30 - Capítulos ( Revisado)

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                           Laura

A falta de ar e o peso que sinto indicam o sedentarismo em que me encontro. A escuridão da noite me envolve, e os sons dos insetos e animais noturnos me deixam ainda mais alarmada. Sem conseguir enxergar direito o chão, acabo pisando em falso e machucando o tornozelo.

Ah, Laura... só poderia ser você mesma. Em meio a uma fuga de sequestro, sem preparo físico e agora com o pé machucado. Você merece um prêmio por ser a pessoa mais abençoada deste mundo — para não dizer outra coisa. Reclamo em pensamentos, tentando conter a dor.

Escoro-me na árvore mais próxima, clamando ao Senhor para que não haja nenhuma cobra nela, nem na moita que estou prestes a usar como esconderijo.

Não adianta sair da mata agora. Com certeza, vão me achar. E, se eu for para as ruas, algum deles pode estar lá me esperando. Tenho que ficar quieta, esperando reforço. Tenho certeza de que já deram falta de mim e que logo estarão aqui. Até porque, por medida de segurança, sempre compartilho minha localização com a Ester e, agora, também com o Kayo.

Arrasto-me um pouco mais até a moita, encosto o corpo na árvore e espero o amanhecer. O cansaço está quase me vencendo. Meus olhos se fecham, e penso no que mais poderia me acontecer — o pior seria morrer.
Mas, se isso acontecer, sei que estarei com Jesus nos céus. Então, não é algo de todo ruim, certo?
Apenas não quero deixar para trás as pessoas que amo... não agora.
E, com esses pensamentos, adormeço.

                          Kayo

Meu peito se contrai ao ouvir a notícia, e me repreendo por não ter pego o celular antes. Se eu tivesse visto, nada disso teria acontecido — e Laura já teria sido encontrada. Mas eu estava em horário de trabalho, lidando com um incêndio que por pouco não dominou toda a área de um ambiente comercial.

Apoio a cabeça entre as mãos, respirando fundo antes de soltar o ar devagar.
Sinto medo só de imaginar o que ela pode estar passando nas mãos do tal Alexandre. Sim, porque sabemos que foi ele. Seria muita coincidência algo assim acontecer logo depois de ela ter feito a denúncia.

Avisei à polícia que ela não estaria a salvo e que deviam prender logo Alexandre, mas a lentidão para agir ocasionou exatamente o que mais temíamos.

— Kayo... — Ryan me chama em tom baixo, com pesar, entregando um copo de água.

O silêncio preenche a sala do quartel, que também é nosso escritório. Bebo a água e me lembro de como soube do que aconteceu.

Depois do incêndio, saí do quartel às sete da noite. Meu celular tinha ficado no armário. Quando voltei, encontrei várias mensagens dos amigos da Laura dizendo que ela havia desaparecido depois de ir ao banheiro sozinha.
Ninguém sabe exatamente como aconteceu, mas, depois de alguns minutos sem ela voltar, Dayane foi ver se estava tudo bem — e não a encontrou. Richard, sabendo da situação com Alexandre, acionou a polícia imediatamente.
Mas de nada adiantou, pois não encontraram pistas — além das imagens de segurança que mostravam um homem disfarçado de cozinheiro levando Laura, cambaleando, pela porta dos fundos do restaurante.

Sou despertado dos pensamentos pelo som de uma ligação. Atendo, sentindo a expectativa arder no peito.

— Filho, a polícia conseguiu achar onde Laura está. Estão a caminho de lá. — diz meu pai, com emoção na voz. Assim como eu, ele e toda a família ficaram muito abalados com o desaparecimento dela.

— Graças a Deus. — respondo aliviado, sentindo a tensão se desfazer nos meus ombros.

— Vou passar aí pra te pegar, e iremos juntos. — ele avisa. Ouço buzinas ao fundo, o que indica que já está chegando.

— Certo, pai. Não demore, por favor. — peço, e ele concorda antes de desligar.

— E aí, conseguiram encontrá-la? — pergunta Ryan, ansioso.

— Sim. Já sabem o local onde ela está sendo mantida em cativeiro. — digo, amassando o copo de plástico entre os dedos. — Ela deve estar com medo... — completo, com pesar.

— Calma, amigo. Vai ficar tudo bem. Deus está protegendo ela. — diz, apertando meu ombro num gesto de conforto.

— Assim espero. — respondo, fechando os olhos e continuando em oração para que tudo dê certo.

O celular vibra no bolso. Pego o aparelho e leio a mensagem do meu pai: “Cheguei.”

— Já vou. Meu pai acabou de chegar. — digo, levantando-me e abraçando Ryan.

— Cuidado, Kayo. Me avisa depois como as coisas estão indo lá. — ele pede.

— Ok. — respondo, afastando-me e indo em direção à saída.

O pessoal do corpo de bombeiros, inclusive meu chefe, já sabia do ocorrido, então não precisei notificar nada. Já havia sido dispensado das obrigações.

Entro no carro e cumprimento meu pai enquanto coloco o cinto de segurança. O caminho até a zona rural — mais afastada do centro — foi em silêncio, cada um perdido em seus pensamentos.
Em certo momento, ao olhar para o rosto do meu pai, percebo que ele está lembrando de algo que quase aconteceu com Dassa, por causa da profissão dele: ser um homem íntegro no meio da corrupção jurídica.

— Pai, assim como da última vez deu certo, agora também vai dar. O Senhor está protegendo ela. — digo, lembrando-o de quem servimos.

Nos aproximamos do local onde a polícia já estava. Era uma área isolada, próxima à divisa com outra cidade. Os policiais estavam em confronto com os bandidos. Meu pai e eu permanecemos no carro, com a ansiedade a mil. Não sabíamos onde Laura estava — só podíamos orar para que nenhuma bala a atingisse.

Poucos minutos depois, vimos os policiais trazendo dois homens algemados: Alexandre e outro desconhecido, o mesmo que eu já havia notado rondando Laura algum tempo atrás.
Apesar de estar sendo preso, Alexandre exibia um pequeno sorriso — como se dissesse que isso não daria em nada. Seus olhos frios mostravam que nada o abalava.

Mas, dessa vez, ele não vai escapar.
Esse desgraçado vai ser preso — e por muito tempo.











Parece que esse capítulo foi cheio de emoções, vocês também ficaram com os corações ansiosos com oque estava acontecendo? O próximo capítulo também promete fortes emoções.

Meu Segundo Amor Histórias para pegar e não largar. Descubra agora