22. Without ever touching his skin

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What if he's written mine on my upper thigh only in my mind?
Guilty as sin? - Taylor Swift

Helena acordou devagar, seu corpo aconchegado aos lençóis. Ela não queria abrir os olhos, sabendo que uma ressaca pesada a esperava. Tinha sonhado com Nicholas, que ele a levara para casa, a carregando em seus braços escada acima e a colocara na cama. Ela o pediu para ficar e ele aceitou, deitando-se ao seu lado como se aquilo fosse o certo a se fazer.

Será que algum dia ele pararia de invadir até seus sonhos? Ela nem sabia se era aquilo que queria, afinal se não podia tê-lo de verdade, ao menos poderia sonhar com ele.

Obrigou seus olhos a abrirem, não lembrava de ter fechado as cortinas, mas o quarto estava na penumbra reconfortante. Quando virou-se para o lado conteve o grito que ameaçava irromper por sua garganta.

Nicholas realmente estava lá, deitado ao seu lado, dormindo profundamente. O coração de Helena disparou, e ela teve que cobrir a boca para evitar qualquer som. Por um momento, permaneceu imóvel, com medo de se mexer e acordá-lo. Ele parecia tão tranquilo, deitado ali, a respiração regular e o rosto relaxado. Ver Nicholas assim, tão próximo, a fez sentir uma mistura de pânico e uma estranha paz.

Ela observou cada detalhe: o jeito como o cabelo caía levemente sobre a testa, a forma como seus lábios estavam entreabertos, o peito subindo e descendo calmamente. Era um Nicholas que ela raramente via, desprotegido, sem a postura confiante de sempre. E, de certa forma, aquilo a desarmou completamente.

Lentamente, ela estendeu a mão, hesitante, os dedos parando a poucos centímetros de seu rosto. O impulso de tocá-lo era irresistível, mas logo Helena recuou, não era certo ceder tão facilmente quando ela tinha resistido por tanto tempo.

Foi então que Nicholas se mexeu, resmungando algo inaudível antes de abrir os olhos. Ele piscou algumas vezes, confuso, até que a viu ao seu lado. Surpresa passou rapidamente pelo seu rosto, seguida por um sorriso preguiçoso que fez o coração dela acelerar ainda mais.

— Bom dia. — ele murmurou, a voz rouca de sono.

Helena tentou esconder o nervosismo, mas sua voz saiu mais baixa e fraca do que gostaria.

— Você… realmente ficou. Pensei que fosse só um sonho.

Ele riu levemente, se apoiando no cotovelo para olhá-la melhor.

— Você me pediu para ficar, lembra? Eu não ia te deixar sozinha assim.

Ela desviou o olhar, sentindo as bochechas queimarem. Por mais que quisesse disfarçar, não podia negar que aquele pequeno gesto mexera com ela.

— Não queria que você se sentisse… preso, ou que se sentisse na obrigação, — ela murmurou, envergonhada.

Nicholas ergueu uma sobrancelha e se aproximou um pouco mais, o olhar sério e gentil ao mesmo tempo.

— Tudo que faço é porque eu quero, não porque sou obrigado.

Ele estendeu a mão, tocando levemente o rosto dela. Por um instante, nenhum dos dois falou; a intensidade daquele toque era o suficiente. Ela sentiu a respiração prender na garganta, tentando decifrar o que se passava por trás daquele olhar tão profundo e familiar.

— Eu não sei o que somos agora, — Helena confessou, num sussurro. — Mas sei que não queria que você fosse embora ontem à noite.

Nicholas a olhou com ternura e uma pontada de tristeza.

— Eu também não sei o que somos. Mas não vou a lugar nenhum, Helena. Não até você me mandar embora de verdade.

A tensão entre eles parecia palpável, mas, ao mesmo tempo, havia uma espécie de compreensão mútua. Eles estavam quebrados, as peças mal encaixadas, mas naquele momento, nenhuma palavra precisava ser dita.

THE SHARPEST TOOL - NICHOLAS ALEXANDER CHAVEZ Onde histórias criam vida. Descubra agora