A ausência era capaz de aniquilar os corações mais fracos.
Os anos perdidos jamais voltariam porque o tempo era cruel e o passado imune ao arrependimento e perdão.
Lágrimas derramadas por jovens solitários, com anseio de amor verdadeiro, fidelidad...
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Faça alguma coisa, amor, diga alguma coisa Perca alguma coisa, amor, arrisque alguma coisa Escolha alguma coisa, amor, eu não tenho nada Em que acreditar, a menos que você me escolha
You're losing me
Alina ainda segurava o celular mesmo após finalizar a ligação. Seus olhos não deixaram as grandes nuvens que tornavam o céu azul em uma deslumbrante paisagem tropical. As palavras ainda estavam presas nos seus lábios, engolidas com gosto amargo, deixando-a com ânsia de vômito.
Não queria continuar sem permanecer perto das pessoas que a amavam. Não parecia certo. Ela era muito inocente por pensar que seria feliz com tão pouco, sem ter a certeza que haveria alguém para apoia-la e defende-la.
Ainda assim, Alina não teve escolha além de aceitar tudo aquilo, porque tinha medo de voltar para casa e nunca mais conseguir ver a luz do Sol. Era mais fácil sofrer sentindo a liberdade em suas veias.
Tentou fazer com que seu avô deixasse Whitianga, porque sua mãe nunca mais voltaria para a própria prisão que construiu, porém ele se considerava muito velho para reviver a felicidade da juventude. Alina insistiu diversas vezes naquela ligação. Não compreendia como conseguiria aguentar aquela data comemorativa sem um familiar que a criou e amou.
Queria poder voltar no tempo, para tentar mudar algo, mesmo sabendo que cometeria os mesmos erros. Não conseguia se vê correndo na direção contrária de Max. Sua mente sempre encontrava uma maneira de prendê-lo antes que escapasse por seus dedos como areia.
— Pra você.
Estendeu a mão até a casquinha, levando o sorvete aos lábios.
Fernando sentou-se ao seu lado, esticando as pernas e batendo os tênis um no outro enquanto degustava do sorvete.
— Queria que todos os dias fossem assim. – ele comentou pensativo.
— Quente?
— Eu iria dizer bonito. – disse rindo – Mas serve.
Ela também queria que todos os dias fossem como aquele, sem tempestades ou maus presságios.
Sentados diante do mar azul que tocava o céu como amantes há muito tempo separados. Ondas batendo ao se aproximar, trazendo a maresia até os telespectadores. Crianças com patins, bicicletas e roupas de banho. Protetor solar sendo passado ao mesmo tempo em que cadeiras de praias eram abertas.
Apenas fingindo que fizera aquilo todos os dias, desde que aprendeu a andar. Aproveitando o verão eterno ao lado do pai, sabendo que em poucos dias veria a família que a fazia rir até a barriga doer. Alina conseguia fingir que era desejada, esperada, amada, estimada. Seu nome não era mais um castigo, e sim uma benção. Não precisava mais se preocupar com o dia de amanhã ou o futuro, porque encontrou uma vocação que amava.