Capítulo 23

31 4 6
                                    

                   𝆤͓࣪࣪𝆺𝅥AIDEN THOMPSON ━━╍

                 Se existe algo que sempre achei superestimado, foi a importância que a maioria das pessoas tem na vida de outras. A maioria tende a ter uma impressão de que não se pode viver sem alguém, quando na verdade isso é a mais pura mentira contada pelo humano. Ou ao menos isso era o que eu achava. A expressão "nasci sozinho, então morrerei sozinho", sempre fez muito sentido para mim. Não importa se alguns de nós tiveram a sorte ou o azar de dividir o útero com alguém, ainda sim, mesmo juntos, ainda estamos totalmente sós. Até mesmo gêmeos siameses, que nunca tiveram a oportunidade de viver separados verdadeiramente e terem uma vida que valha a pena, então sempre sós.
                  O sós que estou falando não é o da companhia pessoal, e sim aquele em que você pode estar rodeado de pessoas e conversar com todos, e ainda assim, no fundo de si mesmo, se sentir absolutamente vazio. Porque sim, a maioria tende a se aproximar de nós, não por ver algo especial, que valha a pena. Elas se aproximam porque são atraídas pelas coisas que mostramos ao mundo, sendo elas verdades ou mentiras, não importa. Elas gostam da nossa aparência, da maneira como nós comportamos e como levamos a situação adiante. Se somos o tipo de pessoa confiante, que é capaz de assumir o controle quando necessário.
                    Mesmo sabendo disso, a maioria teima em achar que as pessoas que estão ao seu lado, gostam delas por algum motivo. Gostar não é amar. Amar não significa que não vai machucar. E machucar, não significa que a pessoa não vá te destruir. Amor e ódio são a mesma coisa, pois eles começam e acabam do mesmo jeito. Existem pessoas que amam e acabam odiando com a mesma intensidade. Já existem outras que começam odiando, e acabam amando, como nunca amaram na vida. Na minha opinião, essas são as duas emoções que realmente importam.
                    O ódio é maciço. Forte. Inquebrável. Quando mais você tenta torce-lo, mas duro e decidido ele fica. Por isso não se pode força -lo a ser o que não é.
                    A mesma coisa do amor. Ele não é frágil como a maioria pensa. Ele é forte. Combatente. Orgulhoso. Corajoso e nunca dá a torcer. Não importa o que aconteça, ele sempre se certificar de permanecer em primeiro lugar. O ódio não é o oposto do amor, como eu disse anteriormente, eles são iguais.
                    Porque você só é capaz de odiar algo, se você ama-lo de verdade. E só é capaz de amar algo, se parte sua odia-lo.
                    Minha analogia pode não ser totalmente certa e comum, assim como minha cabeça, mas ainda assim tentarei explicar. Toda vez que vejo Safira, consigo ver o mais puro e maciço ódio brilhando em seus olhos. Mesmo machucando, sei que no fundo seu ódio só existe pelo fato dela ainda sentir algo por mim, uma pequena faísca do amor que um dia já sentiu.
                    Ela odeia me amar.
                    E eu amo ter algo que me odeie.
                    No início isso parecia fácil. A ideia de lhe afastar, e fazê-la me odiar. Amar o seu ódio, parecia mais fácil do que amar o seu amor, entretanto hoje não penso desse jeito. Não quero que estejamos sempre longe um do outro, em lados opostos, mas o destino teima em frente fazer com que permanecemos assim.
                    Não preciso dizer que a última vez que vi Safira me destruiu. Tê-la chamando por Tate, quando na verdade era eu ali, foi demais. Eu poderia ter colocado várias desculpas para a mesma, mas eu simplesmente não conseguia. Estou a semanas ao lado de Safira, tentando me aproximar e entrar dentro de seu coração novamente, contudo toda vez que pareço estar perto de conseguir, algo acontece e ela me bloqueia.
                    Eu sou humano. Fico cansado e desmotivado as vezes. Quando isso acontece, preciso me afastar e recarregar minhas energias. Ficar longe de tudo que aparentemente me faz mal, e ter algum tempo para mim, mesmo que seja completamente impossível.
                    Foi isso que fiz nas últimas duas semanas. Não me importei com Safira. Não quis ouvir o seu nome e muito menos saber de seu estado. Eu sabia que se algo acontecesse, o Sr. Sorokin me mandaria uma mensagem imediatamente. No entanto, ver sua mensagem quase fez com que meu plano fosse por água abaixo. Quase deixei minha frieza de lado. E enquanto meu dedos automaticamente estavam respondendo, meu cérebro me forçou a apagar as palavras e simplesmente visualizar seus textos.
                    Dei um sorriso assim que a Sorokin me mandou para o inferno. Mas assim que sai da conversa e entrei no Instagram, passando várias fotos, pude ver uma publicação recente de Tate Laurent.
                    Era uma foto dele.
                    Com Safira.
                    Eu nunca vou esquecer o sentimento que senti naquele momento, em ver as fotos de ambos se beijando e ele a chamando de sua.
                    Ela não era dele porra. Era minha.
                    Eu já tinha lhe dito para ficar longe do que é meu, e ele parecia não ter entendido o recado, e aprenderia sua lição. A questão é, Safira também deveria. Se ela fosse deixar qualquer homem além de mim toca-la, significa que ela sabe exatamente o que está fazendo de errado. E mesmo assim faz de propósito. Então, ao meu ver, isso merece uma punição.
                    Eu sabia que a Sorokin estava voltando hoje para o colégio, mais especificamente WoodHigh. Todos os alunos da escola pública tinham sido transferidos para cá, a mando do Sr. Mikhail, avô de Safira, e é claro que a mesma tinha vindo junto. Assim que ela passou pela sala de aula, Rebekah foi a primeira e a única a correr em sua direção, quase lhe derrubando assim que lhe deu um abraço. Eu por outro lado, permaneci a onde estava.
                    Tatum estava sentada no meu colo. Beijando o meu pescoço enquanto meus olhos e os de Safira se mantinham conectados. Ela estava com a boca meio aberta, expressão de raiva ao olhar para a garota loira em meu colo e as mãos em meu cabelo, sussurrando coisas em meu ouvido. Reprimi a vontade de sorrir e levei minha mão até a nuca de Tatum, fazendo a mesma parar de beijar meu pescoço, e colando nossos lábios um no outro. Tatum gemeu em minha boca, sem ligar para atenção em que estávamos atraindo.
— Se o Sr. Thompson e a Srta. Waldorf já acabaram, eu gostaria de começar a minha aula. — o professor anunciou, fazendo com que alguns dessem risada.
                    Tatum se afastou, saindo do meu colo mas sentando ao meu lado enquanto postava uma foto nossa em seu Instagram, que tinha tirado na hora de nosso beijo. Eu nem ao menos tinha percebido.

⤿❜☾︎⋆໋𝕸𝗬 𝕾𝗛𝗔𝗗𝗢𝗪ᵎ・῾ (+18)Onde histórias criam vida. Descubra agora