A ausência era capaz de aniquilar os corações mais fracos.
Os anos perdidos jamais voltariam porque o tempo era cruel e o passado imune ao arrependimento e perdão.
Lágrimas derramadas por jovens solitários, com anseio de amor verdadeiro, fidelidad...
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O verão é quente, mas eu estive fria sem você Eu estava tão errada em não duvidar
Salvatore
Havia algum problema com a identificação. Toda vez que tentava passar, a luz vermelha acendia. As pessoas passavam por ela, encarando-a como se fosse alguma invasora perigosa. Pensara que fosse um problema com a máquina, mas as duas terminavam do mesmo jeito, impedido que continuasse. Fazia dez minutos que tentava inutilmente entrar.
— Meu pai está lá. – apontou.
O segurança olhou para trás, vendo apenas funcionários e pilotos.
— Meu pai também, na Mercedes. Conhece? – zombou.
Alina molhou os lábios, sentindo o gosto do gloss que usava. Não era muito bom.
— É a verdade.
— Melhor ir embora e sem fazer confusão.
Só havia uma maneira de resolver aquilo.
Abriu a bolsa, mexendo nela, totalmente alheia ao que acontecia ao seu redor. Pegou o aparelho.
Precisava engolir o orgulho. Não podia voltar para casa sem saber de todas as respostas que precisava. Havia ido contra as ordens da mãe, deixando-a chorando copiosamente no banheiro.
Alguém esbarrou em Alina, empurrando-a para frente, quase fazendo-a cair de joelhos. Os poucos itens que havia na bolsa escaparam, e seu celular sofreu os maiores danos. Era humilhante o suficiente estar ali.
Encarou por cima do ombro o causador.
Olhos azuis miraram nela.
Ele abaixou-se rapidamente pegando os pertences dela e dando em suas mãos. Alina olhou para a tela quebrado do celular, negando com a cabeça. O aparelho era novo. Sua mãe encararia aquilo como um aviso do destino, no qual a filha não quis ouvir mais atentamente.
— Sinto muito, eu não te vi.
— Não estou admirada.
Afastou-se, abrindo espaço para que passasse.
O loiro olhou uma última vez para ela antes de entrar.
Alina abriu os contatos do celular, encontrando o último número salvo. Aquele sem nome. Sem importância. Nunca recebeu ligações dele, e se perguntava se conseguiria aguentar dez minutos de conversa. Apertou no ícone verde, ouvindo com pavor o som do outro lado da linha. Estava chamando. Caso não houvesse resposta, voltaria para casa e entenderia que realmente não havia lugar para ela naquele mundo.