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— Oi, mamãe

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— Oi, mamãe. 

Suas costas tensionam, como se fosse uma assombração chamando seu nome. Mas quando vira e olha nos meus olhos — abandonando a discussão que estava tendo com Andrew — sua expressão é impassível. Não está surpresa, nem emocionada e nem comovida. Está tranquila. Porém, sei que quando demonstra tanta tranquilidade desse jeito, está sentindo exatamente o oposto.

— Você está horrível. — constata, depois que contempla meu rosto.

Mamãe lança um olhar atravessado para a médica e percebo, pelo modo como Kaya endireita a coluna e empurra os ombros para trás, que também entendeu como uma crítica ao seu trabalho. Acontecia frequentemente quando Anna se machucava ou Eleanor adoecia. Doutor Arber tem anos de experiência com esse modo distorcido de Amber Blackwood demonstrar preocupação, diferente de Kaya, ele entenderia que não é o problema.

— Estou ótima.

— Difícil de acreditar ao olhar para o seu rosto.

— Madame Blackwood. — Andrew chama, o tom de voz alertando para que ela meça suas palavras. Em seguida, me tranquiliza com um sorriso. — Você parece adorável.

— Ela parece doente. — mamãe trata corrigi-lo. — Estou certa de que já lhe alertei que esse protecionismo estúpido pouco ajuda.

Observar os dois interagirem é confuso, como se eu tivesse pulado capítulos importantes de um livro que eu estava lendo. Nunca vi os dois conversarem, então a tamanha naturalidade com a qual interagem é certamente anormal. Estranhamente, parecem confortáveis o suficiente na presença um do outro pelo modo que mamãe não se contém ao ofendê-lo.

Kaya indica o pequeno relógio sobre a mesinha de cabeceira com um gesto sutil, me alertando sobre o horário, e decido interromper a estúpida discussão entre genro e sogra. Precisamos resolver essa situação antes que o Doutor Arber apareça para assumir seu turno.

— Andrew, porque você e Kaya não esperam do lado de fora? — sugiro.

Andrew assente, me encorajando com um sorriso, como se eu estivesse em uma situação complicada de resolver. Alerta mamãe sobre seu comportamento com um olhar enquanto se despede dela, curvando a cabeça levemente. Ela o ignora porque está focada em mim, me analisando com seu olhar afiado, tentando compreender quais são minhas intenções ao pedir que fiquemos sozinhas. 

Quando ouve a porta fechar e o som da tranca, caminha com calma até a poltrona próxima da cama e se acomoda nela, como quem tem todo o tempo do mundo.

— Você parece bem pouco desorientada para uma pessoa que acabou de despertar.

— Você desejaria que eu estivesse, mamãe?

— De forma alguma, Victória. Estou exultante com sua rápida recuperação. Afinal, não há nada mais doloroso para uma mãe do que assistir sua filha quase deixar este mundo.

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