Mais uma vez quero reforçar que esse capítulo aborda tema sensível como sequestro, menção a perseguição e coisas do tipo. Então se é sensível passe esse capítulo, para que não seja afetado. Sua saúde mental é mais importante.🤍 Aos que lerem quero saber o que estão achando e não se esqueçam de votar, por favor e sinal de que gostam da história. 😊
Laura
Sinto minha cabeça latejar, como se tivesse batido em algum lugar. A dor é tão forte que mal consigo pensar. Meus olhos ardem e minha boca está seca. Ainda estou desorientada quando ouço vozes não muito distantes.
— Está feito — diz um homem de voz grossa e alta. — Ela já está guardada. Distante e isolada. Pode vir às nove.
Guardada?
A quem esse homem está se referindo?
O que está acontecendo aqui?
Tento raciocinar, mas a dor volta com ainda mais força. Abro os olhos devagar — o ardor diminuiu um pouco — e analiso o lugar. É limpo, mas percebo pelos cantos que não é muito usado. A única janela, pequena e alta, deixa passar uma luz pálida através do vidro empoeirado.
Meu coração dispara. Sinto um tic-tac imaginário, como se o tempo tivesse virado meu inimigo. As cordas em meus pulsos estão apertadas a ponto de ferir a pele. Meus olhos enxergam com nitidez, apesar da dor causada pela substância que usaram em mim. E não — não foi “boa noite, Cinderela”.
Alguém me sequestrou.
— Só pode ter sido alguém que mandou me pegar... — sussurro, sentindo um arrepio percorrer todo o corpo. A crise de pânico chega como uma fera invisível, querendo me devorar.
As lembranças vêm mesmo que eu tente impedi-las.
O primeiro buquê de rosas vermelhas.
O olhar insistente.
Os murmúrios na faculdade dizendo que eu gostava de “fazer joguinho” com o filho do político mais influente da cidade. Professores fingindo que não viam nada, como se fosse normal o comportamento doentio dele em relação a mim.
Depois disso, nunca mais saí sozinha à noite. Cheguei a ser seguida. O medo se tornou meu companheiro constante.
Dizem que as mulheres hoje querem estar no poder. Eu não. Eu só queria ser respeitada. Queria que o meu “não” fosse ouvido — sem que ninguém romantizasse o meu medo.
Respiro fundo.
Um, dois, três, quatro...
Conto mentalmente, tentando controlar a respiração. Mas o ar parece preso na garganta. A dor no peito vem rasgando por dentro. As lágrimas escorrem. Por um momento, acredito que acabou.
Mas então lembro: esse não é o fim.
Mesmo que eu morra, estarei com Jesus.
Talvez eu nunca entenda por que coisas ruins acontecem comigo, mas sei que Ele nunca me deixou sozinha.
— Por favor... me ajuda, Papai. Preciso de Ti. — sussurro com voz fraca.
Recordo as vezes em que Ele me respondeu pela Palavra. As pessoas que usou, sem saber de nada, para me dar uma resposta exata.
Não sei quanto tempo passa. Minutos? Horas?
De repente, um vento suave atravessa o lugar fechado, roçando meu rosto.
É impossível, mas é real.
Uma sensação quente me envolve, como se um óleo ungido caísse sobre mim. Meu corpo aquece por dentro — uma paz antiga desperta.
O Espírito Santo está aqui.
E eu lembro: não devo temer quem mata a carne, mas não pode tocar o espírito.
— Então a princesa acordou. — A voz masculina me arranca do transe.
Ele está sentado mais à frente, encostado na parede, girando uma navalha entre os dedos. Veste tudo preto. Máscara, boné cinza, olhos quase negros — frios, impessoais.
— Não vai negociar sua vida comigo? — pergunta com um sorriso cínico.
— Não tenho dinheiro suficiente pra isso. — respondo, direta. Sei que é inútil. No fim, ele vai me entregar para Alexandre. Nenhum homem quer um lunático poderoso atrás de si.
