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ㅤ ៚🍒ˎˊ˗ 𝐒𝐀𝐅𝐈𝐑𝐀 é umɑ gɑrotɑ sem esperɑnçɑ, com somente um objetivo. Elɑ sɑbe o que quer, e o que precisɑ fɑzer pɑrɑ consegui-lo, entretɑnto, elɑ nα̃o o fɑrά ɑté que todos em suɑ vidɑ estejɑm mortos. Elɑ nα̃o se vê como umɑ pessoɑ, e s...
🚨 ESSE CAPÍTULO EM QUESTÃO É RETRATADO MENÇÃO ABUSO PSICOLÓGICO E FISICO 🚨
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SAFIRA SOROKIN — ATUALMENTE 2024
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Em um mundo onde lealdade e sinceridade se tornaram coisas totalmente antiquadas, eu acabei me tornando careta. Vivemos em uma época em que tudo pode ser aceito. Traiu sua namorada? Que legal. Destruiu a sanidade mental e a autoestima de alguém que talvez morreria por você? Você é O cara. Ultimamente as coisas tem sido assim. Pessoas não valorizam mais pessoas que lhes dão valor. Elas partem para outra, fazendo com que a pessoa em questão se sinta menos e totalmente diminuída. É como mandar uma mensagem para alguém, esperando que ela responda e converse com você sobre algo que você está super animado, e ela simplesmente ignora, fazendo o assunto se tornar sobre ela. E você deixa. Não porque não tem amor próprio e autoestima, mas sim por que você sabe como é ruim não ser ouvido, quando a coisa que você mais precisa é falar. As palavras ficam presas dentro de você, subindo pela garganta e te privando de ar, como se alguém estivesse te enforcando. Cada vez mais forte, até que você perde totalmente a consciência. Uma coisa que pode se indentificar com esse sentimento também é a falta de confiança em alguém. Vivemos em um mundo onde tudo é instável. O dia, os sentimentos, nossa rotina e principalmente as pessoas. Elas vêm e vão, deixando e levando coisas consigo, que provavelmente nem se importam se são importantes ou não para quem fica. Se não podemos nos sentir confortáveis e baixar nossos muralhas quando estamos perto de alguém que confiamos, quando poderemos faze-lo? Minha criação teve base duas coisas. Lealdade e coragem. Não sou alguém capaz de ser desleal, isso acabaria comigo mostrando que sou uma pessoa sem caráter, e isso é inaceitável. Por esse exato motivo, a primeira coisa que falei com Tate depois do meu primeiro dia de aula foi "Aiden me beijou." Lembro exatamente de como seu sorriso caiu aos poucos, e o brilho de seus olhos desapareceu, dando lugar a algo que eu nunca tinha visto. E aquilo fez o meu estômago embrulhar. Depois de uma longa conversa com Tate, eu o certifiquei de que isso nunca mais aconteceria, e falei a verdade. Não iria acontecer. Eu preferiria arrancar o meu próprio coração com minhas próprias unhas, antes de machucar o Laurent. E mantive minha promessa. Mesmo quando Aiden me tocou, fazendo com que algo parecido com um sopro fosse estabelecido em meu corpo. Mesmo quando se ele aproximou, dando todos os indícios de que iria me beijar. Mesmo quando, uma parte de mim antiga, rezou para que ele o fizesse. Mas eu não pude deixar isso acontecer. Não somente por Tate, mas por mim. Aiden é confuso. Um risco para a saúde mental de qualquer pessoa, assim como eu própria. Parte de mim pode sim se atrair por ele agora, mas somente porque ele é uma das poucas pessoas que me desafia. Ele brinca comigo e me leva ao limite, fazendo com que eu perca todo o meu controle. Mas o que eu sinto, não passa apenas de pura tensão e atração física. Com Tate, é diferente. Ele não desperta o pior em mim, e sim o melhor. Ele me deixa feliz e confiante. Toda vez que ele olha em meus olhos, vejo um brilho diferente, e toda vez que ele me chama de princesa, eu sinto o amor em sua voz. Mesmo se tivesse uma escolha a ser feita, eu sempre escolheria Tate. Não importa o que aconteça. — Em que está pensando? — minha voz é rouca enquanto seus dedos brincam com uma mecha de meu cabelo. — No baile. — sua voz sai fria, quase congelante, e não gosto do arrepio que ela me faz sentir. — Em como Aiden agia como se fosse seu... — Pare. — peço enquanto levanto minha cabeça de seu peito e olho para o seu rosto. — Não vamos mais pensar nele, por favor. Me aproximo dele, beijando seus lábios enquanto o mesmo retribui. Ele solta um gemido conforme deito por cima dele e suas mãos descem para minha cintura, me puxando ainda mais contra ele. — Porra princesa. — ele resmunga afastando seus lábios dos meus. — Por favor, me diga que não tem nada com ele. — ele pede, olhando diretamente em meus olhos. — Me diga que não está somente me usando. — Eu não estou te usando, Tate. Eu nunca faria isso. — minha mão vai até seu rosto, acariciando sua bochecha. — Eu nunca ficarei com Aiden. — E como você tem tanta certeza? — Eu só tenho. — dou de ombros. — Eu não confio nele, nao depois de tudo que ele fez para mim. Tate me olha sério. Ele sabe exatamente de tudo que estou falando. No dia seguinte ao baile, ele veio até Verenmon e nós conversamos. Eu lhe contei tudo que Aiden fez comigo quando ainda estudava em WoodHigh. Todo bullying e humilhação que ele e seus amigos faziam comigo. Por um momento, enquanto estávamos em Thornwood, eu achei que ele tinha mudado. Nova escola. Novas pessoas. Mas isso era mentira, ele apenas estava esperando para voltar ao seu hábitat natural e fazer tudo outra vez. A prova disso? Quando seus amigos me chamaram de bastarda e sua namoradinha falou das minhas roupas, e ele não se opôs. Apenas ficou lá. Parado. — Confiança é tudo. — ele finalmente diz, desviando o olhar do meu. — É tudo para mim. — Eu solto um suspiro, me levantando de cima dele e sentando ao seu lado. — Ela é mais importante do que o amor. Tate me olha, ainda quieto e vejo uma guerra sendo tratava em sua mente. Sua boca se abre ligeiramente, como se quisesse me contar algo, mas ele pensa duas vezes e desiste. — Eu posso ficar com alguém que eu não ame, mas nunca poderia ter ao meu lado alguém que eu não confie. — chego mais perto dele. — Você pode confiar em mim, Tate. Eu nunca vou te machucaria, isso séria como cravar uma faca em minhas costelas. — Safira, eu... — Você também pode confiar em mim. Sua boca abre novamente e ele se senta, ficando em minha frente e acariciando o meu rosto. Sei que ele quer me dizer algo. Vejo em seus olhos, então tento lhe passar toda a confiança que ele precisa para me dizer. Mas ele não o faz. Ao invés de me dizer o que se passa em sua cabeça, o que ele pode estar ou não escondendo de mim, ele aproxima os seus lábios dos meus, e me beija. O beijo não é como os que costumamos dar, nem mesmo um apaixonado. Ele é triste, como se estivesse se desculpando por algo. — Só me prometa que ficará longe de Aiden. — Por que parece que você está me escondendo algo? — Apenas... — ele rosna, respirando fundo e olhando para mim novamente. — Apenas prometa. Eu preciso ouvir isso dos seus lábios, baby. — Eu prometo. — digo as palavras, lhe passando o máximo de confiança possível. — Ficarei longe de Aiden. — Bom. — ele me puxa para os seus braços, me embalando em um abraço. — Obrigada, princesa. Retribuo o abraço mesmo sentindo minha pele começar a queimar. O sorriso em meu rosto é fraco, e por mais que eu tente, não consigo relaxar em seus braços totalmente. Eu deveria não me importar, certo? Ficar perto de Aiden só faz com que eu saia dos trilhos e perca o controle. Então porque parte de mim parece querer quebrar com a promessa que fiz? — Agora que tiramos isso do caminho... — ele encosta suas costas na cabeceira de minha cama, suas mãos alisando minhas costas. — Tenho uma proposta para lhe fazer. — Humm, proposta do tipo indecente? — eu tento aliviar o clima, fingindo animação enquanto aproximo minha boca de sua orelha. — Deixa eu adivinhar. Você vai me pedir para fazermos um trio com alguma mulher? — Esse é o tipo de proposta que você faria. — ele ri, deixando beijos em meu ombro. — Não eu. — Não é verdade. — eu me defendo, me endireitando e olhando em seus olhos. — Eu certamente iria propor um homem e uma mulher, você também teria que beijar alguém. Tate ri ainda mais alto, e parte de mim fica feliz com isso, porém não relaxo totalmente. — É fofo você achar que eu nunca beijei um cara antes. — ele beija meu pescoço. Quando estou prestes a falar novamente, ele me empurra para frente, e eu deixo. Minhas costas estão contra o meu colchão, enquanto o Laurent está no meio das minhas pernas, beijando meus seios por cima do sutiã, fazendo com que eu solte um gemido. — E é fofo você achar que eu nunca beijei uma garota antes. — respondo, usando suas mesmas palavras. — Anotado. Mas não é isso que eu quero propôr, você desbloqueou um novo senso de possessividade em mim, não acho que sou capaz de ver você ficando com outra pessoa. — o Laurent confessa, uma de suas mãos acariciando o meu quadril enquanto ele abaixa a alça de meu sutiã com a outra. — Talvez eu tenha que colocar essa confissão a prova. — minha voz é rouca, cheia de desejo conforme ele coloca sua mão por dentro de minha calcinha, seus dedos me tocando levemente. — O que você faria se alguém me beijasse? — Coisas inimagináveis. — ele sussurra próximo a minha boca. — É esse o tanto de poder que você tem sobre mim. Eu gemo quando ele enfia dois dedos de uma vez dentro de mim, ergo o meu quadril para cima, me esfregando contra a sua mão conforme os dedos do mesmo trabalham dentro de minha boceta. — Deus... — eu mordo meu lábio inferior, fechando os meus olhos. — Isso é tão bom. — E pode ser muito melhor. — e então ele me beija, roubando o ar de meus pulmões e fazendo com que eu fique totalmente a mercê dele. — Você poderia se mudar para Nova York comigo. Eu abro os meus olhos abruptamente, franzindo o cenho, no entanto não consigo focar totalmente em suas palavras, não quando ele está com os dedos dentro de mim. — Mas...minh... mãe...e dedushka... — eu tento dizer as palavras, mas toda vez que tento falar, gemidos saem de meus lábios. — Tate...eu não...eu não posso. — Você pode. — seus dedos alcançam aquele ponto sensível dentro de mim, fazendo minhas pernas começarem a tremer. — Porra, você está tão fodidamente gostosa nesse momento. Ele me beija novamente, esfregando seu corpo contra o meu, consigo até mesmo sentir seu pau duro contra mim, porém suas palavras não saem de minha mente. Eu e ele? Em Nova York? — Tate... — eu gemo o seu nome, meu corpo completamente trêmulo debaixo do seu. — Por favor...vamos...vamos conversar. Coloco minhas mãos em seu peito e tento afasta-lo, tentando ao mesmo tempo fechar minhas pernas para conversarmos com mais clareza, mas o Laurent me impede. Tate tira os dedos de dentro de mim, e abre minhas pernas o máximo possível. Em poucos minutos ele está enfiando seu pau dentro de mim e esticando minhas mãos acima da cabeça. — Eu não posso ficar sem você, baby. Você não entende isso? — ele diz, estocando em minha boceta, cada estocada mais forte que a outra, arrancando tanto gemidos de dor quanto de prazer de meus lábios. — Diga sim...diga que aceita ir embora desse lugar comigo. — Minha família... — eu tento dizer, mas ele dá uma estocada tão forte dentro de mim, que engasgo. — Eles...eles precisam de mim. — Eles não precisam de você querida, eu preciso. — ele beija meu rosto molhado, onde lágrimas estão caindo. — Diga sim. — Eu...eu... — gaguejo, minhas pernas tremendo conforme eu me aproximo do orgasmo. — Eu...eu... — Diga sim, e aí sim você pode gozar. Eu abro mais minhas pernas, apertando minhas coxas ao redor do seu quadril, querendo que ele continue porém o mesmo solta os meus braços e leva suas mãos ao meu quadril, diminuindo o ritmo. — Tate...por que você est... — Diga sim. — ele manda voltando a estocar dentro de mim mais rapidamente e um tremor passa por mim. Fecho minhas mãos em punhos, prestes a gozar mas nesse momento ele diminui o ritmo novamente. E faz isso de novo, e de novo. Acelerando, me levando a beira do limite e depois diminuindo. Ele está