De cima do palco, é fácil confundir meu trabalho.
A luz neon bate no meu corpo e realça minhas curvas já visíveis graças a pouca roupa que eu estou usando.
O pole, é como um velho amigo, ou como um amante, nos misturamos e nos unimos com graça e s...
Não diga que não é justo Você claramente não estava ciente de que Me deixou péssima Então, se realmente quer saber Quando estou longe de você Fico mais feliz do que nunca
(Happier than ever — Billie Eilish)
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É segunda-feira de manhã. O que por si só já deveria ser um aviso de que seria um dia ruim. Mas, tudo piora quando se vai às cinco horas, depois de uma noite morna no clube e piora mais ainda quando você se lembra que seu chefe é um grande babaca que te usou e depois veio atrás de você como se fosse a porra de um brinquedinho.
Quando o despertador toca, minha vontade é mandar o trabalho para o inferno e voltar a dormir. Mal se passaram três horas de sono, e essa privação é algo que nem mesmo meu pior inimigo mereceria. Mesmo assim me levanto e movo-me como um zumbi até o banheiro para enfrentar o desafio de me arrumar.
O ritual matinal parece um borrão de movimentos automáticos. Cerca de 40 minutos se evaporam até que eu esteja adentrando o carro, com destino primeiro a uma cafeteria e, em seguida, ao escritório. Vesti um vestido tubinho preto, envolve-me como uma segunda pele, acompanhado por meus Louboutin nos pés. Tiro os sapatos para não dificultar na hora de dirigir, o que também é uma merda, deveria ter optado por sapatos mais baixos.
Passo pela cafeteria e pego o maior copo de expresso possível, com sorte a dose alta de cafeína vai me auxiliar a não desmaiar no meio do expediente. Em seguida me encaminho até o escritório.
Passo pela recepcionista cumprimentando-a o mais alegre que eu consigo no dia de hoje e sigo até minha mesa, onde — como era de se esperar — a figura de cabelos ruivos me aguarda pacientemente. Fecho a cara quando me ponho em frente a ele, meu sorriso desaparece, tomo um longo gole do café que me resta e o encaro nos olhos.
— Está atrasada. — Ele diz, me encarando de baixo a cima.
— Senhor Park, dois minutos não configuram um atraso.
— Claro que configuram Abigail, se continuar se atrasando assim. Terei que tomar medidas, e talvez a demissão seja apropriada. — Ele rebate, deslizando o olhar por mim de forma quase predatória.
— Ótimo. Faça isso, agora de preferência para que eu possa voltar para minha cama. — Digo levantando as sobrancelhas, ele apenas passa a mão pelos cabelos.
— Preciso conversar com você na minha sala. — Ele diz um pouco mais baixo e eu simplesmente reviro os olhos, sem paciência para os seus joguinhos.
— Tenho muito trabalho a fazer, senhor Park, então se puder falar aqui eu agradeceria. — Meus olhos encaram os seus. — A menos que seja um assunto pessoal, nesse caso preciso que espere até o fim do expediente. Não é de bom-tom usar horário de trabalho para resolver assuntos pessoais, ainda mais quando eu já estou dois minutos atrasada.