13/04/2021
— Quinta-feira
Laura
Então, o povo mais uma vez foi a Moisés e insistiu em relembrar os antigos manjares do Egito, esquecendo que foram feitos escravos naquele tempo. Renegaram o Senhor e o trocaram por ídolos repetidas vezes. Em vez de buscar ter um relacionamento com o Senhor, preferiram os prazeres terrenos, como no caso da prostituição dos filhos de Israel com as filhas dos moabitas, que os conduziram a oferecer sacrifícios a falsos deuses. De repente, me pego irritada com esses relatos descritos no livro de Números.
Deus foi tão bom com eles: deu comida vinda do céu, água de uma rocha, e os povos que possuíam a terra que era deles foram sendo derrubados pelo Senhor. Mandou uma nuvem para que o sol não os fizesse mal durante o dia e, à noite, teve um fogo que não se apagava para que não morressem de frio. Então, de repente, relembrei que várias vezes agi como eles. Às vezes estive cansada demais para o Senhor ou trabalhando demais para Ele, mas houve muitos momentos em que essas coisas não eram feitas com Jesus. Estudei, trabalhei, passei um tempo servindo no ministério infantil da igreja, mas tudo isso foi feito por Ele, só que, em alguns casos, não com Ele. Fomos chamados para nos relacionarmos com o Senhor. Relacionamento quer dizer proximidade, vulnerabilidade e amizade. Mas quantas vezes deixei o orgulho tomar conta do meu coração? Quantas vezes permiti que a opinião dos outros moldasse minha forma de agir?
Meu coração se apertou ao perceber o quão ingrata fui com o Senhor ao longo da minha vida. Como uma criança mimada, determinava o que queria e insistia em coisas que não faziam sentido. Por exemplo: por que todos namoram e eu não posso? Por que, em alguns momentos em casa, só tenho o básico do básico? Minha mãe nunca deixou que eu sentisse o que é fome, mas houve dias em que era apertado e tudo o que tínhamos era pouco. Por que todas as meninas da igreja usam roupas novas e eu só tinha roupas antigas? Só que, dentro do pouco, agora consigo ver que, na verdade, o Senhor estava cuidando de tudo para mim.
Ele providenciou aquele pouco que era suficiente para o momento e, depois, quando eu estava madura o suficiente, me deu mais coisas para administrar. Isso não é sobre bens materiais, mas sobre o favor Dele em todos os momentos.
Fecho meus olhos e lembro de algumas vezes em que o Senhor falou comigo, seja em Sua palavra, por meio de alguém ou até mesmo nas músicas e na natureza.
— Senhor, Tu és tão bom. Sua graça e misericórdia realmente se renovam todos os dias, Tu és fiel em todo tempo. — Respondo agradecida. — Perdoa-nos pela nossa ingratidão, Senhor, e ensina-nos a contemplar todas as bênçãos que o Senhor nos dá diariamente. Só podermos acordar mais um dia e viver em Sua presença já é mais do que suficiente. Obrigada por ter me trazido à existência, porque posso experimentar o Seu poder diariamente. Cuida de minhas amigas, Senhor, ensina-as o caminho que devem andar. Ajuda a Dayane a ter suas feridas curadas e ao Richard a encontrar em Ti o que ele precisa. Que cada um possa entender que em Ti encontramos vida. Te peço em nome de Jesus, amém.
Termino a oração e volto o olhar para a janela do quarto, onde a luz adentra com ousadia. No andar de baixo, ouço dona Helena brigando com seus filhos e rio levemente, pedindo a Deus que eles possam valorizar seus pais enquanto ainda estão aqui, porque, depois, só resta a saudade e as lembranças.
Coloco a Bíblia na cômoda e me ergo do chão; meus cabelos estão uma bagunça. Entro no banheiro e tomo um banho com tudo o que tenho direito. Visto um short jeans e uma camisa de manga curta branca. Amarro meus cabelos em um rabo de cavalo e saio do quarto.