me enlouquecendo tanto, que quando percebo estou segurando o choro e dizendo tudo que ele quer ouvir, apenas para que isso acabe logo. — Sim! — eu respondo, finalmente. Tate sorri, me beijando novamente e acelerando seus movimentos, e quando estou prestes a gozar o medo me invade. Mas ao invés de parar, como das outras vezes, ele continua, me levando do inferno ao céu em poucos segundos. Tate goza dentro de mim e cai deitado em cima de mim, sussurando o meu nome enquanto beija o meu ombro. Meu estômago inteiro se revira, e eu o empurro de cima de mim, correndo aos tropeços até o banheiro. Abro a tampa do vazo e despejo todo o meu café da manhã lá dentro conforme meu corpo treme. Pensamentos ameaçavam vir para minha mente mas fiz um esforço de espantar quase todos, exceto um. Aquele que insistia em dizer que o que aconteceu não foi normal. ๋ ✧ ̟ ੭ ๋ മ ۪𖦹̸ ‣ Depois acalmar Tate, ele finalmente foi embora para começar seu turno no hospital. Podemos dizer que ainda me sinto estranha com tudo que aconteceu em nosso tempo juntos. O jeito como seus olhos mudaram por um minuto enquanto falava de Aiden me assustaram, assim como no baile, quando ele e Aiden começaram a brigar. Eles achavam que estavam brigando por mim, mas eu nao fazia parte da equaçao. Eles estavam apenas brigando e me tratando como se eu fosse um objeto. Se eles ligassem um pouquinho para o que eu realmente queria, não teriam me envergonhado na frente de todos daquele jeito. O jeito como ele também usou o sexo inteiro para manipular uma resposta minha, pela qual sabia que se tivesse feito em outra ocasião, a resposta teria sido diferente. E pior, a forma como ele não se importou comigo vomitando ou com os roxos que tinha deixado em meus braços e quadril. Mas escolho pensar que assim como pode acontecer com qualquer pessoa, isso foi apenas um descontrole de sua parte. Então escolhi fechar os olhos dessa vez para toda a situação, ao menos dessa vez. Mesmo assim, sinto um antigo medo se estabelecendo em meus ossos. Não gostei de sua agressividade repentina. Em como o homem que estou apaixonado, passou de calmo a extremamente violento em poucos segundos. Em como ele me manipulou para conseguir o que queria. Isso me faz lembrar dele. Micah era do mesmo jeito, e a ideia de ter me apaixonado por alguem parecido com meu meio irmao e que seja capaz de fazer o mesmo, me assombra. Eu nunca poderia deixar isso acontecer. Mas isso é somente uma especulação. É minha propria mente querendo me autosabotar com pensamentos assim. Tudo bem, talvez Tate esteja me escondendo algo, mas esperarei ate que ele se sinta confortavel para fazê-lo. Até lá? Vou esperar, ao menos tentar. A parte dificil de tudo isso será ficar longe de Aiden. Nao porque eu nao consiga, mas sim por que desde o baile, ele tem visitado meu avô todos os dias. Não entendo o que eles estao tramando, mas sei que nao pode ser nada bom e que nao gostarei quando eu descobrir. Eles estao agindo como se fossem genros que realmente se gostam. Isso me deixa confusa. Nao faz sentido dedushka gostar tanto assim de Aiden, enquanto se recusa a dar uma chance para Tate. O laurent tem se esforçado nas ultimas semanas para ter uma relação com Mikhail, mas ele simplesmente o olha como se fosse uma barata. Uma intuição diz a mim que é por isso que Tate quer tanto que eu vá morar com ele, para me impedir de ver Aiden, o que acabaria comigo longe de minha mãe e meu dedushka. Continuei lendo o meu livro enquanto saia da sala em direção a biblioteca, mas no momento em que cheguei ao comodo e levantei minha cabeça para saber de onde estava vindo o barulho, me arrependi. Aiden estava sentado, fazendo carinho na barriga de Mischa. Traidora. — Voce tambem esta aqui, otimo. – proferi as palavras com um certo tão de sarcasmo. — Para a sua felicidade... — ele abre um sorriso e continua fazendo carinho em Mischa. — Sim, estou. — Eu não estou feliz com você aqui. — digo fechando o livro de capa