23 - Capitulos ( Revisado)

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                             Laura

Ainda estou sem acreditar no que está acontecendo. De uma hora para outra, estou comprometida, depois de tantas coisas que aconteceram na minha vida.

Parece até que é um sonho do qual, a qualquer momento, irei acordar. Penso enquanto observo as luzes ao redor do terraço, que me lembram as estrelas no céu, cobertas no momento por nuvens.

— No que você está pensando? — Kayo pergunta, sentando-se ao meu lado no banco de madeira.

— Tudo parece tão surreal — respondo, sem desviar os olhos das luzes que iluminam a escuridão ao redor. — Há algum tempo, eu era uma pessoa perdida e sem direção. Depois que conheci Jesus, minha vida foi completamente mudada e transformada. E agora estou vivendo uma realidade tão diferente da que era alguns anos atrás — comento, refletindo sobre as lutas e dificuldades que passei no início da faculdade.

— Esse é o poder da presença do Espírito Santo; só Ele pode transformar nossas vidas — Kayo responde com um lindo sorriso no rosto.

— Crianças, vamos comer logo, o Mateus está com fome — diz Dona Helena, sorrindo com os olhos brilhando de emoção ao nos ver juntos, enquanto está abraçada ao seu esposo.

— Pelo visto, me tornei oficialmente a vela da família — brinca Hadassa.

— E vai ficar assim por um bom tempo, né? — Kayo diz sério, arqueando a sobrancelha enquanto cruza os braços.

— Concordo com você, meu filho. Lembra, Dassa, quando você era criança e dizia que sempre ficaria com o papai, que não o deixaria mesmo depois de crescida? — comenta o senhor Mateus, sério.

— Nem vem, Mateus. Minha filha vai casar sim, pode parar com esse drama todo, viu? — Dona Helena avisa, cruzando os braços.

— Não se pode mais nem falar nada — ele diz, emburrado.

— Nunca tinha percebido que seu pai tem um lado infantil — comento com Kayo, que apenas ri e segura minha mão direita, acariciando-a com o polegar.

— Meu pai só permite que esse lado dele apareça com a família e amigos mais próximos. Antes, ele precisava ser muito sério; agora que se aposentou, ele pode relaxar mais — Kayo explica.

— Sua família teve algum problema por causa da profissão do seu pai? — pergunto, curiosa.

— Infelizmente sim. Como você deve saber, ser juiz, promotor ou ter qualquer profissão que investigue casos de corrupção, tráfico, entre outros, coloca você na mira dos bandidos, especialmente daqueles que estão no governo — ele diz, sério, e eu encaro seus olhos verde-claros, que estão tristes e sombrios.

Sem saber o que dizer, levanto minha mão esquerda e acaricio seus cabelos castanho-avermelhados, que são mais macios e bonitos que os meus.

— Isso é uma injustiça — murmuro em tom baixo.

— O quê? — Kayo pergunta, confuso.

— Seu cabelo é tão macio e bonito, mais do que o meu — comento, desviando o olhar, envergonhada.

Não consigo entender por que, do nada, me sinto assim. Geralmente, sou tão tranquila, mas ainda me sinto estranha em sua presença. Sinto um frio na barriga, meu coração acelerado, indicando que estou nervosa. Só falta eu estar com as bochechas vermelhas. Ainda bem que não sou branca como a Ester, que não consegue esconder o que as bochechas dela entregam.

— Que nada, amor. O seu é que é — ele diz carinhoso, levantando-se e me puxando em direção à saída, deixando-me, por um momento, sem reação.

Meu Segundo Amor Histórias para pegar e não largar. Descubra agora