Capítulo 4: Hannibal
Hannibal Lecter sempre foi um homem que apreciava o controle, a precisão e o poder de manipular o destino a seu favor. Contudo, ao longo de sua vida cuidadosamente calculada, ele foi lembrado de que, por mais que pudesse moldar os caminhos dos outros, o destino também tinha seus próprios caprichos. E, naquela noite, enquanto olhava para Will Graham e a pequena Eloise adormecida em seu carrinho, Hannibal se viu confrontado com uma mudança que jamais havia previsto.
Quando Hannibal conheceu Will, ele reconheceu de imediato algo incomum, algo que o fez parar e observar com mais atenção. Will era especial, não apenas por ser uma década mais jovem, mas porque seus olhos, por trás de toda aquela vulnerabilidade, carregavam o peso de uma alma marcada. Havia uma escuridão lá, uma profundidade que poucos poderiam entender, e Hannibal, mestre em ler a alma humana, viu ali algo que o fascinava. Will não era como os outros. Sua empatia era sua maior virtude e também sua maior maldição. Uma habilidade pura, mas perigosa. Will podia ver o monstro que existia dentro de Hannibal, de uma forma que ninguém mais conseguia. Ele enxergava o que os outros evitavam, e não apenas isso: ele compreendia.
A beleza disso era sublime. Hannibal se lembrava vividamente do momento em que percebeu o quão profundamente Will podia mergulhar nas sombras. Havia algo quase poético em como ele se movia entre a luz e a escuridão, vendo os traços do Estrangulador de Chesapeake, do Estripador, e ainda assim, mesmo diante da brutalidade, reconhecendo a macabra beleza na arte da violência. Hannibal sabia que Will não apenas entendia o monstro; ele o admirava de uma maneira perversa, mesmo que inconscientemente. E foi essa conexão, essa dança entre eles, que transformou Hannibal em um devoto da complexidade de Will.
Nos momentos a sós com seus pensamentos, Hannibal permitia-se contemplar essa devoção. A mente de Will era um labirinto de tragédias e percepções aguçadas, uma obra-prima que, para Hannibal, era tão fascinante quanto qualquer obra de arte renascentista. E Will, em toda a sua vulnerabilidade e força, era uma figura digna de Botticelli: sua beleza não era meramente física, embora fosse inegável. Os cabelos, ligeiramente desgrenhados, que caíam em cachos suaves ao redor de seu rosto; os olhos azuis, que Hannibal sabia verem mais do que deixavam transparecer; até mesmo a barba por fazer, algo que deveria ser um símbolo de descuido, para Hannibal era apenas mais um traço do caos controlado que ele tanto adorava em Will.
Hannibal observava tudo. Mesmo quando Will vestia roupas que não faziam jus a sua figura, que escondiam seu potencial estético, Hannibal via algo além. Ele via a essência de Will, uma beleza bruta, selvagem, que apenas alguém com o olho treinado — e a obsessão que ele nutria — poderia perceber completamente. Cada detalhe de Will, do físico à psique, era uma provocação, uma peça de arte viva e mutável.
E agora, o destino havia inserido uma variável que Hannibal nunca teria previsto: Eloise. O bebê que, de alguma forma, aproximava Will de algo que ele nunca pensara que o homem fosse capaz de buscar — uma vida familiar, um novo tipo de responsabilidade. Para Hannibal, esse evento representava uma nova camada na intrincada tapeçaria que ele vinha tecendo com Will. Eloise, em sua inocência, era um símbolo de mudança, de algo que nem mesmo o mais meticuloso dos manipuladores poderia antecipar.
Mas Hannibal não via isso como uma ameaça. Pelo contrário, ele via essa nova adição à vida de Will como uma oportunidade — uma oportunidade para observar, para entender como Will lidaria com essa nova faceta de sua existência. Como um artista diante de uma nova tela, Hannibal sentia a excitação de criar algo inesperado, de moldar uma nova realidade para Will, sem nunca perder de vista a beleza inata daquele homem que ele tanto admirava e desejava.
Sim, Hannibal era obcecado por Will Graham. Obcecado pela mente que se espelhava na sua própria, obcecado pelo rosto que lhe lembrava pinturas renascentistas, obcecado pela ideia de que, de todas as pessoas, era Will quem poderia ser sua verdadeira companhia. Não apenas alguém que o entendesse, mas alguém que o refletisse, que visse a beleza e a monstruosidade como duas faces da mesma moeda.
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A taste for family
FanfictionWill Graham acredita que o destino gosta de brincar com ele, o que acontece quando sua mãe que o abandonou a tantos anos falece e deixa para ele a guarda de um bebê. Como as pessoas vão reagir? Como sua vida vai mudar? E o que o futuro reserva?