dura em minhas mãos com força, assustando Mischa, que se levanta e vem em minha direção. — Fique longe das minhas coisas. Você está aqui para ajudar dedushka, então faça isso. — É isso que você acha que estou fazendo? — ele se levanta da poltrona e vem em minha direção. — Acha que estou ajudando seu avô? Agora, olhando Aiden bem de perto, consigo ver os padrões em suas ações. Quando ele não está afim de responder uma pergunta difícil, tenta se aproximar, mexer com a minha cabeça e com meu corpo ao mesmo tempo, porque sabe que terá uma reação. Não posso ser tão previsível. — E não está? — eu me afasto, passando por ele e começando a andar em direção a uma das estantes. — Por qual outro motivo você me estaria vivendo mais aqui, do que na sua própria casa? — Por você, talvez. — a voz de Aiden é sincera conforme ele se aproxima, a estante de livros ficando entre nós. — Tenho notado que você está me ignorando, isso tem algo haver com a pessoa que saiu daqui hoje mais cedo? — Não sei do que está falando, eu sempre te ignoro. — Isso já foi resposta o suficiente. — ele solta uma risada e anda até ficar ao meu lado, se escorando na estante. — Nunca achei que você fosse o tipo de mulher que cumpre as ordens de um homem. Eu me viro para ele, estreitando os olhos enquanto o mesmo apenas sorri para mim. Quero retrucar. Fazê-lo ver que absolutamente ninguém tem tanto poder assim sobre mim, e que não obedeço ordens de ninguém além das minhas. Mas fazê-lo, seria apenas lhe mostrar que dentre todas as pessoas no mundo, Aiden é o único que tem a real influência sobre mim. É como Rebekah disse. Quanto mais eu retruco suas provocações, mas perto ele fica. Então opto pelo silêncio. Volto a olhar para a estante e guardo o meu livro na terceiro prateleira. Dou um passo para o lado, me afastando do Thompson, mas ele é insistente e se aproxima mais uma vez. Cansada do jogo em que estamos, eu pego um novo livro qualquer da Fiódor Dostoiévski para ler e tento passar por ele, mas o mesmo vem em minha direção, me forçando a recuar até que estou de costas para a parede e seus braços estão esticados ao lado da minha cabeça, me prendendo. — Brigue comigo, moy malen'kiy d'yavol. — ele pede, forçando meu coração a bater mais rápido. — Bata em mim, me mostre o seu ódio, mas não me dê esse silêncio. — ele se aproxima mais, seus lábios roçando minha bochecha. — Esse silêncio é uma crueldade Safira, e você nunca foi cruel. — Você não sabe como eu fui. — eu sussurro, tão baixo que eu mal me ouço e meus olhos marejados de água. — Não me conhece. — Você está errada. — sua mão direita toca minha bochecha, meu ombro até descer e tocar minha cintura, fazendo uma corrente elétrica percorrer por todo o meu corpo. — Eu te conheço mais do que a mim mesmo, somos somente um. Uma só alma, separada em dois corpos. Você costumava dizer isso. — Aiden... — minha voz está frágil, quebradiça e sinto que estou prestes a me partir em dois se ele continuar me tocando. — Pare com isso, por favor. Você não... — tento falar mas é como se algo estivesse em volta do meu pescoço e me privasse oxigênio. — Se...afas...afaste. — eu peço, as memórias do que aconteceu hoje cedo começando a vir a tona. — Safira, o que aconteceu? — ele pergunta se aproximando mais enquanto eu tento a todo momento me encolher. — Safira respire, vamos. Respire comigo linda, por favor. Eu tento focar em algo, qualquer coisa enquanto estou escorregando até estar sentada no chão. Aiden me acompanha, se sentando no chão comigo e colocando a mão em meu queixo, me forçando a olhar em seus olhos. Seus olhos azuis acinzentados imediatamente me trazem uma paz da qual eu sou incapaz de ter desde pequena. Eles são conhecidos, percebo. Já os vi em meus sonhos. São os olhos com que eu sonho desde que me lembro, os olhos donos de milhares de minhas pinturas. E agora ele tem dono, e não um qualquer. Seu dono é Aiden. O garoto que por mais que eu afaste, arranhe ou brigue, nunca