Capítulo 3: Atração Proibida

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O sol já começava a se pôr quando Isabela finalmente saiu da última palestra do dia. A luz laranja e dourada refletia nas janelas do resort, criando um brilho suave que contrastava com a tensão que se acumulava em seus ombros. O dia inteiro tinha sido um esforço constante para manter a mente focada no trabalho, mas a presença de Rafael continuava a assombrá-la, surgindo em seus pensamentos nos momentos mais inesperados.

Depois daquele breve encontro no corredor, ela conseguira evitar cruzar o caminho dele durante a maior parte do dia. Porém, isso não significava que ele não estivesse lá, sempre à espreita, sempre em algum canto do salão, rodeado por outras pessoas, mas ainda assim, de alguma forma, completamente consciente dela.

Isabela não era uma mulher facilmente impressionável. Anos de trabalho em uma indústria dominada por homens a haviam ensinado a ser forte, focada e a não se deixar intimidar ou distrair por qualquer um. Mas havia algo em Rafael, algo que ia além de sua aparência ou do cargo que ocupava. Era a maneira como ele a olhava, como se já soubesse o que ela estava pensando, como se tivesse todas as respostas para as perguntas que ela nem tinha feito.

E isso a incomodava profundamente.

Enquanto caminhava pelo lobby do resort, Isabela fez uma pausa, observando a área do bar onde vários participantes já começavam a se reunir. Clara havia mandado uma mensagem mais cedo, dizendo que estariam lá, mas Isabela hesitava em se juntar a eles. Sentia que precisava de um tempo sozinha, longe de todas aquelas conversas de negócios, longe de Rafael e de sua presença perturbadora.

Mas então, ela o viu.

Rafael estava parado ao lado do bar, conversando com dois outros executivos, o sorriso fácil e a postura relaxada. Era como se ele pertencesse naturalmente àquele ambiente, como se todo o mundo ao seu redor gravitasse em torno de sua presença. E, de repente, Isabela percebeu que não poderia evitar aquele encontro por muito mais tempo. Fugir não fazia parte de sua natureza, e a ideia de deixar que ele a afetasse de tal forma a incomodava mais do que ela queria admitir.

Respirando fundo, ela se dirigiu até o bar, determinada a não permitir que o controle que Rafael parecia exercer sobre ela continuasse. No entanto, quanto mais ela se aproximava, mais a tensão em seu corpo aumentava.

Ela pediu uma taça de vinho e tentou parecer relaxada enquanto se encostava no balcão, observando discretamente o ambiente. Por um breve momento, parecia que Rafael estava distraído, envolvido em sua conversa, mas então, como se tivesse sentido sua presença, ele levantou os olhos e a viu.

O sorriso que se formou nos lábios dele foi lento, quase predatório. Ele fez um gesto sutil de despedida para os homens com quem estava conversando e se dirigiu a ela, caminhando com aquela confiança calma e absoluta que parecia fazer cada pessoa ao redor se afastar instintivamente.

"Isabela," ele disse com a voz suave, mas intensa, parando ao lado dela no bar. "Você conseguiu escapar do caos por um momento?"

Ela manteve o olhar firme, se recusando a ceder àquele magnetismo. "Um momento de paz é necessário depois de um dia como o de hoje."

Rafael assentiu, seus olhos percorrendo o rosto dela com uma intensidade que a fez estremecer internamente. "Concordo. Às vezes, esses eventos são exaustivos. Muito barulho, muitas vozes, e pouco tempo para o que realmente importa."

Isabela levantou uma sobrancelha. "E o que realmente importa, Rafael?"

Ele sorriu, mas dessa vez havia algo mais sombrio por trás do sorriso. "Conexões genuínas. Algo que vai além de simples conversas sobre negócios."

Ela podia sentir a tensão crescer entre eles, como uma corda prestes a se romper. Era um jogo perigoso, e ambos sabiam disso. Estavam em lados opostos de uma guerra corporativa silenciosa, e qualquer envolvimento pessoal entre eles poderia ser um desastre em muitos níveis. No entanto, havia uma parte dela que estava curiosa, intrigada por essa faísca que surgia entre eles de maneira incontrolável.

"Você parece saber muito sobre conexões, Rafael," ela disse, mantendo o tom profissional, mas com uma ponta de provocação. "Acho que se envolve com muitas delas."

Ele riu, uma risada baixa que reverberou em seu peito. "Sei o suficiente para reconhecer quando uma conexão é diferente."

