A felicidade se tornou uma constante na maioria dos meus dias desde que estou ao lado do homem que amo. Para completar essa plenitude, uma empolgação cálida tem corrido pelas minhas veias há mais ou menos duas semanas. Mais do que amor, agora eu tenho uma vida própria. Não daquele tipo que se resume a ser apenas a noiva de alguém, mas daquele que transforma — profundamente, irrevogavelmente — em alguém com propósito. Isso porque, além de ter Colin, eu tenho um emprego e estou cursando a faculdade de Direito, já que passei no vestibular.
É como se, de repente, o mundo tivesse se aberto para mim.
— Como está sendo trabalhar na biblioteca? — Colin pergunta com um sorriso no rosto, certo de qual será a minha resposta. — Anda cada dia mais linda — completa, me analisando de cima a baixo.
Estamos sentados à mesa, tomando café da manhã. Somos, felizmente, um casal responsável — embora ele continue com esse hábito de me endeusar sempre que pode.
— Levanta o olhar, querido. Você está babando — provoco, vendo o jeito descarado com que me observa. — E, nossa… está sendo fantástico, sabia? O cheiro dos livros novos que chegam, e até dos mais empoeirados, sempre consegue arrancar um sorriso meu — digo, empolgada.
— Não sou o único que te faz sorrir? — ele leva a mão ao peito, fingindo ter recebido uma facada. — Tudo bem… entendo por que até os livros querem ver seu sorriso — pisca, arteiro. — Ele é lindo.
— E aqui está ele de novo por sua culpa — digo, com o rosto baixo, tentando inutilmente disfarçar o poder que Colin tem sobre mim. — Mas agora… — levanto-me de repente — temos que ir.
— Ah, a parte mais triste — ele faz um bico dramático e também se põe de pé. — A separação — Colin pega o celular e a chave do carro sobre a mesa. — Vamos. Quanto mais rápido isso for, mais rápido poderei tê-la esta noite — solta, deixando-me boquiaberta.
Embora sua ousadia já fosse velha conhecida.
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Outubro, 21
Trabalhar em uma biblioteca tem sido uma experiência surreal, mas também única em todos os sentidos, especialmente por ser meu primeiro emprego e a estreia em uma vida “normal”.
Minha chefe, Bárbara, é uma pessoa maravilhosa, super atenciosa, e me dá uma liberdade incrível. Quando não há ninguém para atender e não tenho outra tarefa urgente, ela me deixa ler o que eu quiser. Além disso, por ter sido recomendada por uma amiga dela — Amélia, minha sogra — Bárbara confia totalmente em mim e me deixa sozinha enquanto resolve outros compromissos lá fora.
Embora eu tenha aprendido a conversar com as pessoas e a me adaptar quando necessário, me esforço ao máximo para manter a compostura, pois agora sou atendente e, como todo mundo espera, gentileza é obrigação constante.
Só que… ultimamente algo vem me incomodando de um jeito estranho.
Um policial.
É isso mesmo. Um policial.
Ele vem aqui todos os dias, no mesmo horário — ao anoitecer, duas horas antes de fechar a biblioteca — sem falta. Mas não é isso que me intriga. Ele poderia simplesmente ser um amante de livros, curioso por gêneros diversos — afinal, cada vez que o vejo, está com um livro completamente diferente do que lia no dia anterior. O estranho mesmo é outra coisa: sempre que o encaro, ele parece alheio à leitura.
E, às vezes, sinto aquele olhar sobre mim… discreto demais para ser casual, só que não o bastante para passar despercebido.
O pior de tudo?
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GAROTA INDOMÁVEL
RomanceArabelle Werneck já sentiu a dor em sua forma mais cruel: a que corrói o corpo, e a que destrói a alma. E tudo isso sem nunca ter tido escolha. Seus atos de bondade não a salvaram - apenas a levaram a um caminho sombrio, beirando a morte. Quem dever...
