24 - Capitulos ( Revisado)

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                                               12/ 04 / 2021
                                              – Quarta-feira.



                           Laura

Acordo com os barulhos típicos que vêm do andar de baixo, vozes, risos e sons familiares. Fecho os olhos e bocejo, virando-me para o lado. Chegamos tarde da noite ontem e só consegui pensar em dormir, apesar de estar feliz por estar namorando o Kayo.

Sorrio ao lembrar como o pedido foi romântico. Não sou tão sonhadora quanto a Hadassa, que é romântica até a alma, como ela mesma diz. Mas meu coração se aqueceu, porque a forma como foi feita a proposta demonstrou todo o carinho e amor que ele tem por mim.

Levanto-me da cama e calço as sandálias, seguindo para o banheiro. Escovo os dentes, lavo o rosto, passo um creme de pele e ajeito o cabelo em um rabo de cavalo, depois de aplicar um pouco de óleo reparador nas pontas.

Observo minha roupa de dormir no espelho, definitivamente precisando ser trocada. Lembro-me de um vestido marrom com bordados, que já faz um tempo que não uso.

Vou até o guarda-roupa, coloco a roupa no cesto de peças sujas e visto o vestido. Pego o perfume de rosas que está na penteadeira e borrifo um pouco.

Sem pensar muito, desço as escadas. No caminho, percebo que a família toda está reunida.

— Eu sabia que eles acabariam juntos! — diz Micael, eufórico.

— Todo mundo já sabia disso, né, espertão? — provoca Jonatan, revirando os olhos para o irmão gêmeo.

Respiro fundo e solto o ar lentamente, tentando controlar o nervosismo enquanto atravesso a sala em direção à cozinha. Sinto os olhares atentos de todos sobre mim.

— Bom dia! — dizem em coro, como se tivessem ensaiado.

— Bom dia. — Respondo nervosa, com um sorriso sem jeito.

Procuro um lugar para sentar e encontro uma cadeira vazia entre Carla e Katarina.

— Como você está, maninha? — pergunta Micael, com um sorriso largo. — Soube que o pedido foi oficializado ontem. Fico muito feliz por vocês.

— Estou bem, obrigada. — Respondo, envergonhada, enquanto me sento.

— Olha como ela fica toda vermelhinha, é uma graça. — comenta Carla, divertida.

Em vez de responder, sirvo café com leite e bebo um pouco, tentando decidir o que pegar. Há pão de queijo, bolo de milho, pão com queijo e presunto, pasteizinhos e docinhos. Um verdadeiro banquete.

— Vocês parem de implicar com a Laura! Apesar de eu estranhar essa reação, já que ela sempre foi tão espontânea e sem vergonha... no bom sentido, claro. — Isaque comenta, sorrindo de leve.

Arqueio a sobrancelha e levanto o olhar para ele. Isaque, o mais sério e quieto do grupo de irmãos, geralmente não entra nessas brincadeiras.

— Até você, Isaque? — pergunto, incrédula.

— Claro. Não é todo dia que o último irmão solteiro pede alguém em namoro, ainda mais uma mulher tão especial para todos nós. — Ele responde, sincero.

Fico emocionada com o carinho da família e sinto que sempre poderei contar com eles.

— Já estão monopolizando o tempo da minha namorada? — Kayo brinca, entrando na cozinha.

Fico sem graça e acabo queimando a língua ao beber o café apressadamente.

— Foi só você chegar que a Laura ficou toda atrapalhada. — comenta Micael, rindo.

Katarina se levanta e troca de lugar, sentando-se ao lado de Jonatan e Maria. As duas conversam sobre as crianças, rindo cúmplices, como se compartilhassem algum segredo.

— Minha presença a desestabiliza. — Kayo provoca, sentando-se ao meu lado, o que me deixa ainda mais nervosa.

Não consigo me reconhecer. Recompõe-se, mulher! Penso, repreendendo-me mentalmente.

— Até parece. — murmuro, num tom baixo.

— O que você disse? — Kayo me desafia, com um brilho atrevido nos olhos.

— Disse que você se acha muito! Nem parece o homem romântico de ontem. — Respondo, sorrindo largamente, sabendo que seus irmãos vão provocá-lo por isso.

Antes que ele pudesse retrucar, todos começam a reagir com gestos e sons de empolgação.

— O último romântico da face da terra, é? — provoca Micael.

— O Romeu finalmente se declarou para sua Julieta. Só que, dessa vez, sem final trágico ou famílias inimigas. — Carla diz, divertida.

E, assim, o apelido "Romeu e Julieta" pega, porque sei que eles não vão esquecer tão cedo.

— Vocês precisam deixar os dois pombinhos em paz, senão vão acabar assustando a moça. — brinca Maria, comendo um docinho.

Kayo come um pastel, pensativo, e depois coloca o braço esquerdo em volta do meu pescoço enquanto toma café.

                            [...]

Depois do café da manhã, preciso ir trabalhar, e Kayo insiste em me levar até a empresa do senhor Richard — ou apenas Richard, já que ele agora é namorado da Dayane.

— Você vai ficar bem? — Ele pergunta, preocupado, observando-me atentamente.

Suspiro, pensando por um momento.

Olho pela janela do carro, vendo o sol brilhar e as pessoas andando apressadas, cada uma em seu próprio mundo. Não posso deixar o medo me dominar, porque isso só daria mais poder ao Alexandre.

— Eu estou bem. — Respondo com um sorriso fechado. — Na verdade, vou ficar. — Admito, sincera.

Apesar das dificuldades, sei que o Senhor está cuidando de mim e não permitirá que algo ruim aconteça. Afinal, "Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito."

— Você é mais forte do que pensa, Laura. — Kayo diz, aproximando-se de mim. Fecho os olhos ao sentir sua respiração quente e o toque de seus lábios na minha testa.

Abraço-o, encostando minha cabeça em seu peito.

Ficamos assim por alguns minutos, até que, a contragosto, precisei sair do carro e ir trabalhar.

Entro na empresa e cumprimento o pessoal da recepção. O elevador leva cerca de cinco minutos para chegar, e, ao abrir, vejo meus dois amigos me olhando preocupados.

— Você está bem? — pergunta Dayane, puxando-me para um abraço apertado. — Sinto muito por tudo o que aconteceu.

— Estou bem, dentro do possível. — Respondo, sincera. — Não foi sua culpa, Dayane. Não quero ouvir você se culpando.

— Concordo com a Laura. E, olha, o Richard não vai deixar isso barato. — André diz, sério, cruzando os braços.

Dessa vez, Alexandre realmente mexeu com as pessoas erradas. Entramos na sala de reuniões e começamos a discutir estratégias de propaganda para os imóveis.

Meu Segundo Amor Histórias para pegar e não largar. Descubra agora