Para bom entendedor meia palavra basta

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De novo estou jogada como um saco de batatas no ombro de um dos cavaleiros. Culpa da única atendente presente e paga para ficar até mais tarde, especialmente para mim.

Depois de entrar na boutique às pressas, Will me deu 30 minutos para escolher o que eu queria, o que seria o suficiente pra eu achar uma saída de emergência e fugir para qualquer outro lugar que Damon não estivesse.

Mas a maldita atendente me perseguiu como uma sombra e quando pedi espaço fui informada que foram ordens dadas à ela. Tive a brilhante ideia de provar um vestido, ou melhor, uma desculpa para que ela me deixasse em paz e flutuasse com aquele terninho rosa salmão feio pra um diabo pra longe de mim.

Com três vestidos, duas saias, quatro calças e três blusas, de certo eu demoraria um tempo para conseguir provar todos. Parte disso eu jamais usaria na minha vida, mas ninguém precisaria saber disso.

No começo deu certo, eu consegui escapar do provador e chegar até a porta de emergência, eu só não contava com as travas anti furto que teria nessa porta. Uma olhada na tela do computador com as imagens das câmeras e tudo que ela precisou fazer foi apertar um botão.

Eu só precisava de um minuto a mais de distração enquanto Will teclava no celular novamente, mas nem sempre essa droga de universo tá do meu lado.

E a cara dele, fazia tempo que eu não via um semblante tão sério estampando sua cara. Os olhos esmeralda até escureceram a ponto de me fazer estremecer e correr por instinto pela loja com ele atrás de mim. Uma cena que não levou um minuto, mas foi vergonhosa o suficiente.

Ele me jogou nos ombros sem o mínimo de delicadeza, fazendo minha frustração só aumentar. O garoto me carregou para fora após mandar ela encaixotar tudo o que eu escolhi e o que ela acredita ficar bem em mim. Janette vai me pagar por isso, deixei bem claro com a ameaça do meu polegar traçando uma linha no meu pescoço enquanto olhava fixamente naqueles olhos de mel arregalados.

— Eu avisei que ela tentaria fugir. — Ouço o deboche no tom de Damon vindo das minhas costas conforme Will caminha até o começo do beco.

— Imaginei que ela já teria aprendido que não adianta. — Ele responde antes de me botar no chão próximo demais do filho da puta Torrance.

— Você age pelas minhas costas e acredita que vou ficar de boa? Porra, Will, você sabe muito bem que não confio no Damon, que merda! — Empurro o peito dele algumas vezes, sentindo-me traída.

— Qual é, bonequinha, achei que a gente já tivesse passado dessa fase. — Damon dá um passo e me entrega o capacete preto e brilhante como seus olhos — Afinal, dá última vez quem ameaçou cavalgar no meu pau sem nem perguntar se eu queria, foi você.

Se eu bater minha cabeça na parede até desmaiar, talvez escape dessa.

— Eu estava agindo como uma idiota por raiva, eu nunca de daria, Damon. — Dou um passo para trás, mas minhas costas batem contra o peito de Will.

— Nunca diga nunca, bonequinha. — Ele se aproxima até eu virar um maldito recheio de sanduíche esmagado e então põe o capacete na minha cabeça — Ainda vou fazer essa bocetinha chorar no meu pau, e ao contrário de você, eu não blefo.

Eu o impediria de ficar tão perto se Will não tivesse meus pulsos presos pelas suas mãos. Sinto meus olhos marejando por ter confiado e acreditado que tinha um amigo, minhas mãos tremulam suavemente no seu agarre assim que vejo o sorriso de Damon antes que ele encaixe o próprio capacete na cabeça.

— Eu nunca vou te perdoar. — Susurro logo que Damon se afasta para montar na moto esportiva.

— Por salvar tua pele? Ele não vai te fazer mal, não com todos nós sabendo com quem você está, tudo bem?!

Lilith's nightHistórias para pegar e não largar. Descubra agora