33 - Capítulos ( Revisado)

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                           Ester

Não sei quanto tempo dormi, mas sei que desmaiei. Ainda que eu estivesse acordada, me sentia tão fraca que não consegui abrir os olhos. E levou alguns minutos — ou horas — até que eu conseguisse voltar de verdade.

Sinto a mão de Elias na minha e sua tensão; parece que algo ruim aconteceu. Quero apertá-la para confortá-lo. Exigiu esforço, mas consegui. Então abro os olhos e primeiro vejo o teto do quarto em que estou, branco como uma página de papel limpa.

— Finalmente você acordou — ele disse, com a voz trêmula por causa da emoção.

— O que aconteceu? — questiono em um sussurro rouco, o que o faz ir até a mesa que há no quarto e pegar a jarra de água que está lá. Ele despeja a água em um copo enquanto parece estar pensando.

— Você desmaiou — disse, caminhando até a cama e me ajudando a beber a água.

— Não lembro de muita coisa — confesso, irritada, sentindo minha cabeça pesar.

Antes que Elias dissesse mais alguma coisa, o médico entrou no quarto com alguns papéis na mão.

— Que bom que a paciente acordou — cumprimentou, aproximando-se da cama.

Alguns minutos de silêncio ecoaram no quarto. Elias estava nervoso, e confesso que eu também. O médico ajeitou os óculos pretos e suspirou em seguida.

— O que foi, doutor? Algo está errado? — Elias questionou, preocupado.

— Primeiro, gostaria de parabenizar vocês. Serão papais, e esse foi o motivo do desmaio — disse o médico, com um pequeno sorriso.

— O quê… — comento, sem reação.

O que eu deveria pensar? Que não era hora para eu ficar grávida? Afinal, eu e Elias estamos casados há apenas alguns meses. Mas a alegria também vem com intensidade ao perceber que estou gerando uma vida.

Nunca mais serei a mesma de antes, e isso, ao mesmo tempo, é maravilhoso e assustador. Penso enquanto coloco minha mão direita sobre a barriga.

— Seremos papais — Elias diz, com a voz baixa, enquanto se senta na cadeira, segura minha mão esquerda e deposita um beijo casto nela.

— Sim — digo, emocionada, sentindo as lágrimas descerem.

— Fico feliz em ver que foi uma surpresa boa para vocês, mas também preciso fazer alguns alertas — o doutor diz, agora com seriedade. — As primeiras semanas de gravidez já exigem cuidado, porém, no seu caso, mais ainda. A queda que você sofreu causou um pequeno descolamento, o que exige repouso e atenção redobrada.

Meu coração aperta.

— Isso significa que o bebê corre perigo? — Elias pergunta, tenso.

— No momento, não — responde com calma. — Mas será considerada uma gestação de risco até que tudo esteja estabilizado. Evitar esforço, estresse e seguir corretamente as orientações será essencial. A partir de agora, o acompanhamento deve ser feito com a doutora Marinho, a obstetra que trabalha aqui.

— Muito obrigado, doutor — Elias agradece, com um pequeno sorriso e os olhos brilhando.

— De nada, esse é o meu trabalho. Agora preciso ir — disse, despedindo-se e saindo do quarto em seguida.

— Eu estou grávida — digo em voz alta, sentindo a euforia me preencher.

— Obrigada, Ester. Você me deu o melhor presente de todos — Elias disse, me abraçando com cuidado.

— Deus nos deu, Elias — respondo, sorrindo.

— Vamos tomar todas as medidas para que nosso bebê venha saudável — disse, colocando a mão sobre minha barriga.

— Sim — concordo.

Depois de mais alguns momentos aproveitando nosso instante, Elias parece lembrar de algo. Ele fica tenso e me olha preocupado.

— Promete para mim que vai ouvir o que o doutor disse e ficar quieta? — questiona, receoso.

— Você está me deixando preocupada — respondo, franzindo o cenho, o que o faz suspirar.

— A Laura está desaparecida — disse sério, segurando minhas mãos.

— Não pode ser… — murmuro, em um sussurro, atordoada com a notícia.

Meu coração dispara, minha boca seca. Sinto um mal-estar e fecho os olhos.

— Você tem certeza disso? — questiono, incrédula.

— Sim, infelizmente tenho. Rodrigo me deu a notícia não faz muito tempo — comentou, deitando-se ao meu lado na cama e me puxando com cuidado para cima de seu peito, onde encosto minha cabeça.

— Elias, só pode ser o Alessandro. Eu sabia que ele nunca deixaria minha amiga em paz — digo, sentindo as lágrimas escorrerem.

Por favor, Jesus, cuide da Laura. Proteja minha amiga e não deixe que ele consiga fazer o que tanto queria no passado.

— Vai ficar tudo bem, querida — Elias disse confiante, beijando meus cabelos. — Kayo e a família dele já acionaram a polícia, assim como os amigos de Laura. Logo a encontraremos, e você precisa estar bem para contar a novidade.

— Verdade — digo, com a voz embargada. — A Laura vai ficar tão feliz ao saber que será titia. Tenho certeza de que vai mimar muito nosso bebê.

Depois de um tempo, sinto meus olhos pesarem e acabo dormindo. O peito de Elias sob a camisa ressoava em meus ouvidos, e seu cheiro amadeirado me traz o aconchego de que preciso.

[...]

Não sinto nenhuma vontade de acordar, mas a luz começa a entrar no quarto e Elias não cansa de me chamar. Eu só queria ficar quietinha mais um pouco e esquecer que, de certa forma, meu mundo virou de cabeça para baixo.

— Querida, acorde. Você precisa tomar café da manhã. Já comprei seus remédios e você já recebeu alta — Elias explica, colocando algo sobre a mesinha ao lado da cama.

— Tudo bem — digo, suspirando e abrindo os olhos.

— Conversei com o doutor, e ele reforçou que sua gravidez é de risco. Então, meu amor, nada de teimosia — alerta, com os olhos preocupados sobre mim.

— Sim, vamos ficar bem — respondo, colocando a mão direita sobre a barriga.

— Ester, a Laura foi encontrada ontem à noite. Ela está no hospital com o namorado e a família — disse, aliviado.

— Amor, eu preciso ver minha amiga — suplico, dando mais uma mordida no pão com queijo e presunto.

Está delicioso, mas logo sinto uma ânsia surgir, destruindo meu apetite. Me forço a engolir, mas não demora muito até eu correr para o banheiro, colocando no vaso tudo o que comi, enquanto Elias segura meus cabelos.

— Essa parte não é boa — murmuro, fraca e chateada.

Elias não disse nada; apenas me pegou no colo e me colocou de volta na cama. Depois foi ajeitar a bolsa que trouxe com algumas coisas.

— Quer tomar banho agora ou em casa? — pergunta, jogando fora o copo descartável do café e o saco do pão.

— Quero ir logo para casa — respondo, colocando água no copo de vidro e bebendo em seguida.

— Tudo bem, então vamos. Mas veremos a Laura mais tarde. Agora você precisa descansar — disse, colocando a bolsa no ombro.

Concordo com um aceno de cabeça. Elias faz questão de me apoiar até o carro. Seguimos para casa, e tudo o que eu quero é minha cama e ficar abraçada com meu marido.















Espero que tenham gostado da surpresa que acho que não foi tão surpresa assim, kkkkk. Realmente parece que vai ter uma estrela nascendo esses tempos. Espero que tenham gostado, ainda não desistir de fazer uma maratona de capítulos. 🤍😊

Meu Segundo Amor Histórias para pegar e não largar. Descubra agora