18. The Haunted Man

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They don't know how you've haunted me so  stunningly
Guilty as sin? - Taylor Swift



Nicholas sentiu como se estivesse sendo jogado em um abismo ao ver Helena na festa. Foi como levar um soco no estômago – um lembrete cruel de tudo o que tentou esquecer. Ela parecia ainda mais deslumbrante e inatingível, uma versão ainda melhor da mulher que ele amava, e aquela era uma visão que trazia à tona cada lembrança enterrada a força. Ele se afastou do tumulto, procurando o ar fresco da noite para clarear a mente.

Foi quando Emily surgiu, os olhos brilhando de raiva. Ela cruzou os braços, bloqueando o caminho dele.

– Sério, Nicholas? O que foi aquela cena? – disparou, o tom carregado de frustração.

Ele fechou os olhos, exausto. A última coisa que queria era discutir com Emily ali, naquela noite que já estava desmoronando.

– Eu não fiz nada, Emily – respondeu, tentando soar calmo, mas sem esconder a impaciência. – Não sei por que você está me cobrando essas coisas. Achei que tinha deixado claro que não quero um relacionamento.

Emily soltou uma risada amarga, o olhar indignado.

– E o que você acha que tem feito comigo esse tempo todo? Brincando de “não quero me envolver”? Me fazendo de idiota, esperando, enquanto você não tem coragem de admitir o que sente por outra pessoa?

Nicholas balançou a cabeça, sem saber o que responder. Ele sempre fora honesto sobre suas intenções com ela, mas ouvir aquilo doía.

– Não estou brincando com você. Nunca te iludi, Emily.

Ela se aproximou, os olhos ardendo de mágoa e acusação.

– Mas você nunca tentou, Nicholas! Passou o último ano fingindo que estava me dando uma chance, que estava tentando seguir em frente, mas, na verdade, você ficou preso nela. Esperando, doido para que ela aparecesse. E agora que ela voltou, o que você sente? Alívio? Porque agora não precisa mais fingir?

A raiva nas palavras dela o atingia como golpes. Ele sentiu o rosto queimar, o orgulho ferido.

– Você acha que eu estou feliz? –sua voz saindo mais alta do que esperava, o pouco autocontrole que ainda lhe restava esvaindo-se por entre seus dedos. – Eu não pedi nada disso, Emily! Não pedi para ela volta, não pedi para que estivesse nessa maldita festa e não pedi para me sentir como me sinto!

Emily não recuou, sua expressão se tornando ainda mais determinada, quase desafiadora.

– Claro que você não pediu, Nicholas. Mas isso não muda o que você sente! – Ela praticamente gritava agora, ignorando o olhar de curiosidade das pessoas que passavam. – Porque você ainda é obcecado por ela!

Ele deu um passo para trás, a respiração pesada, lutando para conter a fúria que crescia dentro dele.

– Obcecado? É isso que você acha? – As palavras saíram entre dentes cerrados, as emoções transbordando como um rio que rompeu suas margens. – Você acha que eu quero sentir isso? Eu passei meses tentando esquecer, tentando seguir em frente. Mas, por mais que eu tentasse… – Ele hesitou, a voz falhando por um instante. – Eu a amava. Não é o tipo de sentimento que desaparece em um piscar de olhos.

Emily riu, mas sem um pingo de humor.

– E quanto a mim? O que eu sou, Nicholas? Uma diversão enquanto você tenta convencer a si mesmo de que superou? Alguém para você tentar esquecer o que não pode ter?

Ele fechou os punhos, o rosto contorcido de frustração.

– Isso não é justo, Emily! Eu me importo com você, mas…

THE SHARPEST TOOL - NICHOLAS ALEXANDER CHAVEZ Onde histórias criam vida. Descubra agora