Capítulo 41

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"Toque-me, sim

Eu quero que você me toque lá

Faça-me sentir que estou respirando

Sentir que sou humano."

A little death – The Neighbourhood

ENID SINCLAIR

O silêncio congelou o tempo naquele veículo. Nada parecia fazer sentido, a não ser sufocar num paradoxo impetuoso que circundava o espaço. Barulhos produzidos eram pesados. Fronteiras eram impostas e arrancava nossos pedaços, saboreando em um grande banquete. Tudo se quebrava para tentar construir novamente o que se perdeu na imensidão. A diversão que dava permissão as nossas bocas de se provocarem e cuspirem palavras das quais nunca iríamos nos arrepender depois, agora só serviam para inspirar fundo. Foi tão incomodo sentir como se algo estivesse desmoronando.

Como se ela estivesse prestes a quebrar. Explodir até se encolher e ser engolida em sua própria imundice.

Em nenhum momento da minha vida achei que precisava tanto escutar a voz rouca da mulher que estava ao meu lado, quanto hoje. E em nenhum momento achei que precisava que seus olhos focassem em mim pelo menos uma vez. Mas isso não aconteceu, ela ficou o tempo todo com a cabeça encostada na janela em seu próprio mundo, enquanto eu tentava arrancar ao menos um ressonar que indicasse que ela estava ali.

Segundos se passaram tão lentamente, rastejando pelos nossos pés, enquanto criava raízes ao redor. A nevoa perpetuada para mexer com o arrastar embalado chacoalhava os menores fios do cérebro. A pulsação não era bonita, ela criava ondas que ecoavam e afundavam no próprio desespero. Era sombrio, um tormento que percorria o trajeto longo, esperando para rasgar a pele frágil e encandecer a eternidade, acabando com os nossos corpos.

À medida que a perturbação atravessava o vazio conjurado, uma parte minha só queria que, a nossa bolha fosse explodida, assim eu poderia ao menos ficar em paz. E eu desejei que toda essa bagunça só fosse fruto da minha impetuosa mente que adora pregar peças. Foram várias as vezes em que fechei os olhos e respirei fundo, almejando ainda estar naquela mansão soltando provocações, consequência da minha língua afiada.

A inexpressão em seu rosto deturpava meus sentidos e se assentava desesperadamente em cada pedaço da minha pele. O sentimento era cruel e me atormentava toda mísera vez que eu colocava minhas orbes sob as suas, encontrando apenas seu castanho se tornar acinzentado, completamente sem vida.

Eu queria falar, apesar de não saber os motivos. Queria ouvi-la ao menos suspirar, porque pelo trajeto inteiro, não havia resquício algum que, Wednesday estava respirando, ela sequer estava no carro. Seu corpo parecia estar inerte a tudo. Então usei da minha visão periférica para verificar se ela estava na mesma posição, e as vezes chegava a lhe olhar, não encontrando a dona dos olhos cor de chocolate que eu necessitava tanto que fossem focados em mim.

Medo. Angústia. Agonia. Desespero.

Os piores sentimentos reviraram meu estômago e perfuraram meus ossos, cada um deles buscava travar uma guerra em minha carne, arrepiando cada poro do meu corpo. Um incomodo incessante se assentava em meus pulmões e chocava violentamente contra minha mente. O espaço apertava e dominava o peso, trilhando seu caminho espinhoso.

Meu coração batia forte entre as costelas, me controlando. E eu lutei com todas as forças para não olhá-la de novo, porque se fizesse, sabia que seria arrastada para um oceano do qual não teria certeza se conseguiria sair de lá. Minha cabeça estava embaralhada, um misto de sentimentos e emoções arrancaram diversos suspiros durante o trajeto, enquanto tentava me concentrar em somente dirigir para a sua casa.

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⏰ Última atualização: Dec 19, 2025 ⏰

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