Aquela não era uma manhã qualquer para Bonnie Bennett. O nervosismo não era o único motivo de seu sobressalto ao despertar, mas sim a eletricidade de um destino se desdobrando: o dela. Espreguiçou o corpo, sentindo o roupão macio envolvê-la enquanto se arrastava até o banheiro. A higiene pessoal, o banho relaxante, o aroma do shampoo em seus cabelos; cada gesto era um ritual, uma tentativa de acalmar a tempestade que se formava em seu peito.
Ao sair, o ritual de beleza servia como um escudo: o toque frio do skincare, o hidratante deslizando pela pele, o abraço justo da calça jeans, a suavidade da baby look rosa e o conforto do tênis. Já vestida, desceu as escadas em direção à cozinha para preparar seu café. Cada gole era um prelúdio para a urgência de um feitiço, uma tapeçaria de vidas que ela teceria, trocando não só a de John pela de Elena, mas também despertando totalmente o lobo adormecido em Klaus.
Cada erva moída entre seus dedos parecia sussurrar segredos antigos, cada gota de essência era um sacrifício. A lembrança da primeira vez que havia trilhado por esse caminho inundou sua mente, uma dor lancinante por Elena, sua amiga tão inocente, em sua visão. Mas, depois de tanto se sacrificar, e de ver no futuro que nunca seria o suficiente, Bonnie percebeu a verdade dolorosa: Elena nunca fora inocente, (não quando Damon e Stefan estavam envolvidos.). Contudo a garota era amaldiçoada, mas inocente não. Nenhuma duplicata era, exceto, talvez, Katherine, quando humana. E, com essa certeza, o remorso se desfez. Ela ainda amava Elena, mas não podia mais ser sua heroína. Era John, cuja vida ela se propunha a trocar, que carregava o peso daquela escolha em seus ombros. Nessa bagunça ele, sim, era inocente, seu envolvimento era apenas para proteger a filha. Seu sacrifício era nobre, e Bonnie respeitava isso com uma reverência quase sagrada. Ela entendia sua escolha.
Quando tudo estava pronto, um misto de alívio e temor a impulsionou até a pensão Salvatore. Lá, com um sorriso que não alcançava mais seus olhos, ela entregou a Elena a xícara do chá fumegante, infundido com a própria essência que a deusa lhe dera.
Os olhos das duas se encontraram em um instante de silêncio denso, um adeus não dito de uma servidão que era cegada pelo amor. Depois que a duplicata bebeu todo o chá, a bruxinha seguiu em direção à casa dos Gilbert.
— Ei, Jenna, como você está? — Bonnie a abraçou apertado, feliz por dessa vez conseguir salvá-la. Jenna não merecia ser pega no meio dessa bagunça.
— Oi, Bon, eu estou bem, e você querida, como está? — Jenna correspondeu ao abraço (alheia ao véu que Bonnie tecia), a voz carregada de carinho.
— Estou bem também! — A bruxinha a apertou em seus braços, sussurrando o feitiço de sono profundo, suas palavras uma melodia quase inaudível.
Bonnie camuflou a tia da duplicata, tornando-a invisível e intocável a qualquer sentido sobrenatural. Com um movimento sutil da mão, levitou o corpo inconsciente de Jenna até seu carro, acomodando-a gentilmente no banco do passageiro. Dirigiu até a casa da sua avó, onde a depositou suavemente no quarto de hóspedes, garantindo sua segurança no caos que se aproximava.
O Ritual
Bonnie e Elijah estavam escondidos na floresta, a tensão vibrando no ar, esperando o momento exato de agir. Dessa vez, Bonnie podia ver e ouvir com clareza tudo que acontecia, cada palavra, cada movimento.
— Você é irmã de Luka, não é? Ouvi falar de você. Seu pai e ele estavam procurando por você. — Elena sondou, a voz carregada de uma cautela desesperada que Bonnie sabia ser inútil.
— Bem, eles estavam perdendo tempo. Eu não estava perdida e nem fui raptada. — Greta disse, a voz gélida, balançando a mão para que o fogo crepitasse nas pilhas de pedras.
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𝐔𝐌𝐀 𝐍𝐎𝐕𝐀 𝐂𝐇𝐀𝐍𝐂𝐄 (𝒦𝓁𝑜𝓃𝓃𝒾𝑒)
FanfictionO outro Lado desmoronou, e a jovem bruxa se viu à beira de um abismo. Mas e se, em vez de ser engolida por um mundo-prisão desolador, o destino tivesse tecido um fio diferente para ela? E se, em um piscar de olhos, Bonnie fosse lançada não para fren...
