08. The art exhibition

386 21 8
                                        

You thought that it would wash away
The bitter taste of my fury
And all of the messes you made
Can't catch me now - Olivia Rodrigo

Bem, Nicholas realmente havia aparecido todas as noites da semana seguinte. Jantaram juntos, assistiram a filmes, jogaram jogos de tabuleiro. Houve algumas crises de choro e ansiedade, mas também houve muitos beijos. Beijos demorados, rápidos, alguns carinhosos e outros apenas urgentes. Helena nunca havia se sentido tão próxima de alguém — homens, no caso — como se sentia com ele. Era reconfortante e perturbador ao mesmo tempo, ter alguém que estava disposto a perder algumas horas do seu dia apenas para garantir que ela não surtasse.

Agora, o dia da exposição finalmente havia chegado. Ao mesmo tempo que Helena se sentia aliviada por estar a poucas horas de se livrar do evento, estava completamente aterrorizada. Não era apenas a arte, a preocupação com a reação do público ou o medo de que ninguém aparecesse — sabia que ao menos seus amigos compareceriam. O problema real era que, se tudo desse errado, ela provavelmente não conseguiria outra oportunidade como aquela tão cedo.

O sol da tarde iluminava a galeria com uma luz suave, atravessando as grandes janelas e projetando sombras delicadas no chão de mármore. Helena, parada diante de uma das telas que acabara de pendurar, respirou fundo. Foram tantas semanas de trabalho, noites sem dormir. Todas as suas emoções capturadas nas pinceladas estavam prestes a ser vistas por aquelas pessoas. Não sabia se estava pronta para deixar que vissem toda sua vulnerabilidade, suas imperfeições penduradas nas paredes daquele lugar. Mas agora era tarde demais para voltar atrás.

Ela se afastou lentamente do quadro, dando uma última olhada crítica. Seus olhos percorriam cada detalhe, buscando qualquer coisa que parecesse fora do lugar, qualquer falha que não pudesse ser corrigida naquele momento. Mas, para sua surpresa, sentiu uma onda de satisfação ao ver o quadro completo. Era o autorretrato que estava pintando na primeira vez que Nicholas a visitou no ateliê. Não era exatamente como se via no espelho, mas uma versão de si mesma que vivia presa dentro de sua cabeça. Em cada tom de azul, em cada sombra, estava uma parte quebrada de si. Toda a tristeza, os medos e inseguranças. Era uma versão quebrada e depressiva, mas ainda assim muito real.

Nicholas estava ao seu lado, observando em silêncio. Ele fizera questão de estar lá antes do começo da exposição, queria garantir que ela aguentasse as próximas horas com o máximo de leveza possível. Aproximou-se, os dedos roçando levemente o braço dela.

— Está incrível, Hel — disse ele, baixinho, como se a atmosfera da galeria exigisse uma certa reverência.

Helena sorriu, mas o nervosismo ainda dominava seus pensamentos. A galeria estava quase pronta, e o horário de abertura se aproximava. Seu coração parecia bater mais rápido a cada minuto que passava.

— Eu não sei... Será que vão entender? — Ela olhou para Nicholas, os olhos brilhando com uma mistura de ansiedade e vulnerabilidade.

Nicholas a puxou suavemente para perto, as mãos firmes em sua cintura, buscando seus olhos. Ele praticamente sentia a ansiedade emanando do corpo da garota.

— Eles não precisam entender tudo, Hel. A arte não é sobre isso? — disse ele, com aquele tom de voz calmo e firme que sempre a fazia respirar mais facilmente. — O importante é que você colocou tudo de si aqui. E tudo está incrível.

A ideia de tantas pessoas observando, julgando e interpretando suas vulnerabilidades, seus medos mais profundos, era quase demais para suportar. Nicholas, percebendo o quão tensa ela ainda estava, inclinou-se e a puxou para um abraço apertado. A familiaridade do cheiro dele a fez relaxar um pouco.

— Vem — disse ele, sorrindo. — Vamos beber um pouco de coragem líquida antes que as pessoas cheguem.

Ela riu, finalmente se sentindo um pouco mais à vontade. Deixar tudo de lado por alguns minutos parecia uma boa ideia. Caminharam até o canto da galeria, onde uma mesa com garrafas de vinho e copos havia sido cuidadosamente arrumada. Nicholas serviu duas taças, entregando uma para Helena. Eles se encostaram na parede branca da galeria, observando os quadros pendurados ao redor, como se fossem apenas dois visitantes prestes a apreciar a arte.

THE SHARPEST TOOL - NICHOLAS ALEXANDER CHAVEZ Onde histórias criam vida. Descubra agora