ombros. — Mas não se preocupe, eu honro meus compromissos. Então, está pronta para a nossa aula?
          Ela se levantou toda animada, mas olhando em seus olhos eu percebia sua timidez. Passou as mãos por trás do vestido, se arrumando e deixando a bolsa no chão. Andamos em direção a uma enorme sombra de duas árvores grandes, odiaria ter que ficar debaixo do sol suando. Tirei meu moletom ficando somente com a regata preta, me senti um pouco desconfortável por estar sem nenhum casaco, mas como não tinha ninguém ao nosso redor, não achei ter problema.
            Rebekah me olhava curiosa, talvez estivesse achando que eu iria mostrar como se defender, partindo pra cima dela, mas isso não fazia o meu estilo.
— Primeiro postura ereta e deixe os seus pés um pouco separados, sua perna esquerda tem que ficar na frente. — instrui, mostrando para ela o que fazer. — mantenha as mãos próximas do rosto, essa é sua guarda. Não importa o que aconteça, não deixe a sua guarda baixa ou pode ser surpreendida.
— Isso não parece ser tão difícil. — comentou se colocando em posição.
— Ainda não, mas com o tempo você vai ver que essa coisa fácil, vai se tornar uma das mais difíceis rapidinho. — falei ficando de frente para ela. — Você vai tentar dar um soco na minha cara usando o braço esquerdo. Chamamos ele de "JAB".
         Bekah fez o que eu pedi, desviei para a esquerda fugindo de seu golpe. Ela tinha saído da posição, então ajudei ela a voltar, e a fazer o jeito certo de um soco pra que não acabasse se machucando, ao invés de machucar outra pessoa. Como eu nunca tinha feito nada do tipo, era estranho estar dando uma de professora, e acho que estava me atrapalhando, mas ela parecia entender e não se chatear com isso.
— Agora você vai fazer a mesma coisa com o braço direito, chamamos o golpe de "DIRETO". E tente tirar um pouco de seu calcanhar do chão nessa hora. Vai te ajudar a ter mais força na hora do soco.
            No começo ela estava um pouco perdida, percebi que também estava nervosa, afinal não nos conhecíamos, mas conforme eu comecei a ficar focada ajudando e corrigindo os movimentos, mas foco ela pareceu ter. Fizemos uma série de socos, ela batendo na minha mão e depois eu mostrando para ela como desviar, expliquei que ela teria que esticar mais o braço e não o manter dobrado, senão poderia machucar ou até mesmo quebrar algum osso ali.
             Depois a ensinei a dar um cruzado, o que não foi tão difícil quanto eu achei que seria. Ela estava até se divertindo, e pra falar a verdade eu também. Essa era a segunda coisa do dia que estava conseguindo fazer com que eu relaxasse e fugisse um pouco de meus pensamentos.
           Comecei a ensinar para ela alguns alongamentos que eu gostava de fazer, eram fáceis e a maioria era só levantar os braços ou alguma perna por trinta segundos, mas com o tempo ajudaria ela a ter mais flexibilidade, o corpo iria se acostumar com os movimentos. Como estávamos fazendo alongamentos, não percebi que em algum momento não estávamos mais sozinhas na quadra. Quando voltei a me levantar depois de mostrar para ela como se fazia uma prancha isométrica, pude ver a figura de um garoto vindo em nossa direção.
            Suas roupas estavam amarrotadas, usava uma gravata frouxa ao redor do colarinho da camisa branca social que estava com alguns botões abertos no começo. Usava uma calça preta, não era agarrada, o mesmo estilo da minha e tinha all star azul nos pés. O jeito e a linguagem corporal enquanto ele andava pareciam demonstrar que ele não se importava, até mesmo as roupas amarrotadas e frouxas mostravam isso.
— Procurei por você em todo o refeitório. — ele disse olhando diretamente para Bekah.
— Desculpe, eu te procurei mas não cheguei a te encontrar, e nós duas tínhamos marcado de nos encontrarmos aqui. Então vim direto. — a loira deu um sorriso fraco para o garoto que até agora não tinha demonstrado se importar com a minha presença.
— O que estava fazendo?
— Estamos treinando, minha nova amiga estava me ensinando a fazer uma prancha isomé...
— E quem é ela? — interrompeu acenando de leve com a cabeça na minha direção.
           Eu odiava a falta de educação. Minha mãe sempre fez com que eu fosse muito educada, até com as pessoas que eu não me sentia confortável ou não gostava, eu simplesmente não conseguia ser rude. E mesmo que as pessoas fossem extremamente difíceis, eu via isso como uma qualidade minha. Mas hoje eu não estava em um bom dia, e parece que o universo todo estava conspirando para fazer com que eu perdesse o controle e acabasse matando alguém.
             Primeiro a noite mal dormida, a pequena briga no corredor e agora esse babaca sem um pingo de senso, ignorando a minha presença e agindo como se eu não pudesse falar. Respirei fundo e coloquei um sorriso forçado no rosto, se eu me envolvesse em mais uma confusão, com toda certeza levaria uma suspensão.
— Meu nome é Safira Sorokin. — estendi a mão para que ele pudesse apertar, mas o bastardo apenas encarou minha mão e a deixou lá.
