No salão, as meninas se entregaram aos cuidados capilares, cada uma buscando sua própria renovação. Bonnie, sentindo o aroma doce dos produtos e o zumbido suave dos secadores, tremia de uma ansiedade feliz; era a primeira vez que se permitia abraçar seus cachos naturais, um passo gigantesco em sua jornada de autoaceitação. Cada trança desfeita era um grilhão que caía, um suspiro de liberdade. Por longos 10 anos, Bonnie moldara sua vida para agradar aos outros. Ela se lembrava de ser quase invisível, notada apenas quando algum rapaz buscava suas amigas. A bruxinha, aos poucos, perdera sua essência, tentando se encaixar em padrões de beleza impostos pela sociedade. Foi um processo lento e doloroso demais: primeiro, alisou os cabelos até eles gritarem por socorro. Depois, forçou-se a entrar na equipe de torcida, apesar de no inicio não ter o menor jeito. E mesmo sendo magra, começou a se ver gorda, uma imagem distorcida refletida em cada capa de revista. Quanto mais se esforçava para alcançar padrões inatingíveis, menos ela se encaixava, mais se perdia. A situação só piorava; ela continuava invisível e, pior, infeliz. Cansada daquela sensação de vazio e da constante necessidade de validação externa, Bonnie decidiu mudar, aproveitando a nova chance que a vida lhe deu; jurando a si mesma que, ao se encarar no espelho, amaria ferozmente a mulher que realmente era; não só sua aparência, mas sim quem ela era por dentro. Decidindo resgatar suas raízes, em todos os sentidos.
Bonnie fora sua própria carcereira por muito tempo; finalmente, ela decidiu se libertar.
O toque gentil da cabeleireira a trouxe de volta à realidade. O sorriso radiante da profissional era quase tão brilhante quanto o sol.
— Está preparada? — a cabeleireira perguntou, com a voz carregada de expectativa.
— Sim, eu estou. — respondeu Bonnie, com a voz embargada pela emoção, ainda de costas para o espelho enquanto a profissional desfazia suas tranças nagô.
Já tinha uns quatro anos que ela usava lace, então seus cachos estavam intactos, esperando para respirar. A cabeleireira desfez as tranças com cuidado e carinho, lavou seus cabelos, hidratou profundamente, fez um corte que parecia ter sido feito sob medida para ela e secou magicamente, já que a cabeleireira também era uma bruxa. Com o cabelo finalizado, definido e seco, Bonnie se virou.
Os olhos da bruxinha se encheram de lágrimas de emoção pura ao se ver. Ela literalmente sentiu como se algemas invisíveis se partissem, e um peso gigantesco saísse de seus ombros. Aquela era ela. Não a versão polida e diluída que ela tentava ser, mas um pouco da verdadeira Bonnie Bennett que ela tanto tentou esconder.
— Eu amei! Muito obrigada. — disse, enxugando as lágrimas e sentindo uma onda de gratidão.
Um furacão loiro, com uma energia contagiante, puxou Bonnie da cadeira antes mesmo que ela pudesse se levantar direito.
— Meu Deus! Bon, você está maravilhosa! — Caroline segurou sua mão e a girou, os olhos brilhando. — Você ficou mais quente, se é que isso é possível!
Bonnie corou violentamente, um sorriso envergonhado brotando em seus lábios.
— Obrigada, Care. — murmurou, sentindo um calor estranho no peito que não tinha nada a ver com o calor de Los Angeles.
Lucy, Jenna e Maze se aproximaram dela, e cada uma puxou a pequena bruxa para um abraço apertado, falando o quanto ela ficou mais linda e maravilhosa. Elas a fizeram sentir como a rainha que era.
As meninas saíram do salão direto para a praça de alimentação. Após pedir um lanche, com risadas e conversas animadas, elas passaram o resto do dia explorando alguns pontos turísticos de Los Angeles, absorvendo a vibração da cidade.
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𝐔𝐌𝐀 𝐍𝐎𝐕𝐀 𝐂𝐇𝐀𝐍𝐂𝐄 (𝒦𝓁𝑜𝓃𝓃𝒾𝑒)
أدب الهواةO outro Lado desmoronou, e a jovem bruxa se viu à beira de um abismo. Mas e se, em vez de ser engolida por um mundo-prisão desolador, o destino tivesse tecido um fio diferente para ela? E se, em um piscar de olhos, Bonnie fosse lançada não para fren...
