Capítulo 11

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"Conversando com a Lua

Tentando chegar até você

Na esperança de que você esteja do outro lado

Conversando comigo também

Ou eu sou um tolo que fica sentado sozinho

Conversando com a Lua?"

Talking to the Moon – Bruno Mars.

WEDNESDAY

Los Angeles é uma cidade enorme, as ruas sempre estão cheias de carros e na calçada. As pessoas andam sem parar. O clima aqui é gostoso, condiz com as estações do ano.

Passo em um estabelecimento, comprar o que tentei pegar na casa de Yoko, mas não consegui. E assim que compro, volto ao carro.

Adentro e pego o maço. Puxo um cigarro e o acendo, colocando sobre minha boca em seguida. Recosto-me sobre o banco e reviro os olhos, totalmente relaxada ao expelir a fumaça.

Fico olhando para o teto por um tempo.

Posso dizer que estou pensando, mas seria mentira.

Minha cabeça está vazia, não possui um pensamento, apenas uma necessidade.

Apenas uma.

Sugo a ponta do cigarro e solto a fumaça mais uma vez.

— Merda — xingo, furiosa comigo mesma por ter lágrimas escorrendo no meu rosto.

Suspiro e volto a posição ereta, ligando o carro novamente e indo agora a outro lugar.

Dirijo por cerca de vinte minutos até deparar-me com aquela fachada que é impossível esquecer.

Uma onda percorre minha espinha, faz tempo que não venho até aqui. Sempre que passo por essa avenida, logo trato de esquecer que aquela loja ainda existe.

Estaciono o carro em uma rua, atravessando e indo direto até o local.

A floricultura do Senhor Dylan ainda é a mesma, flores espalhadas pela calçada, o cheiro delas invade o seu nariz e te faz querer inspirar cada uma.

Fico olhando para a frente, os vidros constantemente limpos, para sempre ter a visão do lado de dentro, para se olhar as flores que não podem ficar do lado de fora por causa do sol.

Adentro o estabelecimento, ou pelo menos tento, a porta de madeira continua emperrada desde a última vez que estive aqui. Faço um pouco mais de força, conseguindo abri-la e adentrando o espaço.

O piso, ainda é de madeira velha, prestes a cair.

Senti falta desse lugar.

O sininho que vem junto a porta faz barulho, um barulho nem tão baixo e nem tão alto, chamando a atenção do velhinho que está limpando um de seus vasos por detrás do balcão.

Ele me olha, e não consigo decifrar seu rosto, parece que viu um fantasma, seus olhos estão arregalados e sua boca aberta. Ele fica parado, ainda segurando o seu vaso.

Assim que percebe que sou eu, larga o vaso e vem de encontro a mim, me dando um abraço tão quente.

O homem está vestindo uma blusa de lã, portando sua calça fideli de lã  também que utilizava todos os dias desde a última vez que estive aqui e porta o seu velho companheiro o chinelo de couro.

Dark Obsession - WenclairOnde histórias criam vida. Descubra agora