Capítulo 17 | Livrando-se do peso

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Esta é a última vez
Porque você e eu
Nós nascemos para morrer
Estava perdido, mas agora eu me encontrei
Eu posso ver, mas já fui cego

(Lana Del Rey - Born to die)

(Lana Del Rey - Born to die)

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Joseph

Estou em casa, deitado em meu sofá, mergulhado na vastidão insondável da internet, quando o interfone toca com um som insistente. O barulho estridente interrompe o silêncio, e me obriga a levantar em um ímpeto de curiosidade. Não estava esperando ninguém, e é levemente desagradável receber visita sem sequer um aviso.

Vim direto para minha casa depois que Abigail praticamente me expulsou, não a culpo por isso, mas algumas vezes é difícil entender o que se passa em sua mente, é como se ela fosse uma equação que ainda não possui solução. Em alguns momentos, sinto que nos damos bem, nos completamos na cama e ela parece efetivamente entregue. Em outros, é como se uma sombra pairasse sob ela... Uma sombra que possui nome, acredito eu, mas quem pode culpá-la? Todos possuímos nossas sombras.

Atendo o interfone e me obrigo a soar simpático para o porteiro do outro lado da linha, ele não tem culpa nenhuma que eu estou irritado.

- Oi - Digo ao porteiro do outro lado da linha, falhando na tentativa de disfarçar meu mau-humor.

- Senhor Joseph, sua namorada está pedindo para subir - O porteiro já idoso responde.

Fecho os olhos e solto um novo suspiro, o que ela está fazendo na minha casa? Ainda mais num horário como esse.

- Deixe ela subir, por favor - Respondo ao porteiro, depois de alguns segundos e desligo o interfone.

Suspiro ao perceber que estou usando roupas confortáveis demais para o gosto dela, uma regata branca ligeiramente desgastada, combinada com uma calça de moletom solta na cintura. Sei que ela não vai gostar do meu visual, mas, hoje, não me importo em sequer mudar de roupas para agradá-la.

A campainha do meu apartamento toca pouco tempo depois. Caminho até a porta e a abro. Seu rosto logo é visto, perfeitamente maquiada e impecável, como sempre, usando um vestido colado que realça suas curvas.

- Oi - Ela diz e entra sem esperar meu convite, como se a casa fosse sua propriedade.

- O que está fazendo aqui? - Pergunto com o cenho franzido, sem esconder o incômodo em minha voz.

- Senti saudades - Ela responde com voz melosa e caminha em minha direção.

Suas mãos envolvem meu pescoço e me puxa para um beijo longo. Sigo seu ritmo, beijo seus lábios macios e roço minha língua na sua, como já fiz tantas vezes antes. Entretanto, meu corpo não responde como deveria, como normalmente responde a ela. Meu coração não ribomba em meu peito e não sinto o calor percorrer pelo meu corpo como se estivesse no próprio inferno.

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