25 - Capitulos ( Revisado)

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                           Kayo

Passo com o carro pelo grande portão metálico e cumprimento o porteiro. Estaciono na garagem, pego a mochila de cor militar no banco do passageiro e saio, acionando o alarme. O quartel de bombeiros à frente carrega um grande legado. Desde sua fundação, salvou inúmeras vidas — e, ao lembrar disso, sinto o orgulho encher meu coração. Amo a profissão que tenho e agradeço ao Senhor por ter me ajudado até aqui. Porque eu sei: em todas as vezes que estive resgatando pessoas em meio ao fogo, Ele esteve presente. Nos dias de honra e de luta, nunca me abandonou. E agora, me deu o maior presente que eu poderia ter: sua filha — penso, com um sorriso de canto.

— Vai ficar parado aí por quanto tempo? — Ryan pergunta, se aproximando depois de descer da sua moto preta, uma Honda CB 500X. — Está com uma cara estranha.

— Quem é vivo sempre aparece — digo, cumprimentando-o com um abraço.

Ryan é um dos bombeiros mais próximos a mim, sempre tentando levar a vida com leveza e positividade. Apesar de parecer um cara que só quer curtir, ele é muito responsável.

Infelizmente, seus pais moram em outro estado. Sua mãe passou mal e ele precisou passar alguns meses lá, cuidando dela.

— Como sua mãe está? — pergunto, preocupado, mas me alivio ao notar que seu semblante está mais tranquilo que da última vez que conversamos.

— Está bem, só precisa ter muito cuidado com a alimentação. O problema é que dona Alexa é teimosa — ele diz, chateado, passando as mãos no rosto.

— Vai ficar tudo bem, Ryan. Seu pai está lá e não vai deixar que ela fuja da dieta — digo com confiança, apertando seu ombro em apoio.

— Eu sei... — ele suspira, olhando para o céu por alguns instantes. — Só queria que eles viessem morar aqui, pra eu poder cuidar deles de perto.

Penso por um momento e percebo que nem sempre as coisas acontecem como queremos, porque cada pessoa tem o direito de viver a vida do seu jeito. E, inevitavelmente, arcar com as consequências — sejam boas ou ruins.

— Essa é uma decisão que cabe a eles. Você já fez a proposta, agora é a vez deles decidirem se querem ou não — respondo enquanto caminhamos em direção à entrada do corpo de bombeiros, uma fachada vermelha com detalhes em branco e amarelo. Lá dentro estavam os veículos que usamos.

— Falando nisso... — ele diz, com uma expressão animada. — Como estão as coisas com a Laura? — pergunta, arqueando a sobrancelha esquerda.

Abro um largo sorriso, sem dizer nada. Ele me encara por dois segundos e, em seguida, começa a comemorar aos gritos, chamando atenção dos colegas que estavam lavando os caminhões.

— Ei, dá pra parar? Temos que manter a postura. Afinal, eu sou o capitão e você é o segundo-tenente — digo sério, mas ele percebe pelo tom que não estou repreendendo de verdade.

— Tudo bem, capitão — Ryan responde, fazendo continência. — Seu pedido é uma ordem. Mas só me diz uma coisa antes da gente encerrar esse assunto — ele pede, me fazendo suspirar. Aceno com a cabeça, concordando. — Laura agora é sua namorada? — pergunta, parando de andar.

— Sim, ela é — respondo. Ele abre um sorriso largo e assobia.

— Não sei pra quê toda essa comemoração, afinal fui eu quem começou a namorar, não você — comento, franzindo as sobrancelhas.

— É que agora finalmente vou poder descansar. Ou você esqueceu de quantas vezes me perturbou com suas histórias de encontros com ela? Sem falar nas vezes em que me procurou à noite, pedindo conselhos — Ryan diz, cruzando os braços e me encarando com seriedade. Em seguida, começa a gargalhar.

Quem ri por último, ri melhor — penso, seguindo para meu escritório.

