28 - Capítulos ( Revisado)

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Aviso de Conteúdo
Este capítulo contém cenas de obsessão, violência psicológica e planejamento de sequestro. Também aborda traumas familiares e comportamento perturbador do vilão.

Recomendamos que leitores sensíveis a temas de violência, perseguição e sequestro evitem este capítulo.






Alexandre

Eu nunca esperei que depois de tanto tempo ela tomaria uma atitude dessas! Nunca fiz mal, só a queria para mim. Mas por que essa infeliz continua resistindo? Será que não sou bonito? Impossível. Onde quer que eu vá, as mulheres ficam loucas por mim. Só ela não... só ela me rejeita!

Que raiva.

As margaridas no vaso de vidro me irritam ao extremo. Avanço até a mesa de madeira no centro do quarto e a viro no chão. O estrondo ecoa como se zombasse de mim.

A carta de intimação está amassada. A polícia voltou a cutucar o que devia ter permanecido enterrado. Logo vão encontrar os outros.

- Senhor Lobos, o que está acontecendo? - a voz aflita da empregada.

- Isso não é da sua conta, intrometida! - respondo com ódio. - Agora saiam todos daqui! - grito, e as portas se fecham com pressa.

O sangue ferve em minhas veias. Solto um rugido de raiva. Ela conseguiu. Conseguiu me levar à beira da loucura. Laura pode ter livrado Dayane de mim, mas ela mesma não vai escapar. Nem que eu precise matá-la para que seja só minha.

Já que posso ir para a cadeia... que seja por algo que valha a pena. Meus presentes não a conquistaram? Então vou pessoalmente mostrar do que sou capaz.

- Me aguarde, Laura. Você pediu por isso. - Um sorriso ansioso corta meu rosto. - Você nunca vai escapar de mim.

- Filho... o que está fazendo aí dentro? - a voz da minha mãe ecoa atrás da porta.

- Já disse para me deixarem sozinho! - berro, passando as mãos pelos cabelos úmidos de suor.

O celular está no chão, tela rachada. Apenas a película. Posso comprar outro. Pego o aparelho e disco para o número desconhecido. A impaciência me corrói, quase o arremesso contra a parede.

Ele deveria estar à minha total disposição. Já dei dinheiro suficiente para isso. Foi ele quem enviou o presente que ela não merece. Eu devia ter feito o certo antes... nada disso estaria acontecendo.

- Oi, Alexan... - ele começa.

- Oi, nada! - corto seco. - Quero outro serviço. Pegue a Laura no trabalho e leve para um lugar isolado. Sem sinal. Sem pessoas. Quero acabar o que comecei.

- Vai custar mais caro... - ele hesita.

- Eu sei. Faça o que estou mandando. - Minha voz sai ansiosa, quase trêmula.

Laura... seus dias estão contados.

Minha família sempre esteve mergulhada na sujeira. Lavagem de dinheiro, tráfico, milícia... é disso que sobrevivemos. Eles sempre souberam comprar silêncio, manipular a mídia, se esconder atrás de uma imagem perfeita. Nada disso é novidade. Esse caso, essa investigação, não é o que vai derrubar os Lobos. Só preciso concluir tudo antes que meu pai volte. O velho adora posar de moralista, mas se descobrir... vai tentar me trancar em uma clínica psiquiátrica.

Eu não sou louco. Apenas nunca fui normal. Desde pequeno.

Lembro da infância. Do deslocamento. Dos olhares. Do peso das mãos do meu pai cobrando que eu fosse "mais macho". Minha mãe? Fútil. Fraca. Arruinou sua vida e a minha. O renomado deputado Fernando Caetano Lobos... um mentiroso caridoso para a mídia.

Mas houve uma vez. Uma pessoa. Uma professora. Ela tentou. Disse que eu precisava de ajuda. Quis falar com meus pais. Eles não ouviram. Mandaram-me para outra escola. E eu aprendi... que ninguém se importa de verdade comigo.

Olho no espelho. Vejo os traços dele. Até a pele, até os cabelos. Só os olhos verdes são da minha mãe. Toco o vidro. É como se visse meu pai. Um soco. O estilhaço. O sangue. Sinto alívio... por um segundo. Logo o vazio me devora de novo.

Porque é isso que existe em mim. Um buraco. Nada preenche. Nem dinheiro. Nem mulheres. Nada. Só ela. Só Laura.

Sento-me na varanda. O vento frio corta minha pele. O céu se divide em azul e nuvens cinzentas - tão conflituoso quanto eu. Bebo o vinho em um único gole.

O celular vibra. Atendo.

- Está feito. - a voz abafada. - Ela já está guardada. Distante e isolada. Pode vir às nove.

Um riso involuntário escapa da minha garganta.

Nove horas.
Três horas até o silêncio absoluto.
Três horas até Laura ser só minha.

Reflexão:
Levar uma criança ao psicólogo não significa que ela tem um problema. Significa oferecer um espaço seguro para que possa se expressar e desenvolver suas emoções plenamente. Muitas vezes, é nesse ambiente que sinais sutis de perigo podem ser percebidos antes que algo pior aconteça. Mudanças de comportamento, histórias contadas em brincadeiras ou gestos de medo podem indicar situações de risco que passam despercebidas para pais e professores.

Cuidar da saúde mental desde cedo é também uma forma de prevenir traumas e proteger crianças de abusos, ajudando-as a crescer confiantes, maduras e emocionalmente preparadas para a vida.

Meu Segundo Amor Histórias para pegar e não largar. Descubra agora