Juan
A área onde será o jantar de Natal está começando a ficar cheia, minha mãe ama recepcionar pessoas... Sejam amigos ou inimigos. Tenho poucas lembranças do meu pai, mas pelo que minha mãe e o Valentim dizem ele era um homem incrível e muito temido
O Júnior está perto do jardim, não dou dois minutos pra está igual um leitão, nunca vi gostar tanto de fuçar as coisas. Checo a hora, são dezenove horas e quinze minutos, já era pra Martina ter descido
- Luke, fica de olho no pequeno, volto já
Subo as escadas rápido, porque o Luke é um excelente segurança, mas quando o assunto é manter o Júnior quieto é impossível. Quando chego no quarto, o vestido e os sapatos estão intocados e as coisas de maquiagem espalhadas pela penteadeira
- Tina, você ainda tá se arrumando?- brinco, mas sem resposta- Martina?- bato na porta do banheiro e nada, espero um tempo pra tentar de novo e sem resposta. Com um chute a porta abre e a vejo sentada no box agarrada ao celular tentando se acalmar
Ela está apertando os olhos e chorando. Me apresso pra tirar a garota daqui
- Juan... Eu... E... Não tô bem...
- Calma, vou te ajudar- levo ela até a cama e a mesma continua agarrada ao celular, como se tivesse algo, dou a ela um remédio pra acalmar- Tina, pode me dar o celular?
- Juan...- ela balança a cabeça várias vezes- Tem... Tem uma mensagem dele e eu não sei porque ele fez comigo... Não me importo com quem ele fique, mas não tem necessidade de mostrar isso pra mim... Não tem
Tiro o celular dela devagar, sem querer ela gravou um vídeo no chat com Valentim e faço questão de enviar pra ver o que ele fez e em seguida vejo a nojeira que aquele filho da puta fez... Ele enviou um vídeo de sexo pra Martina, o Valentim merece a morte, só isso. O celular vibra e vejo a mensagem dele:
Valentim: foda- se, peça o Adrian apoio
Eu: você é idiota? O que o Adrian tem a ver com isso?
Valentim: menos Martina, quando ele estava com o pau enterrado em você, não vi essa lamúria todas
Não acredito no que o Valentim acabou de dizer, isso só pode ser uma brincadeira e de muito mal gosto
- Tina...- eu tenho que perguntar, porque se aconteceu algo ela não estava em sã consciência- Você... Você lembra de ter tido algo com o Adrian? O treinador do Júnior?
- Eu devo ter trocado duas palavras com ele- ela parece mais calma
- Ok... Deita um pouco e descansa- como eu vou perguntar isso pra ela sem parecer idiota?
- Eu quero ir lá... Não é justo com sua mãe- mesmo com o coração despedaçado a Martina ainda pensa nos outros
- Tá bom, volto daqui a pouco. Vou olhar o Júnior, porque ele consegue passar mel na boca do Luke
Deixo que ela se arrume com calma e assim que saio ligo pra aquele cretino que não atende, deve estar apagado por causa de droga
— Filho da puta— digo quando tento mais uma vez sem sucesso— Valentim, você gosta de aparecer, espero quer não volte tão cedo
Depois de uns quinze minutos a Martina aparece na porta, aparentemente esta melhor mas a tristeza ainda esta lá. Ouço passos na escada e é o Junior com a mão cheia de flores
— Que isso menino?— questiono e ele me ignora, indo direto pra Martina
— Tina, você disse que não queria presente, mas eu trouxe flores que eu mesmo peguei— que ódio, eu estou emocionado igual um besta
— Além de ter você— ela agacha e toca o nariz dele— esse o segundo melhor presente da minha vida— uma criança de cinco anos esfregando na minha cara o maior amor do mundo
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Martina
O jantar estava ótimo, as pessoas super animadas, em clima de natal mesmo. A Camila veio e quase não a vi, minha tia deve ter falado algo pra ela ou Juan, não sei, o Junior não larga o Pingo um minuto, ele e a Carmem se revezaram em carregar e brincar com o cachorro até os três caírem no sono no gramado.
De longe avistei o Adrian e aquele Jones conversando, estranho que eles estejam em todos os eventos importantes
— Como você tá?— a Maribel diz sentando ao meu lado
— Estou bem, a dor vem e volta e... bem o emocional ta indo
— Dor?
— Sim, é como se fosse um cólica, mas a menstruação aparece uns dois dias e some
— Você tem certeza que não tá gravida?— seria um carma e tanto
— Certeza não, mas é impossível— sinto um nojo tão grande do Valentim, que meu estomago chega a revirar
— Olha, se você transa tem chances sim
— Tirando o fato de que transamos pouquíssimas vezes e em apenas uma foi sem preservativo
— Tá bom, não tô muito afim de saber as saliências de vocês não
— Você perguntou— eu rio. O Jones se aproxima da gente e a Maribel fica um pouco tensa— Tá tudo bem?
— Sim... eu só acho o Jones um pé no saco
— Eu também— sussurro de volta
— Boa noite garotas! Carinho posso falar com você rapidinho?
— Boa noite! Feliz Natal— digo me retirando
Vou entrar e dormir, tem poucas pessoas e pelo caminho vou me despedindo delas. Estou exausta e confusa, será que tem alguma possibilidade de eu estar gravida? Eu tenho quase certeza que não, mas vai que
— Por favor...— digo pra mim mesma enquanto as lagrimas molham meu rosto. Eu quero ter filhos, mas depois de hoje, ter filhos com o Valentim não é uma opção, ainda mais sabendo que ele realmente quer ser pai— Desculpa— esbarro em alguém no caminho
— Sem problemas... tá tudo bem?— quando levanto os olhos, o Adrian esta parado na minha frente
— Oi... Tá tudo bem, são apenas as emoções do Natal— sorrio sem graça— Feliz Natal
— Feliz Natal— ele me surpreende com um abraço e eu me recordo de ter sentido esse perfume antes, em algum lugar— Estou indo, não chore na minha ausência— o comentário dele me faz rir
Passo no quarto pra ver o Junior, ele e Pingo estão dormido cada um de um canto da cama
—Eu te amo pequeno, você me salva de maneiras inimagináveis— dou um beijo nele e puxo a coberta— Boa noite— estava saindo e encontrei com minha tia, ela parece preocupada
— Podemos conversar?
— Sim— fecho a porta atrás de mim
— Querida— ela pega minha mãos— Eu sei o que o Valentim fez e fui atrás... ele me mostrou um vídeo seu e do Adrian e...
— Que vídeo?
— Um vídeo de sexo Martina
— Isso é mentira dele pra justificar o que fez— sinto meu corpo mole
— Calma meu bem, eu sei que você não fez. Infelizmente é um vídeo baixo e sem o menor consentimento— meu peito aperta e tento buscar ar— Martina, olha pra mim... Martina?
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A PROTEGIDA- UMA HISTÓRIA DE VINGANÇA
FanficUma vez eu ouvi essa frase: O melhor modo de vingar-se de um inimigo é não se assemelhar a ele, ainda bem que me chamo Valentim e não fui eu quem disse isso, mas relaxem, não vou me assemelhar a eles... serei mil vezes pior.