Capitulo 29 | Prostrada

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Eu não sei por que isso aconteceu, 
mas eu provavelmente mereço
Eu tentei fazer o meu melhor, 
mas você sabe que eu não sou perfeito

(Death bed — Powfu feat. Beabadoobee) 

Meus joelhos doem devido à força com que eles atingiram o chão

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Meus joelhos doem devido à força com que eles atingiram o chão. Minhas mãos estão espalmadas a minha frente tentando me sustentar enquanto as lágrimas caem ruidosamente. Choque varre meu corpo como uma onda, levando todas as emoções, toda a força, tudo o que parecia me manter firme.

Sinto as mãos de minhas amigas em minhas costas conforme elas se aproximam de mim. A dor no olhar delas é visível, ainda que ambas mal conhecessem minha mãe. 

— Não foi culpa sua, você sabe, certo? — Nick pergunta, mas não consigo responder.

Tudo o que passa por minha mente, por meus ouvidos é o som alto dos pneus do caminhão tentando frear a tempo, seguido do baque surdo do corpo da minha mãe. Minha mãe, a mulher que me gerou e tentou fazer seu melhor por mim, eu deveria ter sido mais compreensiva, eu nunca deveria ter vindo aqui.

As vozes dos outros clientes parecem correr pelo lugar, falando alto, pessoas apressadas passam de um lado para outro. Suspiros de surpresa são audíveis, junto com arquejos e até alguns gritos. Nada me faz levantar, pelos próximos minutos apenas continuo ali, prostrada, sem forças. Como se um pedaço da minha alma tivesse sido levado junto com a vida da mulher que me colocou no mundo.

O tempo passa, ouço o carro de polícia chegar e sinto minhas amigas se afastarem. Um puxão brusco em meu braço me força a levantar, não reajo, apenas sigo o fluxo enquanto um dos policiais grita comigo. Vejo Nicolle e Maddison tentarem me defender, mas tudo parece um filme, a porcaria de um filme ruim.

Sou arrastada até o carro de polícia e de lá até a delegacia, me sentam em uma cadeira e me fazem perguntas que eu não consigo responder, tudo acontece rápido demais, as palavras me fogem enquanto questiono a mim mesma sobre minha culpa. 

Me pergunto se Joseph realmente está vindo para cá, lembro de tê-lo avisado quando ainda estava a caminho e agora, qual será seu pensamento quando souber que minha mãe está morta e a culpa é minha.

As lágrimas voltam a cair e sou forçada a passar algum tempo na delegacia “para minha própria segurança” não sei o que os policiais pensam, se acham que sou tão culpada quanto me sinto. Sei que as pessoas nos viram discutindo até que minha mãe saiu do restaurante e se jogou na frente de um caminhão, não sei o quanto isso poderia influenciar qualquer coisa. 

A dor e a culpa ainda ardem no meu peito, apesar de todos os desentendimentos que eu e minha mãe tivemos, não era esse o fim que eu esperava ao vir para cá. 

Já é fim da noite quando sou liberada

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Já é fim da noite quando sou liberada. Minha mente ainda parece confusa, tenho tantas coisas para fazer, mas meus pensamentos ainda continuam nublados. Maddie e Nick me esperam em frente a delegacia. Dou um sorriso cansado para elas e me aproximo. Nessa hora o vejo, levemente distante, encostado em uma árvore, meu coração parece errar uma batida ao olhar para ele, medo se instala nas minhas veias.

Joseph está falando no telefone, mas minhas amigas estão ali. Me olhando preocupadas. Quando chego perto o suficiente elas me puxam em um abraço apertado, mal posso respirar com seus braços em torno de mim.

— Estamos aqui com você, Abbe, vamos sempre estar aqui com você. — Nick diz.

— Nada do que aconteceu foi culpa sua, não acredite nisso, ok. É um absurdo que você tenha que ficar num lugar desses por tanto tempo depois de perder sua mãe assim. — Maddison completa.

Respiro fundo, tentando absorver as palavras delas. Será que realmente não tenho culpa de nada? Isso não pode ser verdade, se eu não tivesse vindo aqui, se eu não tivesse dito tudo o que eu disse… Ela não teria feito o que fez. 

— Abbe, o que vou dizer pode ser difícil e me desculpa por falar assim da sua mãe, ainda mais agora que ela já partiu. Mas, você sabe que ela sempre teve essa necessidade de provar um ponto e de terminar por cima. Ela era uma grande egoísta e narcisista, você sabe disso. Não duvido que tudo isso, ela tenha feito apenas para te fazer sentir mal. — Nick começa e eu prendo a respiração ao ouvir suas palavras, então ela continua. — Abbe, nós tentamos resolver as coisas para você enquanto você estava na delegacia e fomos até o hotel onde sua mãe estava. Vimos exames e correspondências com médicos, sua mãe não estava bem Abbe. Ela não tinha uma expectativa boa de vida para os próximos… Meses. 

— Ela estava morrendo Abbe, ela já estava morrendo.  Ela já tinha planos de… Encerrar com tudo, ela só…  

— Preferiu fazer de tudo uma lição. — Concluo.

— Desculpe, sinto muito. — Nick diz, afagando minhas costas.

Um peso, ainda que minúsculo, parece ter sido retirado de minhas costas. Fecho os olhos e novas lágrimas caem. Dessa vez não estou chorando pela morte de minha mãe, estou chorando por seu comportamento e por sua ousadia de transformar um momento como esse em uma lição, apenas para quê? Para me fazer sofrer por isso, para me culpar. Mães não deveriam ser assim, mães deviam amar os filhos incondicionalmente, que droga de amor é esse que ela sentia?

Minha linha de raciocínio é interrompida quando Joseph se aproxima e minhas amigas se afastam. Encaro seus olhos azuis e ele me puxa para um abraço forte. Seus dedos afagam minhas costas e seus lábios encontram os meus, um beijo salgado, molhado com as minhas lágrimas. 

Me permito sentir a imensidão do que é estar aqui, com Joseph. Ele veio até mim quando o chamei, mesmo quando ainda estava tudo bem. Joseph, Nicolle, Maddison, eles largaram tudo para estar comigo, isso é um verdadeiro amor, não o que tive em minha infância, não o que tive hoje. 

Nos afastamos por um momento e Joseph arruma uma mecha de cabelo atrás das minhas orelhas.

— Você está bem? Como posso te ajudar? — Ele pergunta, a preocupação nítida em seus olhos.

— Apenas fique comigo. — Respondo e uma pergunta brota em minha cabeça, quando foi que comecei a gostar tanto desse homem?

 — Respondo e uma pergunta brota em minha cabeça, quando foi que comecei a gostar tanto desse homem?

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The stripper Histórias para pegar e não largar. Descubra agora