Capítulo 18

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"Você consegue me ver?

Estou dançando sozinho

Você pode me ouvir?

Estou clamando por ajuda"

Suffocate – Hayd.

WEDNESDAY ADDAMS

Minha coxa dói. Meu rosto dói.

A chama se alastra pelo meu corpo.

Resmungo alto.

— Merda — reclamo. — Sinclair sua filha da puta, o que você fez? Que merda roubou daqui?

Respiro fundo, mergulhando minhas costas contra a porta.

Vasculho com o olhar e flashes inundam a minha mente.

Flashes de mim aqui consumindo cada canto desse escritório.

Flashes meus junto com os meus pais.

As reuniões que meu pai fazia quando não dava tempo de irmos ao galpão. Mesmo que ele tenha falado que aqui em casa não é lugar de falar sobre a máfia e sim sobre a família. Ainda assim, exceções precisaram ser abertas.

— Eu sinto muito Papà. — Uma onda de lágrimas consome meu rosto e caem como cachoeiras. Eu não as controlo. — Eu sinto muito por ter deixado a merda toda sair do meu controle. Prometo que isso não irá se repetir. Prometo como nunca prometi em toda minha vida.

O sangue em minha coxa escorrega e molha o chão.

Arde, mas não quanto as lágrimas que estão saindo de mim. Elas são como ácido.

— Sua estúpida — vibro por dentro ao sentir a força com que dirigi a palavra a mim mesma. — Deixou-a escapar levando algum dos bens preciosos que eram especialmente para você.

Eu sabia que meu pai tinha deixado algo para mim aqui. Mas nunca tive coragem para vir até aqui.

Até este presente momento eu não tinha.

Mas a vagabunda da Sinclair me obrigou a vir para cá.

Violar algo que foi proposto a mim mesma.

Não pisar em nenhum local daqui de cima enquanto eu não estivesse pronta.

Me forço a levantar, sentindo minha coxa jorrar mais sangue.

Grunho alto ao sentir uma pontada vinda do local. Queima.

Isso é bom. Quando se tem dor, você precisamente foca nela porque é o que te torna humano.

Não um monstro.

A dor latejante. A tortura excessiva. Não importa. Nada importa.

Em passos lentos me dirijo até o sofá e sento-me.

Com a mão ensanguentada procuro meu celular e o retiro. Aperto os olhos e disco o número de alguém.

— Wednesday? Onde você está? — As lágrimas não deixam de cair enquanto escuto sua voz suave. — Você sumiu...

Suspiro alto.

— Preciso que venha até o nosso escritório. Agora! — Minha voz sai mais trêmula do que imaginei.

— O que?! — pergunta, incrédulo.

— Sim, Pugsley Addams. É isso mesmo que você ouviu. E venha logo, por favor. — Resmungo. — Não conte a ninguém por hora. Só suba, a porta está trancada, preciso que a destranque pra mim.

Dark Obsession - WenclairOnde histórias criam vida. Descubra agora