         Talvez ser suspensa não fosse tão ruim.
— Sorokin... — ele resmungou consigo mesmo franzindo o cenho. — Lembro desse sobrenome. Mikhail Berdinazzi Sorokin é um dos homens mais antigos da cidade, ex-militar e trouxe um dos bancos mais importantes para nossa cidade.
— Obrigada por dar toda a informação que eu já sabia sobre o meu avô. — continuei com o sorriso forçado.
— Avô? — ele pensou mais um pouco, e em seguida abriu um sorriso. — Espere, espere, estou lembrando de você, te chamavam de "Enola".
— Pera, de onde vocês dois se conhecem? — Rebekah perguntou primeiro olhando para o seu amigo, e em seguida me encarando.
— Eu não o conheço, meu nome é Safira e não sou Enola! — me esquivei.
— Eu sei disso gênio. — falou sarcasticamente. — Você usava um monte de coisas no cabelo, e se vestia como se fosse uma bonequinha para andar com as outras meninas de Wood High. Mas acabou trocando de escola por conta de umas brincadeiras e brigas com seu irmão. Todos achavam que estava escondida chorando debaixo da saia da mamãe. — fez beicinho.
— Que lindo você lembrar de como eu era de um jeito tão...especial. Eu gostaria de dizer que é um azar não me lembrar de você, mas na verdade estou achando que é sorte. — cruzei os braços endireitando minha postura.
— Tenho quase certeza que o nome "Aiden Annenberg Thompson" ainda assombra os seus sonhos. — disse ele se aproximando um pouco de mim.
          Eu raramente falava da minha antiga escola antes de me transferir para a atual. Meu avô e minha mãe queriam a melhor educação pra mim, por isso me colocaram no primeiro ano do fundamental na escola mais cara da cidade, que prometia o melhor desempenho. No começo tudo parecia legal, sempre pegava professores bons, que gostavam realmente de ensinar e fazer amizade com os alunos, mas conforme as coisas foram mudando e eu crescendo, percebi que nem tudo era como eu achava.
            Eu tinha amizades, mas eram apenas garotas superficiais me mantendo por perto, caso precisassem. Eu achava que as coisas que diziam para mim eram apenas brincadeiras sem sentido, mas era um bullying velado. Picuinhas, traições e brigas, depois de tudo isso se tornou muito difícil não ter ninguém naquele colégio em quem eu pudesse confiar de verdade, então quando a escola mandou que eu me retirasse, senti um enorme alívio.
            Lembrar disso me fazia sentir pequena, ainda mais agora, que Aiden estava na minha frente, um dos garotos em especial que gostava de fazer da minha vida um inferno. Ele parecia ter notado que eu ainda me lembrava, porque um olhar vitorioso tomou conta de seus olhos.
— Você lembra! — o babaca afirmou exibindo um sorriso.
— Infelizmente, parece que alguns amadurecem, enquanto outros apenas continuam superficiais e sem profundidade. — disse exibindo um sorriso também, mas me virei para a loira que estava ao meu lado apenas observando toda a conversa. — Acho que vou indo e deixar você e seu namorado a sós, antes que o que aconteceu hoje mais cedo no corredor se repita de novamente. — me virei para sair andando mas parei ouvindo Aiden começar a rir alto. 
      Minha vontade era de lhe dar um soco.
— Nós não somos namorados. — disse Rebekah apressada se aproximando mais de mim. — Ele é meu primo, não sei a história de vocês dois, mas me desculpe por ele. — ela se desculpou com aqueles olhinhos azuis de cachorro.
— Lembre o que eu te disse, não precisa pedir desculpas sempre, e ainda mais por ele. — disse a verdade, tirando o peso de seus ombros. — Mas eu e ele não temos história, agora se me permitem...
— Aposto que esse era o seu sonho, aliás belos peitos lobinha. — eu me virei e o babaca piscou para mim e continuou com aquele sorriso.
           Eu não queria deixar que ele fosse o último a falar, mas disse para mim mesma que não deveria dar importância, não deveria sucumbir às suas provocações. Eu tinha crescido, ele não. Não era mais aquela garotinha que se abalava por qualquer coisa, não era mais tão fraca, e mesmo que fosse insegura com meu corpo, não deixaria que ele visse essa rusga na minha máscara.
— Obrigada, felizmente isso vai ser tudo que você irá ver deles.
            Dei um último sorriso para Bekah, como se estivesse dizendo para ela que estava tudo bem, e sai para pegar a minha mochila e moletom, mas ainda consegui ouvir quando Aiden gritou um "isso nós vamos ver" e sua prima chamou sua atenção. Em outras circunstâncias eu colocaria o moletom imediatamente, mas apenas o joguei em cima do braço e continuei andando sem olhar para trás, não deixei a curiosidade me ganhar dessa vez.
            Rebekah poderia até ser uma garota legal, mas eu não precisava me preocupar tanto com ela quanto achava, não estava sozinha, tinha seu primo. E ele, era só mais um idiota, filhinho de papai que estava estudando em uma escola pública achando que todos o achariam o rei, igual era em WoodHigh. Eu mostraria o quão errado ele estava.

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