— Mas percebi que você tem boas conexões... — ele diz, como quem conversa sobre o tempo. — Um sogro que já foi juiz, um cunhado advogado... bela rede de proteção, não?
A navalha brilha enquanto ele fala.
Kayo me avisou para não sair de perto dos amigos. Mas bastou uma ida ao banheiro, e o sequestrador me pegou. Planejou tudo com precisão.
Só alguém que me observa há muito tempo poderia saber tanto.
— É... aprendi que, nesse país, só quem tem influência consegue justiça. — ironizo, forçando um sorriso.
Eu sei que não deveria provocá-lo. Mas ficar calada nunca foi o meu forte. Quando fico nervosa, as palavras escapam como defesa.
— Sabe, eu não ia fazer isso. — ele confessa, sem emoção. — Meu trabalho era só observar e passar informações pro Alexandre. Mas ele me ofereceu uma boa quantia de última hora.
— Desde quando está me observando? — pergunto, sentindo a voz falhar.
— Desde que Alexandre voltou do Canadá. Disse que não podia deixar a mulher dele... liberta por aí. — responde com frieza.
Alexandre.
O homem que transforma “não” em desafio.
Que inventa histórias, que me persegue, que acha que pode forçar sentimentos.
Jesus, se ele chegar aqui e tentar o que estou imaginando...
Por favor, me leva antes.
Não suporto mais esse homem. Até quando vai me atormentar?
Parece que o jogo preferido dele é “invadir a vida da Laura”.
Talvez tenha tido uma infância horrível.
Mas nada justifica o que se tornou — um narcisista emocionalmente instável.
A conversa é interrompida por um som alto: o arrastar de um carro do lado de fora.
— Parece que a chefia chegou. — ele diz, animado, levantando-se da cadeira e se aproximando de mim.
Segura meu rosto com a mão calejada, em um toque grosseiro.
— Fique quieta e não tente nada. Posso ser mais perigoso que Alexandre quando irritado. — diz com tom ameaçador.
Seus olhos gélidos estão sem emoção alguma. Em seu rosto, vejo um sorriso de canto — algo beirando a satisfação pessoal por ter conseguido me deixar com medo. Então ele sai do galpão para se encontrar com Alexandre.
Ainda que o medo queira me paralisar, estico as mãos e, do chão, consigo pegar um pedaço de madeira. Com esforço, forço as cordas até que se rompem e caem ao chão. Solto um suspiro, sentindo o suor escorrer da testa até o queixo.
Levanto da cadeira e, com passos apressados, caminho em direção à porta. Encosto-me na parede e ouço, a certa distância, os dois brigando.
— Eu já disse que não tem como tirar um milhão da conta agora, preciso de tempo pra conseguir isso! — Alexandre diz, irritado.
— Estou te avisando: se me passar pra trás, já era... — o sequestrador retruca em tom ameaçador.
Não sei qual dos dois é pior — e nem quero descobrir. Aproveito que estão perto do carro e corro em direção à mata.
Os galhos chicoteiam meu corpo, deixando leves marcas vermelhas nos braços. Ouço o som da coruja ecoando, e a cigarra o acompanha em tom alto. A única luz que me guia é a do luar.
Corro o mais rápido que consigo, em meio à respiração ofegante que denuncia o cansaço do corpo. Mas, mesmo assim, não paro — não até ter certeza de que não serei alcançada.
Parece que Laura conseguiu fugir, será que ela vai encontrar alguém para ajudar ou eles vão pegar ela de volta? Parece que o tal sequestrador não está brincando em serviço. 👀
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Meu Segundo Amor
RomanceLaura Campos é uma jovem guerreira e de personalidade forte, que não suporta injustiça e está sempre disposta a ajudar a todos. Desde pequena foi ensinada por sua mãe a depositar sua confiança e esperança no Senhor... Mas, o que acontecerá quando aq...
