Kayo
Os policiais tentaram nos fazer desistir da ideia de adentrarmos a mata para procurar Laura, mas isso nunca seria uma opção. Eu não poderia ficar parado esperando notícias e, assim como eu, meu pai também não. Então cada um de nós entrou na mata acompanhado por um policial — assim evitávamos o risco de sermos feitos reféns por algum cúmplice do Alexandre.
A cada passo meu coração ansioso acelerava. O medo de encontrá-la machucada e em estado grave me fazia andar mais rápido, procurando-a com desespero.
Só queria envolvê-la em meus braços e impedir que a maldade dos outros a tocasse. Laura já havia sofrido tanto — por que ela ainda tinha que passar por isso? Mesmo assim, confiava que Deus a havia cuidado durante todo esse tempo e que nada de grave lhe acontecera.
— Laura, Laura... — gritei, fazendo minha voz sobressair entre os sons dos animais noturnos.
Continuei chamando enquanto caminhava, repetindo o mesmo procedimento que os outros. Até que a lanterna de Rafael iluminou uma árvore e, por entre as moitas, avistamos uma pessoa escondida.
Aproximamo-nos com cautela; quando percebi que era Laura, corri em sua direção, agachei e a peguei nos braços.
— Conseguimos achar a vítima — disse o policial Rafael, sério, no rádio, comunicando os companheiros.
— Laura, fala comigo. — Pedi, preocupado, segurando seu rosto. — Amor, por favor, não me assuste. — Abracei-a com força.
— Se você continuar desse jeito, eu realmente não vou mais conseguir respirar. — Ela respondeu com a voz fraca, tossindo em seguida.
— Você está sentindo dor em algum lugar? Eles te machucaram? — perguntei, enquanto ela se acomodava no meu peito, buscando proteção.
— Estou bem, apenas torci o pé, por isso não consegui ir mais longe. — Ela falou sonolenta. — Eu sabia que vocês iam me achar. Agora vou dormir um pouco...
— Vamos embora agora? Tem uma ambulância esperando por ela. — Rafael comentou, olhando atento para os lados, como se procurasse perigo à espreita.
— Certo. — Respondi, levantando-a com cuidado para não machucá-la.
Quando chegamos perto do galpão onde a ambulância aguardava, meu pai veio apressado em nossa direção, visivelmente receoso de que algo tivesse acontecido.
— Está tudo bem? — perguntou, preocupado.
— Sim, ela disse que apenas torceu o pé. — Respondi, colocando-a com cuidado na maca.
— Graças a Deus — comentou o Senhor Mateus, aliviado.
Entrei na ambulância com a equipe de paramédicos enquanto meu pai teve que passar na delegacia para resolver algumas providências relacionadas ao ocorrido.
[......]
Ouço uma exclamação de dor e acordo. Vejo Laura tentando se levantar na cama; sua expressão de cansaço e dor apertou meu coração, mas ver-la bem trouxe um alívio profundo.
— Sinto muito por ter acordado você. — Ela disse com a voz rouca e baixa.
— Está tudo bem. — Levantei-me da poltrona, sentindo a coluna doer. — Deixa que eu te ajudo. — Peguei suas mãos e a guiei até o banheiro.
Esperei por perto, pronto para ajudar caso fosse preciso.
— Obrigada. — Ela sussurrou, envergonhada, ao sair do banheiro.
Sem dizer nada, abracei-a e depositei um beijo em sua testa. Ela envolveu minha cintura com os braços e começou a chorar baixinho.
Alguns minutos depois a peguei no colo e a coloquei na cama. Suas mãos trêmulas seguraram as minhas, como se eu fosse o seu refúgio — e, de fato, eu era. Seus olhos mostravam, de forma intensa, a dor e a tristeza que havia passado, mas também o alívio de não estar mais naquele lugar.
— Já passou, amor. Vai ficar tudo bem agora. — Disse, suave, com receio de machucá-la ainda mais.
— Não me solta, por favor. Não me deixa sozinha. — Pediu ela, a voz embargada pelo choro.
— Não vou. Nunca mais você vai passar por isso. — Prometi, sério, acariciando suas mãos com os polegares. — Vou buscar a poltrona para ficar aqui perto, está bem? — Ela assentiu com um certo receio.
Peguei a poltrona e a coloquei ao lado da cama; estendi a mão direita e ela entrelaçou nossos dedos.
— O que aconteceu depois que eu apaguei? — perguntou, com a voz fraca, segurando a garganta com a outra mão. Parecia estar com dor de garganta; pensei em avisar a enfermeira depois.
— Te trouxemos para o hospital. Meu pai foi à delegacia resolver algumas coisas. Nossa família já sabe que você chegou bem; apesar de quererem vir agora, entendem que você precisa descansar. Eles vão vir amanhã de manhã, com Ester e Elias. — Respondi, vendo-a emocionar-se ao saber o quanto era amada por todos.
Eu só queria ver a cara de felicidade dela quando soubesse da ótima notícia que sua melhor amiga tem para contar.
— Você está escondendo algo de mim, não é? — Laura perguntou, me fazendo desviar o olhar.
— Amor, não é nada demais. — Respondi, nervoso — nunca sei disfarçar bem. Seus olhos curiosos me fixaram. — Amanhã você vai saber, está bem? — Acrescentei, ela soltou um suspiro ao se mexer na cama e assentiu.
— E o que vai acontecer com o Alexandre? — perguntou, tensa, olhando para a parede branca atrás de mim.
— Ele não vai sair da cadeia por um bom tempo, por mais influente que seja. Meu pai tem contatos que, por um bem maior, pode acionar. — Respondi com firmeza, ainda sentindo dentro de mim a vontade de bater naquele desgraçado que saiu com um sorriso de zombaria no rosto. — Ele vai pagar por todos os seus crimes. Estamos desenterrando tudo o que ele fez de mal; não há nada oculto que não venha a ser revelado.
Laura ficou pensativa por um instante, relembrando o que aconteceu.
— Sabe, antes ele não parecia ser assim. — Disse, com tristeza nos olhos. — Depois que eu o ajudei com um trabalho na biblioteca, foi quando tudo começou. Quando eu o olho, vejo alguém quebrado por outras pessoas, um vazio que foi preenchido do jeito errado. Espero que ele pague por seus erros, mas também que conheça Jesus e mude de vida. Somos moldados desde crianças pelo que vivenciamos e pelas pessoas que nos cercam. — Ela bocejou e fechou os olhos, ainda segurando minha mão.
Concordei com suas palavras, mas no fundo queria que ele realmente pagasse por tudo e não ficasse solto por aí — eu não sabia o que faria se isso acontecesse.
Demorou, mas postei e acho que o capítulo ficou bom. E vocês gostaram de ver essa demostração de carinho dos dois? Até mais.🧡
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Meu Segundo Amor
RomanceLaura Campos é uma jovem guerreira e de personalidade forte, que não suporta injustiça e está sempre disposta a ajudar a todos. Desde pequena foi ensinada por sua mãe a depositar sua confiança e esperança no Senhor... Mas, o que acontecerá quando aq...
