Belle: A boate

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A noite passada ficará gravada na minha memória como uma das mais inesquecíveis. Não daquele tipo que carrega a dor do passado, mas um inesquecível doce, sublime – daqueles que a gente deseja reviver em cada detalhe. Sinto falta até do ar que respirávamos. Da sensação de pertencimento. Da certeza de ser, por um instante, o mundo de alguém.

O mundo dele.

Com o passar dos dias ao lado do homem misterioso, sempre tão cortês, tão impecavelmente cavalheiro, aprendi a reconhecer a sinceridade em cada gesto, em cada palavra. E, mesmo já entregue à clareza dessa verdade, ele ainda assim conseguiu superar qualquer expectativa que, sem perceber, eu havia depositado sobre o encontro.

O nosso – o meu – momento começou quando desci até a sala e o encontrei sentado no sofá. Relaxado. Sereno. Quase uma escultura viva de Adônis – embora eu duvide que o próprio deus grego pudesse se comparar ao meu noivo.

Camisa branca de mangas longas. Calça jeans azul-escura. Tênis preto com branco. Uma corrente prateada no pescoço. Relógio no pulso. Detalhes sutis. Mas havia algo nele que transcendia o vestuário. Algo que me roubou o fôlego – não pelo estilo, mas pela presença.

Pela aura luminosa que emanava daquele homem que, de tão deslumbrante, parecia sonho.

O meu fascínio não se encerrou ali. Na verdade, o ápice de um desejo que já me consumia aconteceu no momento em que ele percebeu minha presença… e sorriu. Um sorriso lindo, arrebatador, que me desfez em silêncio. Então, ele se levantou. Um gesto modesto – comum até –, mas que, aos meus olhos, parecia desafiar a própria realidade. O tempo desacelerou. Seu cabelo, levemente bagunçado, balançava com preguiça. Os lábios se moviam de forma quase hipnótica, abrindo e fechando, implorando por atenção. E o perfume… ah, o perfume. Demorou a chegar, mas quando me envolveu, dominou cada espaço do ar, como se marcasse território.

Só havia uma coisa que conseguia acompanhar a euforia daquele momento: meu coração, acelerado, batendo em descompasso.

- Você é a minha perdição, princesa. – disse ele, com a voz baixa, rouca, carregada de intenção.

E bastou esse elogio, simples e fatal, para que eu me derretesse por completo – de amor, de desejo, de entrega.

Enquanto seguíamos rumo a um destino ainda desconhecido por mim, comentei com meu noivo que talvez eu tivesse exagerado na produção.
O vestido – negro como um céu sem lua – moldava-se ao meu corpo com precisão quase impertinente, revelando apenas o necessário. O decote, ainda que discreto, tornava inútil qualquer colar. Nos pés, um par de saltos brancos – não muito altos – completava o contraste.

Ele desviou o olhar da estrada por um instante, apenas o suficiente para me percorrer com os olhos.

Devagar.

De cima a baixo.

- Não acho que seja o vestuário… nem mesmo a maquiagem. – disse, com um meio sorriso que me desarmou por completo. – É você. Você é quem realmente reluz. – o tom da voz dele era firme, mas havia ternura nas entrelinhas.

E, naquele momento, tudo o que consegui fazer foi sorrir de volta, tentando disfarçar o arrepio que percorreu minha pele.

Já o local do encontro... Céus! Que lugar maravilhoso Colin escolheu. E o mais incrível é que, quando falo em reserva, não estou falando de uma simples mesa em um restaurante qualquer. Meu noivo, em seu costumeiro exagero, alugou  TODO O ESPAÇO – interno e externo – do Bistrô Le Jardin por uma noite inteira. Admito que, embora o luxo nunca tenha me encantado e eu até ache um desperdício gastar tanto, me emocionei. Não apenas pelo lugar – mas pelo gesto. Porque, para Colin Miller, eu valho cada centavo investido.

GAROTA INDOMÁVEL Histórias para pegar e não largar. Descubra agora