Grudinho do papai

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As coisas não andavam bem lá por casa de Juliette.

O facto dela viver trancada em casa cuidando de Carolina e ainda por cima ela era uma criança chorosa.

Juliette fazia de tudo para acalmá-la, mas tudo parecia falhar.  Nem no colo ela sossegava.  Juliette dava banho, fazia massagem na barriga, ninava no colo e nada.  A criança vivia num berreiro só.
Assim que Rodolffo entrava em casa, era só escutar a voz do pai que virava uma santa.

A princípio Juliette até achou engraçado, mas com os dias passando e o cansaço acumulado, ela se tornou irritada e descontava em Rodolffo que não sabia para onde se virar.

Era o grudinho do papai.

- Pára com tanta frescura com a bébé,  Rodolffo.   Depois eu é que fico aqui o dia todo sem dar conta.

- Calma, Juliette!  Eu só quero passar um pouco com ela e ela estava a chorar.  Vai descansar um pouco.

Carolina já tinha completado 8 meses.  Começava a querer engatinhar e já emitia alguns sons imperceptíveis.

Por conta deste stress todo, a relação dos dois tinha esfriado um pouco.

Juliette vivia cansada por conta de Carolina e Rodolffo por conta do trabalho e das aulas.  Quando chegava a casa, fazia questão de dar banho e pôr para dormir Carolina e só depois se permitia descansar.

Juliette terminava de arrumar a cozinha quando ele regressou do quarto de Carolina.

- Oi, amor.  Senta aqui um pouco.

- Estou tão cansada.  Só preciso de um banho e cama.

- E eu também,  mas estou com saudades de nós.  Vem cá.  Segurou-lhe na mão e trouxe-a para o seu colo.

- Desculpa.  Não tenho sido boa esposa,  disse dando-lhe um beijo longo.

- Não precisas pedir desculpa.  Eu entendo.  Só não quero que te afastes de mim.  Esta fase da Carolina vai passar.

- Será?  Ela era tão calminha no primeiro mês.  Não sei o que mudou.

- São crianças.

- Mas contigo ela sempre está calma.

- Porque eu só chego no final do dia e ela está cansada de chorar e depois adormece.

- Eu acho que ela não gosta de mim.

- Gosta sim, e eu ainda mais.  Vamos aproveitar este silêncio e tomar um banho de banheira gostoso?

- Só banho? - perguntou ela fazendo bico.

- O banho é pretexto.  Hoje nós precisamos tirar o atraso.

Nessa noite fizeram o que há muito tempo tinham deixado para trás.  Se amaram no banheiro e terminaram na cama.

-

-

Pedi a minha tia para cuidar de Carolina esta noite.  Ela aceitou na hora.

Esta noite era muito especial para Rodolffo, mas também para mim.

Era noite do seu baile de formatura e eu não podia estar mais orgulhosa.

Meu pai não veio porque segundo ele a viagem já era difícil para ele, mas os avós fizeram questão de aparecer.

Estávamos todos aqui em casa.  Rodolffo estava muito ansioso.   Há mais de uma hora que ele e o avô esperavam prontos na sala.

Eu e a avó terminávamos de nos arrumar no meu quarto.

Estávamos as duas de vestido longo.
O da avó na cor verde petróleo é o meu na cor alfazema.
A minha maquilhagem era um pouco mais ousada.  A dela muito suave, porque ele diz que nunca pôs esses negócios na cara.

Chegámos à sala e foi um Uá! 

Os dois também estavam bastante elegantes de smoking preto.

Chegámos à festa.   Já tinha chegado muita gente.  Ia começar a cerimónia dos diplomas e discursos.

Rodolffo pegou uma bebida para todos e fomos conversando com outros casais.

Os avós estavam maravilhados com a festa.   Em parte eles sabiam que aquilo também era um bocadinho a recompensa deles.

Rodolffo apresentava-os aos colegas e seus familiares como os avós de quem tinha muito orgulho.

Menina bonitaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora