CHAPTER 07

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A floresta estava silenciosa demais. O luar mal penetrava as copas densas das árvores, como se até ele temesse o que estava prestes a acontecer.

Klaus permanecia imóvel, encostado contra um tronco antigo, os olhos fixos nos corpos adormecidos dos lobos da matilha de Ray Sutton. O cheiro de sangue fresco ainda impregnava sua roupa; ele já os havia alimentado, feito tudo conforme o ritual exigia. Stefan tinha ido atrás de Ray. Tudo estava sob controle... até não estar mais.

Assim que os lobos acordaram, a realidade mudou em um segundo.

Eles gritaram. Um som primal, angustiante, como se o próprio inferno tivesse explodido dentro deles. Sangue jorrava pelos olhos e ouvidos. Era agonia pura. E então, o caos: enfurecidos, descontrolados, avançaram sobre Klaus.

O híbrido original não hesitou.

Com uma mistura letal de força bruta e técnica implacável, Klaus os exterminou — um por um. Os que não tiveram forças para levantar simplesmente sangraram até a morte, sem emitir mais do que suspiros gorgolejantes.

Quando o último suspiro cessou, Stefan chegou, arrastando o corpo inerte de Ray.

— Eles ficaram enraivecidos — disse Klaus, levantando-se lentamente do tronco de madeira como se o peso do mundo estivesse em seus ombros. — Uns eu matei... e outros...

Ele suspirou fundo, os olhos se perdendo por um instante nos corpos ao redor.

— Sangraram até a morte. No fim... estavam todos mortos.

Com um rugido de frustração, Klaus jogou com força a garrafa de cerveja que segurava contra uma árvore, o vidro estourando como sua paciência.

— AHHHHHHHH! — seu grito ecoou pela floresta. — Eu fiz absolutamente tudo que mandaram! Devia ter dado certo! Eu quebrei a maldição! Eu matei um lobisomem, eu matei um vampiro... e eu matei a maldita duplicata!

Seus olhos se cravaram nos de Stefan, que, suando frio, lutava para manter a compostura diante da fúria descomunal de Klaus.

— Você está péssimo — disse Klaus, com o tom ácido, porém ainda afiado com a percepção.

Stefan respirou fundo, a dor e o medo transparecendo em seu rosto.

— Até onde eu sei, estou morrendo... e você não quer me curar.

Com um gesto contido, ele mostrou a mordida de lobo em seu braço, os olhos se enchendo de resignação.

Klaus desviou o olhar, focando no corpo de Ray.

— Eu tive que matá-lo. Não tive escolha. Eu falhei com você. Me desculpe.

Stefan se aproximou, já aceitando o inevitável.

— Faça o que for preciso.

Klaus hesitou. A raiva ainda vibrava em suas veias, mas algo no olhar de Stefan o deteve. Com um movimento firme, foi até outra garrafa, mordeu o próprio pulso e deixou o sangue escorrer dentro dela. Stefan assistia, surpreso.

— Beba tudo — ordenou Klaus, entregando a garrafa.

Stefan obedeceu em silêncio.

𝐔𝐌𝐀 𝐍𝐎𝐕𝐀 𝐂𝐇𝐀𝐍𝐂𝐄 (𝒦𝓁𝑜𝓃𝓃𝒾𝑒)Onde histórias criam vida. Descubra agora