Retorno

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Capítulo 5: Retorno

Os dias passaram rápido, mais rápido do que Will jamais poderia imaginar. O tempo, sempre indiferente aos desejos humanos, parecia ter se acelerado em uma rotina surpreendentemente bem organizada. Cada meta que ele havia estabelecido — encontrar uma boa creche para Eloise, marcar consultas médicas, ajustar os horários para encaixar sua nova vida — já estava concluída, quase sem que ele percebesse.

A creche escolhida era um lugar acolhedor, com turmas pequenas e um ambiente tranquilo, onde as professoras poderiam dar atenção cuidadosa a cada criança. Eloise parecia encantada durante a visita, e Will sentiu que finalmente poderia confiar esse pedaço precioso de sua vida a outras mãos. A consulta com o pediatra confirmou o que ele já suspeitava: Eloise estava saudável, crescendo forte e feliz. A sensação de alívio misturada àquela rara felicidade quase o deixava perplexo. Quem poderia imaginar que ele, um homem que conhecia as profundezas da escuridão humana, estaria ali, vivendo algo tão iluminado?

Agora, com o retorno ao trabalho e o primeiro dia de Eloise na creche, Will se sentia à beira de algo novo e excitante, um misto de ansiedade e gratidão.

— Bom dia, meu anjo! — disse ele, ao erguer Eloise do berço. O sorriso da menina, aberto e radiante, era uma resposta que aquecia cada canto do seu ser. Ela o olhava com aqueles grandes olhos curiosos, e Will sentiu o peito inchar de amor, um sentimento ainda novo, mas ao qual ele já estava deliciosamente viciado.

Eloise agarrou o dedo de Will com suas mãos gordinhas e soltou um som alegre, como se soubesse que aquele seria um dia especial para ambos.

A manhã foi mais agitada do que de costume, agora que eles tinham compromissos definidos e horários para cumprir. O café da manhã foi rápido, e Will cuidou meticulosamente para que tudo estivesse em ordem: as bolsas estavam arrumadas com tudo o que ele e Eloise poderiam precisar para o dia. Ele verificava uma última vez, revendo mentalmente a lista de itens essenciais, tentando se assegurar de que nada ficaria para trás.

Era a primeira vez em algum tempo que eles estariam separados por várias horas, e isso fazia um misto de ansiedade e preocupação surgir em Will. O sentimento parecia transbordar para os cães, que o observavam atentos, quase como se entendessem o nervosismo do dono. A cada poucos minutos, um deles se aproximava, encostando a cabeça em suas pernas ou cutucando-o com o focinho, em busca de carinho e conforto.

Eloise, por outro lado, permanecia completamente alheia a qualquer tensão. Feliz e tranquila, como sempre, ela observava o movimento ao redor com seus olhos brilhantes, um sorriso fácil no rosto. Era um bebê que dificilmente se abalava; parecia genuinamente contente com cada detalhe ao seu redor, e Will sorria ao perceber como ela encarava o mundo com uma serenidade que ele próprio nunca teve.

Mas o tempo não esperava, e com os horários apertados, Will finalizou os preparativos e acomodou Eloise na cadeirinha do carro. Eles estavam prontos para o primeiro dia de uma nova rotina.

Depois de alguns minutos dirigindo, Will chegou à creche e se preparou para entregar Eloise em seu primeiro dia. A menina parecia perceber o momento de separação, e uma expressão de tristeza momentânea cruzou seu rostinho. Will sentiu um aperto no peito e desviou o olhar para não hesitar na decisão. Ele sabia que, para ambos, a adaptação seria um processo. A professora, percebendo sua expressão, ofereceu um sorriso reconfortante, comentando que os primeiros dias eram sempre desafiadores, mas que as crianças se acostumavam rápido. Isso o acalmou um pouco, mas ainda assim ele sentiu o peso da decisão ao dar um último aceno antes de sair. Com uma sensação de vazio misturada ao compromisso com o trabalho, Will partiu.

A viagem até a sede do FBI pareceu mais rápida do que o habitual. Assim que estacionou e saiu do carro, Will respirou fundo, tentando se recompor para a rotina. Entrando no prédio, ele seguiu seus passos habituais: conversou com a assistente para se atualizar, revisou onde havia parado com os alunos, e mentalmente esboçou o conteúdo da aula do dia. Em meio ao ambiente familiar, ele percebeu que algo realmente havia mudado.

A taste for familyHistórias para pegar e não largar. Descubra agora