Paul

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Carros foram ligados. As pessoas marcharam para fora do ginásio.
Bosten abriu sua porta e saiu.

- Senhora Buckley - ele disse.

Aí eu não consegui ouvir mais nada.
Ele fechou a porta.
Eu o vi falando com os pais de Paul até que eles entrassem no carro e fossem embora.

Bosten apenas se apoiou sobre o capo do Toyota, encarando o ginásio, esperando os jogadores saírem.

- Não estou com raiva de você, Bosten - eu disse. - Por que estaria?

Mas ele também não podia me ouvir.

Fui para fora e fiquei ao lado de Bosten quando vi Paul saindo. Sabia que eles me pediriam para ir no banco de trás. Dei um cutucão no ombro do meu irmão.

- O que você falou para os Buckley?

- Contei que a gente foi expulso.
E que bati num cara que estava mexendo com você no banheiro.

-Ah.

Isso ia ser problema.

- Não se preocupe com isso. É comigo, não com você - ele disse. - Também perguntei para eles se poderia levar o Paul ao Crazy Eric antes de ir para casa. Eles disseram que tudo bem.

- Nós vamos mesmo ao Crazy Eric?

Bosten riu.

- E claro que não.

Ele puxou a aba do boné até meu nariz.

Do outro lado do estacionamento, Paul se despedia aos berros dos outros jogadores.

Paul Buckley era um pouquinho mais alto que eu e tinha físico. Definitivamente, não era um
palito. Ele vinha carregando uma sacola de lona no ombro. Seu cabelo estava molhado. Dava para dizer pelo jeito que ele andava que seu time tinha ganhado o jogo.

Ele chegou mais perto de nós sorrindo, com o rosto vermelho, e cumprimentou Bosten.

- Belo jogo - disse Bosten.

- E aí, Palito? - Paul acenou com a cabeça e eu retribuí.

- E aí, Buck?

- Olha, para ser bem honesto - Bosten emendou -, a gente não viu o jogo todo. Fomos expulsos antes do fim porque eu dei uma porrada no Ricky Dostal no banheiro.

- Foram vocês? - Paul deu um sorriso, com expressão de espanto.


- Eu ouvi que alguém quase foi morto lá dentro.

- Eu peguei ele de jeito porque ele estava sacaneando o Palito.

Eu me senti mal.

- Vocês vão ser suspensos - disse Paul, ainda sorrindo.

- Eu sei - Bosten falou, chacoalhando as chaves do carro. - Então vamos fazer farra e bagunçar um pouco antes que minha mãe e meu pai acabem de vez com a minha vida e a do Palito.

Que jeito ótimo de o Bosten me garantir que ia cair tudo nas costas dele.

Mas eu já sabia como seria de qualquer modo. Nenhum castigo era exclusivo do Bosten lá em casa.

Paul abriu um sorriso largo.

- Espera até você ver o que eu consegui com o Flaneis.

Francis era o irmão de Paul. Ele


estava no exército, lotado no Texas, e visitava a família de poucos em poucos meses. Sempre que Francis trazia alguma surpresa para seu irmão mais novo, geralmente significava que eu teria de assistir a Paul e a Bosten tentando fumar maconha ou então explodir algo.

Minha metade silenciosaOnde histórias criam vida. Descubra agora