Entro na cozinha e só estão Helena e Mateus. Sento-me de frente para eles, que estão um alimentando o outro. Sorrio com a demonstração de carinho deles.
— Bom dia. — Cumprimento enquanto coloco o café na xícara.
— Bom dia. — Helena diz pensativa.
— Bom dia, filha. — Mateus responde carinhoso. Sinto meu coração se aquecer com isso. — Como foi o seu dia ontem? — Questiona curioso.
— Foi bom. Daqui a pouco vou ter uma reunião com a equipe de marketing da empresa que estou auxiliando. — Comento, pegando um pão de queijo e sentindo seu sabor delicioso. — E os seus dias, como foram? — Pergunto, bebendo um pouco de café.
— Também foi bom. Eu fui visitar uma velha amiga que fazia tempo que não via. Tivemos tanto assunto para colocar em dia. — Helena diz sorrindo. — Acredita que, quando nos encontramos, o tempo pareceu não ter passado? Éramos como se fôssemos as mesmas de antigamente.
— Uau, que interessante. — Comento, tomando um gole de café em seguida. — Eu conheço ela? — Pergunto curiosa.
— Não, ela é uma amiga de infância que atualmente mora na Europa e veio visitar o filho que mora no Brasil, por isso que deu para a gente se encontrar. — Helena comenta, nostálgica.
— Entendo, você deve sentir falta dela. Não consigo nem pensar em viver em outra cidade distante da Ester. — Respondo, sentindo meu peito se apertar com essa possibilidade.
Assim como era com Davi e Jonatas, eu e Ester somos. Ela presenciou meus piores e melhores momentos, e eu os dela. Nossa amizade vai além de algo superficial; sim, em determinados momentos pesa, mas é um pesar de se importar, de amar e cuidar.
Como um pão com queijo e presunto junto com o café, levanto-me e subo as escadas para pegar minha bolsa e sair. Vou visitar a Ester em sua casa, porque ela fez questão de enfatizar que hoje me queria lá e que eu deveria contar tudo o que aconteceu, sem esconder nada. Pego meu celular e vejo que tem um "bom dia" do Kayo e um áudio.
— Bom dia, La. Espero que você tenha dormido bem. Eu vou estar de plantão hoje, então só nos veremos amanhã. Mas, qualquer coisa, se tiver uma urgência, me ligue. — Ele disse no áudio, com a voz grossa de sono. Parece que ainda está um pouco cansado.
Senhor, por favor, ajude ele no trabalho, não deixe que nada de ruim aconteça e que Kayo possa ser Sua luz na vida de outras pessoas que estiverem precisando.
Oro em pensamentos e depois mando um áudio dizendo que estava tudo bem e que era para ele ficar atento no trabalho e evitar muitos riscos, apesar de sua profissão já ser arriscada por si só. Guardo o celular na bolsa e saio do quarto, descendo as escadas. Vejo o senhor Mateus assistindo TV, em um programa de notícias.
— Eu posso te levar. — Ele disse, levantando-se do sofá.
— Não precisa, minha moto já está aí. — Respondo com um leve sorriso.
— Ok, precisando de algo é só avisar. Agora somos família e devemos cuidar uns dos outros. — Ele disse gentilmente. Aceno com a cabeça e sigo para a garagem da casa.
Sinto meu coração se aquecer com seu gesto, ao lembrar que não estou sozinha, que agora tenho pessoas que gostam de mim e me protegem.
Oi, pessoal. Tudo bem com vocês? Espero que sim! As quantidades de postagem diminuíram porque muita coisa está acontecendo na minha vida ao mesmo tempo. Trabalho, estudos e problemas familiares, enquanto tento conciliar com minha vida com Deus. Por isso que não tenho postado com tanta frequência e quero reafirmar a vocês que não desisti da história.
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Meu Segundo Amor
RomanceLaura Campos é uma jovem guerreira e de personalidade forte, que não suporta injustiça e está sempre disposta a ajudar a todos. Desde pequena foi ensinada por sua mãe a depositar sua confiança e esperança no Senhor... Mas, o que acontecerá quando aq...
