Belle: O preço de te proteger

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Estou sentada à beira da piscina, observando a família de Colin Miller ocupar nosso quintal como se essa cena nunca tivesse exigido coragem. Como se o passado não tivesse sido pesado o bastante para mantê-los afastados por tanto tempo.

Esta é a primeira vez que estão aqui, todos juntos, não por facilidade, mas por insistência. E sei disso porque, da última vez, quando o encontro ainda era apenas promessa, fui eu quem recuou. Meu passado bateu a porta antes que qualquer conversa pudesse começar, e o destino, sempre atento às brechas, transformou a esperança em ferida silenciosa — dessas que ninguém comenta, só carrega.

Agora, eles riem, deixam o tempo correr com cuidado, acreditando que a repetição desse gesto simples possa ensinar, aos poucos, o que antes não soube se sustentar.

Eu deveria estar inteira dentro desse momento. Inteira de verdade, sem rachaduras. Só que não estou — só pareço. Sorrio nos momentos certos, acompanho as conversas e deixo o sol tocar minha pele, na esperança de que ele alcance algo além dela.

Existe felicidade em mim, viva, insistente, batendo forte demais para ser ignorada.

Mas ela não chega sozinha.

Por dentro, tudo se mistura e se choca, fora de lugar, cada emoção me puxando para um lado diferente, exigindo de mim um esforço constante, quase doloroso, para não me desfazer aqui mesmo.

É como segurar algo precioso sabendo que, a qualquer segundo, ele pode escurecer. Como se a luz desse instante já viesse com aviso de vencimento. Eu sinto a alegria, mas junto dela vem essa expectativa estranha, quase um pressentimento — a certeza de que momentos assim não duram, de que algo sempre chega para quebrar o encanto.

Observo a mãe dele ajeitando a toalha na cadeira, o pai falando alto demais, os irmãos mergulhando na piscina como crianças; tudo parece tão inteiro, tão certo, que me dá medo.

Medo de confiar demais no destino, de relaxar, de acreditar que isso pode ser permanente.

A felicidade, em mim, não é leve.

Ela se instala com peso, porque traz junto a sombra constante do que pode acabar a qualquer instante.

Ainda assim, eu fico.

Fico apesar do medo, apesar do aviso que pulsa por baixo de tudo. Absorvo cada detalhe com um cuidado quase desesperado, como quem sabe que vai precisar dessas lembranças para sobreviver depois.

Como quem se despede por dentro, mesmo permanecendo ali.

— Os morenos sarcásticos ou os loiros sem sal? — Isa dispara, me pegando desprevenida.

Meus pensamentos evaporam quando Isabela e Willian surgem à minha frente com expressões curiosas demais para serem inocentes. Ethan aparece logo atrás, atento como quem pressente confusão, e Colin se joga na espreguiçadeira ao meu lado, carrancudo por esporte.

— Desculpa… o quê? — pergunto, piscando.

— Estou dizendo — Isa engata, sem dar espaço para fuga — que não importa o cenário: filmes, séries ou livros. Na ficção, mulheres sempre preferem os morenos sarcásticos.

— Discordo — Ethan reage na hora. — Os loiros são superiores. E meu irmão não é sem sal.

— É uma hipótese, Ethan — Isa rebate, paciente demais para ser sincera. Depois, vira lentamente para Colin. — Embora, no caso dele…

— Termine essa frase e você dorme na piscina — Colin rosna.

— Viu? — Isa aponta, satisfeita. — Sem sal.

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