me abandona. — moy volk... — ele se aproxima devagar, suas mãos segurando as minhas. — Você ainda está aqui? Está me escutando? — ele pergunta e eu aceno positivamente com a cabeça. — Você quer que eu pare de te tocar, ou te abrace? — eu aceno novamente, e ele franze o cenho, meio confuso. — Qual das opções você quer, linda? — Quero que você me abrace. — eu digo tão frágil, que se não estivesse arrasada, ficaria furiosa. — Venha. — o Thompson estende a mão. Não me demoro e pego em sua mão, o mesmo me puxando e fazendo com que eu caia sentada em cima de seu colo. Nossos rostos ficam próximos, enquanto ele acaricia minhas costas e eu seguro em seus ombros. Aiden não deixa de olhar em minha boca a nenhum segundo, e então ele se aproxima, me fazendo achar que irá me beijar. Porém ele faz o oposto. Ele encosta sua testa na minha, apertando meu corpo contra o seu, me fazendo estremecer. Lágrimas escorrem de meus olhos, e por mais que eu tente no começo segura-las e agir como alguém que não se importa, logo estou soluçando enquanto minhas lágrimas molham a camisa de Aiden. — Shii, tá tudo bem. Eu estou aqui. — ele me tranquiliza, seus olhos fechados enquanto ele continua acariciando minhas costas. — Chore linda, eu prometo que não sairei daqui. Essa promessa faz eu desencostar a testa da sua e me agarrar ao seu pescoço, enquanto eu lhe abraço e choro. Eu choro por estar sozinha. Choro pela perda de Gracie, da qual eu nunca me permiti sofrer. Choro pela morte da antiga eu, e mais importante, eu desabo pela morte do antigo Tate. Desabo porque eu o quebrei. O Laurent era alguém bom, a luz do fim do túnel e aos poucos eu o feri tanto, que o único lugar onde ele encontrou refúgio foi na própria escuridão. Eu o transformei. Eu lhe quebrei. — Eu não entendo... — tento falar, segurando o choro. — Eu sou igual ele, não sou? — Igual a quem? — Micah. — eu sussurro seu nome, com medo de que ele apareça atrás de mim. — Ele dizia que eu nunca seria o suficiente. Que eu destruiria todos ao meu redor, um por um, até só restar cinzas. — minha cabeça começa a doer conforme eu falo rápido demais, e Aiden me afasta um pouco dele, levando suas mãos até o meu rosto. — Eu matei Grace. Eu corrompi Tate. — eu tento puxar o ar, e respirar, mas a dor nos olhos de Aiden me diz tudo que eu preciso saber. — E eu quebrei você, não foi? Por isso paramos de sermos amigos. Por isso você me tratava daquele jeito, e talvez, pelo fato da minha mente ser igual a dele, eu não lembre de nada. — Safira.... — Me solte. — eu peço, tentando me soltar do mesmo mas ele não permite. — Você deve ficar longe, eu vou te machucar de novo igual ao passa.... — Você não me machucou Safira, pelo contrário, você me salvou. — ele segura em minha nuca e aproxima nossos rostos, soltando um suspiro antes de olhar fixamente em meus olhos. — Você me salvou todos os dias desde os 7 anos. No momento em que foi atrás de mim naquela casa da árvore em meu aniversário e me chamou de "Mal'chik". Você me salvou ali. Eu franzi o cenho confusa. Desde que Aiden e eu tivemos aquela conversa no lago, eu tenho tentado lembrar dessa época, mas não importa o quanto eu tente, nada bem em minha mente. Eu não lembro de quase nada da minha vida antes dos dez anos, muito menos da aparência do meu pai antes de seu desaparecimento. — Como eu te salvei? — Safira, se você esqueceu existe um motivo. — ele acaricia minhas bochechas. — Você não está preparada. — Não escolha por mim. Eu posso aguentar mais coisas do que você pode imaginar. — minha voz fica séria, e prevejo Aiden me jogando de lado e indo embora para não me contar a verdade. Mas ao invés disso, ele solta um suspiro e abraça ainda mais a minha cintura. — Você me verá como um fraco e vai me odiar ainda mais. — Me conte a verdade. — eu peço. — Pare de esconder coisas de mim. — Tudo bem. — ele concorda com a cabeça. — Mas lembre-se, você vai me odiar.
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