Planos

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Capítulo 22: Planos

Will dormiu profundamente, mergulhado em um sono reparador que parecia distante de todos os horrores que enfrentara. Ele só acordou quando os primeiros raios de sol invadiram o quarto, banhando-o em uma luz suave e quente. Ao abrir os olhos, sentiu uma leveza que não experimentava há dias.

Hannibal voltou tarde na noite anterior, após verificar cada canto da casa, certificando-se de que tudo estava seguro. Will se lembrou de como o médico parecia preocupado, mas também aliviado ao vê-lo bem. E, para sua sorte, Hannibal realmente trouxe comida; o aroma da refeição o fez sentir uma fome que não sabia que tinha. Eles se sentaram juntos à mesa, compartilhando a refeição em um silêncio confortável, suas mãos se encontrando ocasionalmente, transmitindo um apoio mútuo que palavras não poderiam expressar.

O médico responsável havia se mostrado satisfeito com a recuperação de Will e o liberou, um alívio que fez Will sentir como se finalmente pudesse respirar livremente novamente. Com um sorriso, eles pegaram o carro e foram até a casa de Beverly para buscar Eloise. Ao chegarem, foram recebidos por uma onda de emoção; Beverly os envolveu em abraços apertados, suas lágrimas escorrendo enquanto ela murmurava palavras de alívio. Will sentiu seu coração aquecer com a sinceridade daquela amizade.

O trio voltou para casa, agora protegida por um sistema de segurança recém-instalado. Will notou que Hannibal, com certeza, havia investido uma quantia considerável para ter tudo pronto tão rapidamente. Essa preocupação com a segurança os fez sentir-se um pouco mais tranquilos, mesmo com o peso da realidade ainda pairando sobre eles.

Assim que entraram, Will finalmente começou a relaxar. Ele pegou Eloise nos braços, sentindo o calor e a suavidade dela. Acariciou seus cabelos enquanto ela se aninhava contra ele, e um sorriso genuíno brotou em seu rosto. Tomar banho se tornou um ritual quase sagrado, permitindo-lhe limpar não apenas o corpo, mas também a mente, enquanto a água morna escorria por seu corpo cansado.

Hannibal se aproximou, envolvendo Will em um abraço protetor. O beijo que se seguiria foi terno, cheio de promessas silenciosas de que eles estavam juntos, e que, apesar de tudo, estavam salvos. Will sentiu uma onda de gratidão e amor por aquele homem que, mesmo nas horas mais sombrias, sempre se esforçava para garantir sua segurança e felicidade. Ali, naquela casa que agora se sentia um pouco mais como um lar, Will sabia que, juntos, poderiam enfrentar qualquer desafio que surgisse em seu caminho.

— Jack desconfia de você. — Will falou, apertando Hannibal com mais força, como se quisesse se ancorar em sua presença. — Ele vai ser repreendido por ter ido atrás de mim no hospital, pedindo ajuda, graças à Vozz. Mas, durante o depoimento para a polícia, ele viu muito do seu verdadeiro eu. Não tem mais como esconder.

Hannibal ficou em silêncio por um momento, sua expressão se tornando mais sombria, mas sem perder o controle. Ele passou a mão pelos cabelos de Will com um toque suave, como se fosse necessário um gesto físico para acalmar o turbilhão emocional dentro de si.

— Eu sabia que esse dia chegaria. — Hannibal disse com uma calma quase calculada, mas havia uma tensão em sua voz. Ele olhou profundamente nos olhos de Will, segurando o olhar como se procurasse algo ali, algo mais profundo. — E agora, meu amor... O que vamos fazer?

Will fechou os olhos por um instante, tomando uma respiração profunda. Ele estava cansado, mas determinado. Quando falou, sua voz estava cheia de resoluta suavidade, um reflexo do que ele havia decidido.

— Vamos sair do país. — Ele sussurrou, a voz mais firme à medida que prosseguia. — Depois do casamento, avisei à Vozz que quero me desligar do cargo de professor. Eu quero estar longe de tudo isso, com você, com Eloise, e os cachorros... Um recomeço. Um lugar distante, onde ninguém nos encontrará.

A taste for familyHistórias para pegar e não largar. Descubra agora