Colin: O baile

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Junho, 27

Duas semanas.

Lá se foram duas longas semanas sem resposta.

Eu queria poder abrir a mente de Belle e entender o que se passa lá dentro, mas o que me resta é o silêncio – e a espera. Tudo o que sei é que aquele beijo foi um presente – um maldito presente.

Droga! Foi só isso?

Um presente deixado ao acaso?

Recuso-me a acreditar que tenha sido apenas isso. Quero crer que, por um instante, o mundo também girou para ela. Que o estômago de Arabelle se revirou, que suas pernas vacilaram, que ela sentiu o mesmo arrepio que me percorreu inteiro – e que desejou mais.

Mais daquele sabor viciante, doce e cruel.

Agora estamos jantando, como a maioria dos casais comuns: dois corpos presentes, duas almas distantes. Cada um em seu canto, prisioneiro de um silêncio que antes me confortava, mas que agora me corrói. Não quero que sejamos um casal comum. Quero conversas que se estendam noite adentro, risadas que quebrem o tédio, confissões que nos deixem vulneráveis. Quero ouvir cada detalhe do seu dia, até suas reclamações mais banais, se isso significar estar perto dela.

O que eu quero é que sejamos como os poucos que ainda se amam de verdade –
intensos, desmedidos, apaixonados.

- Como foi o seu dia? – tomo a iniciativa.

- Normal. – responde seca.

- Não fez nada de diferente hoje?

- Nada.

Tão árida quanto o deserto no verão

- Você não fez o provão dias atrás? – ela assente. – Recebeu o resultado?

- Sim, recebi. – me encara brevemente antes de voltar o olhar para o prato. – O que foi, Colin? Parece estar chateado com alguma coisa. – analisa, por fim. – Algo o incomoda?

- Certamente. – respondo sem emoção.

- E o que é? Está com algum problema? – se ela não fosse tão fria, eu diria que havia um toque de preocupação na pergunta.

- Não é nada. – penso bem antes de responder; talvez ela apenas não tenha tido tempo de me contar sobre o resultado. – Quando chegou? Hoje? – pergunto, ainda com um fio de esperança.

- Há dois dias. – diz, naturalmente.

Fico em silêncio.

Os talheres escorregam das minhas mãos, produzindo um som seco contra o prato.

- O resultado foi ruim? – tento conter o incômodo, imaginando que o motivo do silêncio fosse a decepção. – Não se preocupe, posso estudar com você. Na próxima, certamente passará.

- Mas eu já passei, querido. – ela diz com leveza, e os talheres voltam a cair da minha mão. – O que foi? Ficou surpreso? – pergunta com um sorriso zombeteiro. – Até eu fiquei. – revela.

- Surpreso por você ter passado? Não. Eu sei que é inteligente. – suspiro. – Surpreso por ter esquecido de me contar, sim. – a voz me sai mais amarga do que eu pretendia. – O que é? Eu não sou importante o bastante pra saber o que acontece com você? – indago, magoado.

- Colin, não vamos brigar. – implora, percebendo que não vou deixar passar. – Estou te contando agora. Além do mais, amanhã tem a festa da empresa. Eu só não quis te incomodar... você anda tão cansado ultimamente.

- Tem razão. – respondo, sarcástico. – Quando digo que você é minha prioridade, saem apenas mentiras da minha boca, Arabelle.

- Vou pensar em você na próxima vez.

GAROTA INDOMÁVEL Histórias para pegar e não largar. Descubra agora