Hoje é um dia especial. O dia em que cada detalhe planejado com carinho finalmente se transformará em momentos ainda mais marcantes ao lado do amor da minha vida.
Cada passo calculado, cada instante cuidadosamente preparado se encaixa com suavidade, como se o mundo tivesse decidido conspirar a nosso favor; mas, mais do que isso, nada ficou ao acaso, nada foi esquecido — a estratégia logo se tornará prazer, e a expectativa se dissolverá em sorrisos, olhares e toques.
Esse é um desejo que carrego desde que amei Arabelle, desde o início — no único sempre que importa — e que agora seguiremos juntos, explorando cada pedacinho do nosso próprio universo almejado, único e particular na essência do ser belo.
Palavras doces demais?
Talvez.
São para dizer que teremos um encontro.
Não um encontro qualquer — um encontro que terá que gritar tudo o que sinto por Arabelle.
Que estou feliz.
Que estou confiante.
Que preciso dela no meu presente e no meu futuro.
— Temos que sair daqui a quinze minutos — aviso, ansioso, tentando disfarçar o desespero que me domina.
É… não tão confiante assim.
— Estou terminando a torta. Pode esperar? — indaga, arqueando uma sobrancelha, já demonstrando impaciência.
— Princesa, eu só quis dizer que… — pauso bruscamente. Ao estudar a expressão em seu rosto, fica claro que não existe justificativa capaz de amenizar sua tensão. — Que eu espero — cedo, derrotado.
Levando em conta o quanto minha noiva anda nervosa nas últimas semanas — e que nada, absolutamente nada, a faz desistir de uma ideia, por mais absurda que seja — concluo que o melhor caminho é sempre ser ferido logo no início da batalha.
Antes que a morte seja a única opção.
— Não estou fazendo pouco caso — diz ela, analisando-me com atenção. — Eu gosto da sua dedicação, querido — sorri e, curiosa, inclina-se para ver o aparelho em minha mão. — Só seria bom saber o que exatamente me aguarda.
Ela tenta, mais uma vez, espiar o itinerário que criei nas notas do celular.
— Para de ser curiosa — franzo a testa e uso, idiota que sou, um tom mais alto de voz.
Afasto o celular e ela, acreditando que falo sério, morde os lábios, visivelmente chateada, os olhos quase marejados.
Droga. Qual é a resposta?
Arabelle mudou. Não de forma brusca, mas suficiente para me deixar atento.
Não reclamo. Me preocupo.
Tenho medo de feri-la nos mínimos detalhes.
— Anda fazendo tanto mistério com o passeio que estou começando a achar que sou eu quem vai estragar tudo — resmunga, emburrada.
— Não, meu amor. Você não vai. Você nunca estraga nada — tento contornar a situação, levantando-me e caminhando em sua direção. — Só quero que seja surpresa — explico.
— Mentiroso — retruca e, ainda assim, sou impertinente o bastante para beijá-la no pescoço. — Ah, tanto faz — tenta, de todas as maneiras, esconder o riso que desponta em seus tentadores lábios.
Nada que um beijinho — principalmente, nos lugares certos — não resolva.
Só que, confesso: além de desejar que seja surpresa, seria vergonhoso que Belle lesse tudo o que escrevi na nota — cada detalhe pensado demais, cada tentativa desajeitada de parecer estar no controle; ou, pior, querer estar nele.
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GAROTA INDOMÁVEL
RomanceArabelle Werneck já sentiu a dor em sua forma mais cruel: a que corrói o corpo, e a que destrói a alma. E tudo isso sem nunca ter tido escolha. Seus atos de bondade não a salvaram - apenas a levaram a um caminho sombrio, beirando a morte. Quem dever...