Diferente. A palavra ecoou na mente de Isabela, despertando algo que ela não queria admitir. O que havia de tão diferente em Rafael? Ela já tinha lidado com homens poderosos antes, homens que tentavam impressioná-la ou controlá-la. Mas Rafael não fazia isso. Ele simplesmente... existia. Sua confiança não era forçada, e isso a desarmava de uma maneira que ela não estava preparada para lidar.

"Eu imagino que você diga isso para muitas mulheres," ela respondeu, tentando manter o tom leve.

Rafael inclinou a cabeça ligeiramente, como se estivesse avaliando suas palavras. "Eu poderia dizer muitas coisas para muitas pessoas, Isabela. Mas não estou interessado nelas. Não esta noite."

Havia algo na maneira como ele falava que fazia parecer que todo o ambiente ao redor deles desaparecia. Não havia mais barulho de conversas, o som dos copos tilintando, ou as risadas vindas de outros grupos. Era apenas ele, parado diante dela, com seus olhos escuros fixos nos dela, e o silêncio pesado que preenchia o espaço entre eles.

Isabela sentiu um arrepio subir por sua coluna. Sabia que aquilo era perigoso. Sabia que se continuasse a se aproximar, cairia em uma armadilha da qual poderia não sair ilesa. Mas, por mais que sua mente tentasse resistir, seu corpo a traía, respondendo à proximidade de Rafael de uma maneira que ela não conseguia controlar.

"Você não deveria me olhar assim," ela disse, sem pensar, as palavras escapando antes que pudesse segurá-las.

Rafael inclinou-se um pouco mais perto, o calor de sua presença quase tangível. "Como estou olhando para você, Isabela?"

Ela podia sentir sua respiração agora, a proximidade entre eles diminuindo perigosamente. O coração dela acelerou, e sua mente corria, buscando uma maneira de se desvencilhar daquela situação sem se deixar levar pela atração óbvia.

"Como se eu fosse apenas mais uma distração para você," ela respondeu, tentando manter a voz firme.

Rafael balançou a cabeça devagar, os olhos fixos nos dela. "Você não é uma distração, Isabela. Se fosse, já teria perdido o interesse."

Por um momento, o ar entre eles parecia denso, carregado de uma eletricidade que ameaçava explodir a qualquer segundo. Isabela sabia que deveria se afastar, que deveria recuar antes que a situação saísse de controle. Mas algo a mantinha ali, presa àquele momento, presa a Rafael e ao que ele representava.

"Isso não pode acontecer," ela disse finalmente, suas palavras um sussurro quase inaudível.

"Por que não?" Rafael respondeu no mesmo tom, sua voz rouca e baixa.

"Porque nós somos... inimigos. Nossas empresas estão competindo. Isso não pode dar certo."

Rafael deu um passo para trás, mas seu olhar nunca deixou o dela. "Inimigos?" ele repetiu, como se a palavra fosse algo divertido para ele. "Eu não a vejo como uma inimiga, Isabela. E, acredite, se eu a visse como uma ameaça real, isso só aumentaria meu interesse."

Ela sentiu seu rosto aquecer, e uma onda de frustração misturada com desejo a invadiu. Rafael não era apenas charmoso – ele era perigoso. Sabia exatamente o que dizer para deixá-la desequilibrada, e, de alguma forma, Isabela se via incapaz de resistir àquele jogo.

"Rafael," ela começou, tentando reunir as forças para afastá-lo de uma vez por todas, "não podemos fazer isso."

Ele a olhou por um longo momento, e então, como se compreendesse a verdade por trás de suas palavras, deu um passo para trás. "Você está certa," ele disse suavemente, mas com uma firmeza que a surpreendeu. "Não podemos."

Havia um alívio inesperado em suas palavras, mas também uma sensação de perda. E antes que Isabela pudesse responder, Rafael se afastou lentamente, como se soubesse que o jogo entre eles ainda não havia terminado. Apenas estava sendo adiado.

"Mas eu não sou um homem que desiste facilmente," ele acrescentou, com um último olhar cheio de significado. "Até logo, Isabela."

E com isso, ele se virou e desapareceu na multidão, deixando Isabela ali, sozinha, com o peso de suas próprias emoções e a sensação de que, apesar de tudo, aquilo estava longe de acabar.

Os Lençóis da TempestadeOnde histórias criam vida. Descubra agora