Entro, tranco a porta, pego o uniforme no armário e coloco minha mochila no lugar. Troco de roupa e calço os sapatos que geralmente deixo no canto da parede. Sento na cadeira, ligo o computador e começo o trabalho burocrático, preenchendo o relatório detalhado dos equipamentos e das avaliações de treinamento da equipe.

                           [...]

O cheiro de comida faz minha barriga protestar ainda mais. Ao me aproximar do refeitório, percebo que a maioria já está comendo. Cumprimento os colegas e sigo até a cantina, onde monto meu prato com capricho: arroz, feijão, macarrão, salada e carne assada de panela.

— Ei, vocês ouviram falar? — Ryan pergunta.

— Não. O que é? — José responde, curioso, acompanhado de negativas dos outros.

Não acredito que ele vai fazer isso — penso, me sentando à mesa de frente para ele. O encaro com um olhar de aviso, mas não adianta.

— O capitão está oficialmente namorando! — ele anuncia, fazendo todos começarem a me parabenizar animados.

— Acho que a Laura vai se dar muito bem com você — murmuro, lembrando que ela não é tímida; na verdade, é bem descarada. Ryan também é assim.

— O que você disse? — ele pergunta, com a boca cheia.

— Nada, não — respondo. Nesse momento, meu celular começa a tocar e aparece a foto de perfil da Laura. Ryan sorri.

— Oi? — atendo.

— Oi... já está almoçando? — ela pergunta, com um tom tímido. Sorrio com a reação.

— Estou agora. E você?

— Ainda não comi. Vou precisar ficar até tarde na empresa, ajustando a campanha de marketing — ela responde, e ouço sons abafados ao fundo.

— Já saiu da empresa?

— Sim. Estou no carro com o casal que deveria ser Romeu e Julieta, não a gente — ela comenta, me fazendo gelar. Por sorte, ninguém ouviu.

Pedro começa a dar uma bronca no Ryan por suas brincadeiras. Por ser o mais velho da equipe, ele é como um irmão mais velho para todos nós.

— Toma cuidado e não se afaste deles — peço, preocupado. Alexander ainda não foi preso, e enquanto isso não acontecer, não vou sossegar. Ele pode fazer algo contra ela a qualquer momento.

— Tudo bem. Vamos a um restaurante mexicano — ela diz, animada.

— Ligou só pra me deixar com inveja, né? — brinco.

— Eu sou tão óbvia assim? — ela pergunta, rindo.

— Sim — respondo, sorrindo. — Mas, enfim. Me manda mensagem quando sair do trabalho, que eu vou te buscar.

— Eu não quero te atrapalhar — ela diz, insegura.

— Claro que não atrapalha em nada. Me deixa cumprir meu papel de namorado, que eu lutei tanto pra conquistar — provoco.

— Tá bom. Só não reclama depois que eu estiver mal acostumada — diz, feliz.

— Não vou, prometo. Agora preciso ir, meu horário de almoço está acabando.

— Certo, até mais tarde.

— Até mais — me despeço, encerrando a chamada.

Quando olho para a mesa, vejo todos me encarando, e fico confuso com a situação.

— É isso mesmo, capitão. Joga na nossa cara que tem namorada, enquanto a gente continua solteiro — Adriano brinca, fazendo todos rirem.

— Não queria dizer nada... Vocês que tocaram no assunto — respondo, rindo.

Diego então comenta, com um sorriso discreto, que sua melhor amiga de infância agora é sua noiva — algo que aconteceu recentemente. Começamos a reagir à notícia, mas antes que a conversa avance, o alarme soa por todo o quartel. Corremos até a sala de equipamentos, colocamos os trajes e subimos no caminhão estacionado no hangar.

Durante todo o trajeto, oro em silêncio, pedindo ao Senhor que tudo corra bem, que guarde cada um dos meus companheiros e nos ajude a lidar com qualquer situação difícil que surja.












Demorou um pouco, mais finalmente consegui lançar esse capítulo. Espero que gostem, deu pra ver que esse namoro dos dois promete.🤭

Meu Segundo Amor Histórias para pegar e não largar. Descubra agora