3 - Capítulos ( Revisado)

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                           Laura

— Sim, obrigada. — Digo enquanto abro a porta do apartamento. Ouço seus passos se afastando cada vez mais e, de alguma forma, eu não queria que ele fosse embora.

— Espera! Você pode ficar um pouco, se quiser. — Convido sem pensar, me arrependendo em seguida.

Espero que Kayo não pense que sou atirada ou algo do tipo. Só não queria que ele fosse ainda. De alguma forma, me sinto segura em sua companhia e sei que, se ficasse sozinha, pensaria em algo que me deixaria triste. E eu não desejo isso.

— Tudo bem, faz um bom tempo que a gente não conversa. — Ele disse concordando, me fazendo soltar um suspiro de alívio.

— Verdade. Penso que a última vez que nos falamos foi no casamento da Ester, e já se passou um mês. — Comento, passando pela porta e indo direto para a cozinha, sendo seguida por ele.

— Você lembra o que aconteceu? — Kayo pergunta com um largo sorriso.

Não acredito que ele vai me fazer lembrar daquilo. Já faz um tempo, e ele deveria ter esquecido.

— Não sei do que você está falando. — Digo me fazendo de desentendida, enquanto abro a geladeira e pego a jarra de água.

— Tudo bem, eu posso te relembrar. — Ele disse com um sorriso de canto, me deixando nervosa.

— Você quer água? — Pergunto, desviando do assunto enquanto coloco o líquido no copo de vidro.

— Vou aceitar. Essa tarde está fazendo muito calor. — Kayo comenta, pegando o copo e bebendo a água de uma vez só.

— Quer mais? — Ofereço, dando um sorriso discreto.

— Não precisa, obrigado. — Ele agradece, colocando o copo em cima da mesa. — Nem pense que esqueci. — Comenta, dando um sorriso de canto.

Sinto meu coração disparar, minhas bochechas ficam quentes e desvio o olhar do seu rosto para a parede.

— Por que a vergonha? Afinal, é normal errar alguns passos de dança alguma vez na vida. — Ele disse, dando um sorriso largo e achando graça.

— Parece que você gosta de me ver envergonhada. Enfim, vamos para a sala. Vou escolher algum filme para assistirmos. — Digo, saindo da cozinha, sendo seguida por ele.

— E por que você fica com as bochechas vermelhas? Isso é fofo. — Kayo comenta, dando um sorriso de canto. — Qual vai ser o filme? — Pergunta, mudando de assunto. Parece que percebeu o que acabou de dizer.

— Não sei. Você tem alguma indicação? — Pergunto, pegando o controle da TV e ligando a mesma.

— Podemos ver o filme “O Caso de Cristo”? — Ele sugeriu, enquanto se senta no sofá.

— Ok, também gosto desse. — Concordo, me sentando o mais longe possível dele. Ainda que eu negue para mim mesma, sua presença de alguma forma me deixa nervosa e com um frio na barriga.

Coloco no YouTube, digito o nome e aperto o play, iniciando o filme.

— Vou fazer pipoca para comermos enquanto assistimos. — Digo, me lembrando que tinha um pequeno saco de pipoca guardado.

— Ok. Então penso que seria melhor dar uma pausa, assim você não perde nenhuma parte do filme. — Kayo comenta, pegando o controle e pausando a TV.

— Certo. — Digo, com um pequeno sorriso.

Caminho em direção à cozinha, pego o pacote e despejo os milhos dentro de uma vasilha azul média. Coloco a mesma dentro do micro-ondas e espero os quatro minutos até que fiquem prontos.

— Desculpa, Laura. Eu queria muito ficar, só que o trabalho me chama. — Kayo diz ao entrar na cozinha.

— Tudo bem, entendo. — Digo com um leve sorriso. — Deixa pelo menos eu te acompanhar até a porta.

— Ok. — Ele concorda, cruzando os braços.

