Capítulo 12

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"Você deveria me ver usando uma coroa

Seu silêncio é meu som favorito

Me veja fazer eles se curvarem

Um por, um por um

Um por, um por um"

You should see me in a crown – Billie Ellish

ENID

Mal preguei os olhos durante a madrugada.

Eles estão vermelhos e ardentes, a noite que se perdurou não foi amigável.

Depois da sessão de tortura com o filho da puta, vim para minha casa afim de comer algo e descansar, mas mal toquei na comida e meus pensamentos não se desgrudavam nos acontecimentos da noite anterior.

Minhas pernas não paravam de tremer, eu estava tão absorta que nem escutei meu telefone ligar naquela noite.

Era Divina. Ela me ligou para perguntar se estava tudo bem e eu respondi que sim, mas na verdade eu não estava nada bem.

Falei para ela que tinha comido e que estava descansando agora. Ela respirou fundo e soltou um gritinho fino, o que me fez afastá-lo do meu ouvido.

Mandei-a avisar Ajax e Eugene que no dia seguinte à tarde faremos uma reunião no resort.

Ela concordou e disse que iria avisá-los ontem mesmo. Me despedi dela e desliguei.

Respirei fundo e arregalei meus olhos colocando minhas mãos em meus cabelos, os esticando para trás.

Eu precisei desabafar com alguém.

Um lampejo veio à minha mente. E eu sabia com quem poderia falar.

Fazia pelo menos dois meses que não ia ao cemitério, visitar os meus pais, eu estava tão concentrada na máfia, em negócios e missões que não consegui encontrar tempo para fazer uma visita.

Eu sinto tanta falta deles, as vezes ainda tenho sonhos com eles, onde ainda estão aqui e toda vez acordo querendo que esse sonho vire realidade.

Com tudo em mente, me apressei para ir até lá, coloquei uma roupa confortável indo pegar minhas chaves. Tranquei minha casa e verifiquei se as câmeras estão ligadas.

Eu posso não ter seguranças cuidando da porta, mas jamais negligenciei isso, mandei Eugene instalar tudo de segurança de última geração.

Meu rosto foi reconhecido e a porta, aberta, liberando minha saída. Assim que coloquei os pés para fora, olhei para o céu, ele estava lindo. Não enrolei e logo fui em direção ao carro.

Ouvi seu click, avisando que está destravado. Adentrei-o logo em seguida. Respirei fundo e dei partida.

Na madrugada, Los Angeles não ficava tão cheia. Sempre os que permanecem na rua são os bêbados e as prostitutas.

Fui o mais rápido que pude, visto que as ruas estavam vazias.

Logo cheguei no cemitério, o local estava cercado por uma neblina. Avistei o portão de ferro, esse portão sempre me deu calafrios.

Sai do carro e fui em direção ao portão, que estava entreaberto.

Que estranho, ele nunca fica aberto depois das dez horas. Afastei esse pensamento quando entrei, indo em direção ao túmulo deles.

Passei o tempo todo criando palavras na minha mente para começar a falar com eles, eu ia começar pedindo desculpas.

Assim que avistei a lápide deles, minhas mãos começaram a suar, meu coração acelerou. Respirei tão fundo e fui até eles.

Dark Obsession - WenclairOnde histórias criam vida. Descubra agora