Ópera

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Capítulo 7: Ópera

A sexta-feira chegou mais rápido do que Will esperava, e agora ele se perguntava o que exatamente o levara a aceitar o convite de Hannibal. Talvez fosse o estranho alívio dos últimos dias, essa calmaria inquietante que o fizera baixar a guarda, como se por um momento ele pudesse se esquecer de quem realmente era — alguém que definitivamente não se sentia à vontade em eventos sociais. Ele não era, de forma alguma, uma borboleta social, ao contrário de Hannibal, que parecia flutuar com graça e naturalidade em qualquer ambiente. A ideia de estar cercado por uma multidão desconhecida na ópera o deixava inquieto, quase sufocado.

Mas havia uma parte de Will que queria ir. Ele não conseguia negar o magnetismo de Hannibal, a curiosidade que ele despertava. Talvez, de algum modo, quisesse se sentir parte desse mundo de sofisticação que o psiquiatra habitava tão naturalmente. Beverly, ao saber do convite, o encorajou com entusiasmo, dizendo que ele merecia um pouco de diversão, que uma noite fora faria bem a ele. E, para sua surpresa, Hannibal já havia providenciado roupas adequadas para a ocasião, garantindo que ele se misturaria à multidão, invisível o suficiente para que sua presença não fosse notada.

Essa garantia era, talvez, o único fio de conforto ao qual Will se agarrava. Ainda assim, ele sentia o peso crescente de uma ansiedade familiar, aquela sensação opressiva de estar fora do lugar, mesmo antes de chegar. Tentava se convencer de que a noite poderia ser boa, que estar com Hannibal talvez fizesse a diferença. Mas, ao fundo, a voz da dúvida sussurrava, e ele se perguntava se estaria cometendo um erro ao sair de sua zona de segurança — ao mergulhar no mundo brilhante e enigmático de Hannibal.

Will passou o dia na sala de aula, envolvido nas dúvidas e questões dos alunos, mas com a mente vagando entre as preocupações do presente e uma inquietação que não sabia explicar. De vez em quando, olhava para o celular, como se esperasse encontrar algo que desconhecia, algum sinal que justificasse a estranha sensação que o acompanhava. Ao final do dia, ele e Beverly foram buscar Eloise na creche, o bebê balbuciando com curiosidade enquanto se remexia no assento, os olhinhos brilhando ao reconhecer Will. Beverly sorriu, mas era claro que estava um pouco nervosa, mesmo tentando disfarçar.

De volta à casa de Will, ele começou a ensinar o básico que havia prometido: como trocar fraldas e preparar mamadeiras. Eloise se mexia inquieta durante a troca, soltando pequenos resmungos de insatisfação, mas se acalmava quando Will falava com ela em um tom tranquilo, algo que surpreendeu Beverly.

— Você realmente tem jeito com ela — comentou, com uma mistura de admiração e apreensão, enquanto tentava reproduzir os movimentos dele.

Will riu suavemente — É só prática... e paciência — respondeu, observando Beverly franzir a testa enquanto segurava a mamadeira de forma hesitante.

— Estou apavorada — ela admitiu, rindo nervosa. — Mas ao mesmo tempo, é meio... fofo, não é? — Eloise, que começava a sugar a mamadeira de forma desajeitada, olhou para Beverly com seus grandes olhos curiosos, e a tensão de Beverly pareceu derreter um pouco.

— Você vai se sair bem — garantiu Will, observando os cachorros que, familiarizados com a presença da amiga, não demonstravam nenhuma preocupação, apenas circulando ao redor do bebê de forma protetora.

Após uma enxurrada de conselhos, dicas e mais uma troca de fralda para garantir que Beverly se sentisse segura, ela finalmente conseguiu convencer Will a se preparar para sua próxima missão: ir até Hannibal.

— Vai lá, eu seguro as pontas — disse ela, colocando as mãos nos ombros de Will e praticamente o empurrando em direção ao carro.

Eloise, aninhada nos braços de Beverly, deu um pequeno sorriso, um daqueles sorrisos sem dentes que derretem o coração, e Will hesitou por um momento, mas finalmente entrou no carro, com a promessa de que tudo ficaria bem ecoando em sua mente enquanto ele se afastava.

A taste for familyHistórias para pegar e não largar. Descubra agora