— Você quer um pouco? — Ofereço a pipoca que acabei de tirar do micro-ondas.

— Quero. — Ele aceita, pegando um pouco e colocando na boca.

Levo o mesmo até a porta em silêncio, pensando em que momento foi que comecei a me sentir mais à vontade perto dele.

Desde aquilo que aconteceu comigo, quando eu ainda estava na faculdade, não conseguia mais ficar tão perto de homens. Só que, de alguma forma, Kayo entrou pouco a pouco na minha vida e quebrou essa barreira que eu tinha construído para minha própria proteção.

— Tchau, Kayo. Até amanhã! — Me despeço enquanto abro a porta da sala.

— Tchau, Laura. Até mais! — Ele disse, me abraçando de lado. Fico surpresa, mas depois de alguns segundos, retribuo o abraço. — Você vai querer que eu te busque amanhã? — Pergunta.

— Não precisa, obrigada. — Agradeço com um sorriso largo.

— Qualquer coisa, é só me chamar. — Ele disse, dando uma piscadinha e um sorriso de canto que faz meu coração disparar, saindo do apartamento em seguida.

O que acabou de acontecer? É impressão minha ou Kayo acabou de dar indícios de que está gostando de mim? Não, isso deve ser coisa da minha cabeça.











                         Kayo

Me despeço de Laura e entro no elevador junto com uma jovem que deveria ter uns dezoito a dezenove anos. Ela é loira, magra e baixa. Seu short jeans é muito curto e seu top também, por isso resolvo evitar olhar.

— Boa tarde. — Ela disse, dando um sorriso largo e mexendo nos cabelos.

— Boa tarde. — Digo sério, enquanto cruzo os braços.

— Você mora aqui? — Ela perguntou curiosa.

— Não, estava visitando uma amiga. — Explico, saindo do elevador em seguida.

— Entendo. Espero que a gente se veja de novo por aí. — Ela disse em alto tom de voz.

— Espero que não. — Digo em tom de voz baixo.

Pressiono o botão de alarme, desligando o mesmo, e entro no carro. Dou a partida e tento chegar o mais rápido possível ao quartel da Segunda Infantaria dos Bombeiros.

Chego ao local vinte minutos depois, estaciono o carro e saio do mesmo em seguida. Passo pelo corredor, cumprimento alguns colegas, subo as escadas e bato na primeira porta — o escritório do meu chefe. Ouço o mesmo dizer que posso entrar.

— Com licença. — Peço, entrando no escritório e vendo o senhor Lobos pensativo, sentado em uma poltrona.

— Pode se sentar. — Ele disse sério, enquanto abria a garrafa de café e colocava um pouco desse líquido precioso em uma xícara.

— O que o senhor queria falar comigo? — Pergunto, me sentando no sofá menor.

— Vou ser direto. A rede de televisão Record pediu que um bombeiro fizesse uma participação no jornal Hoje em Dia, dando dicas de prevenção aos telespectadores. — Ele explicou, bebericando um pouco do café em seguida.

— E por que me chamou? Nem vem. O senhor sabe muito bem que eu não gosto de aparecer na mídia. — Respondi, sério.

— Sinto muito, mas você é nossa única opção no momento. — Ele disse, calmo.

— Como assim? O Ryan pode fazer isso. — Comento, cruzando os braços.

— Ele não pode. Pelo que soube, nesse dia ele vai aproveitar a folga para visitar os pais que moram em outro estado. — Ele disse, me estendendo um papel com a mão esquerda.

— O que é isso? — Pergunto sem entender, enquanto pego o papel.

— É o horário, o assunto e as perguntas que vão ser feitas. — Ele explicou, sério.

— Tudo bem. Posso fazer isso. — Respondo, me rendendo.

Não tem como eu negar. Afinal, esse é o meu trabalho. Por mais que eu não goste de aparecer na televisão, devo participar desse programa para conscientizar as pessoas.

Meu Segundo Amor Histórias para pegar e não largar. Descubra agora