O ar entrou nos pulmões de Elena de forma violenta quando ela emergiu do lago, tossindo e cuspindo a água gelada. Cada respiração queimava. O corpo tremia, os olhos ardiam, e a lembrança da queda ainda latejava em sua mente — o impacto, o vazio, a escuridão.
Ela não teve tempo para pensar. Precisava chegar à pensão Salvatore antes do amanhecer. O sol agora era uma sentença.
Ela era uma vampira.
A certeza a atravessou como gelo, pesada e definitiva. Não havia libertação naquela transformação, apenas perda. Com o coração em frangalhos, Elena atravessou a porta da pensão, sentindo o peso de uma eternidade que não havia escolhido.
— Elena?
A voz de Damon a alcançou imediatamente. Ele estava ali, já recuperado da fúria de Maze, o semblante sério, atento demais.
— O que aconteceu?
Ela não conseguiu responder. O choro veio antes, forte, descontrolado.
— Rebekah Mikaelson apareceu do nada... na frente do carro — disse entre soluços. — Eu tentei desviar... e caí da ponte.
Damon a puxou para os braços sem pensar. O cheiro de sangue e verbena ainda o cercava, mas ali havia apenas proteção.
— Eu sinto muito — murmurou. — Ela vai pagar por isso. Eu prometo.
Elena respirou fundo, tentando se recompor.
— Damon... se eu não tivesse bebido do sangue que você me deu... eu estaria morta.
Ela ergueu a bolsa de sangue com a mão trêmula e bebeu. O líquido desceu pela garganta, selando a transição. Damon observou em silêncio, sentindo o aperto no peito. Por um instante — breve demais para se fixar — o remorso passou por seu olhar. Logo foi engolido por algo mais forte.
Raiva.
— Aquela vadia loira vai pagar por isso — disse, a voz agora dura. — Vamos matá-los, pequena.
Elena enxugou o rosto. A dor ainda estava ali, mas algo diferente começava a se formar.
— Como, Damon? — perguntou. — Eles são originais.
Ele ergueu um pedaço da antiga placa de Mystic Falls, um sorriso sombrio surgindo.
— Olha o que eu encontrei.
O olhar de Elena mudou. A imagem de Rebekah surgia nítida em sua mente: o carro, a ponte, a queda. Um sorriso lento e frio apareceu em seus lábios.
— Klaus não pode morrer, mas ele vai conviver com a dor de perder seus irmãos.
Damon assentiu, satisfeito.
— E a Bonnie? — Elena perguntou, depois de um instante.
— Devíamos matá-la. Ela e aquela prima maluca.
— Não.
A resposta veio rápida, firme.
— Bonnie não precisa morrer. Nem ela, nem Caroline. Bonnie é poderosa. Caroline sabe se infiltrar em qualquer lugar. Elas serão úteis.
Damon a encarou.
— Elena...
— Depois que os Mikaelson morrerem, Klaus vai odiá-la — continuou. — E ela vai voltar para nós. E ele não terá mais ninguém.
Houve um silêncio curto.
— Ok — Damon disse por fim. Mas seus olhos deixavam claro: se fosse necessário, ele não hesitaria. — Precisamos de Stefan.
VOCÊ ESTÁ LENDO
𝐔𝐌𝐀 𝐍𝐎𝐕𝐀 𝐂𝐇𝐀𝐍𝐂𝐄 (𝒦𝓁𝑜𝓃𝓃𝒾𝑒)
أدب الهواةO outro Lado desmoronou, e a jovem bruxa se viu à beira de um abismo. Mas e se, em vez de ser engolida por um mundo-prisão desolador, o destino tivesse tecido um fio diferente para ela? E se, em um piscar de olhos, Bonnie fosse lançada não para fren...
