Capítulo 9: Dia seguinte
A manhã de sábado trouxe consigo um misto de nervosismo e excitação para Will. Na noite anterior, ao chegar em casa, Beverly, Eloise e os cães já estavam adormecidos, o que lhe deu um breve alívio por não ter de enfrentar a curiosidade inevitável de sua amiga naquele momento. Ele pôde, então, recolher-se ao seu quarto, ainda com a mente ocupada pelo beijo inesperado que trocara com Hannibal, o calor da memória permanecendo como um eco persistente.
Mas, como era de se esperar, a paz não duraria muito. Ao amanhecer, Will foi despertado por uma Beverly Katz incrivelmente animada, praticamente pulando de excitação enquanto invadia o quarto. Seu entusiasmo era inegável; ela estava ávida por detalhes do encontro da noite anterior. Will, ainda meio grogue e com a mente um pouco distante, sentiu o rubor subir imediatamente ao rosto ao se lembrar do beijo. Ele mal conseguia disfarçar, o que foi suficiente para Beverly soltar gritinhos de pura alegria, como uma amiga que sabia exatamente o que aquilo significava.
— Oh meu Deus, Will! — Beverly exclamou, saltitando ao redor da cama como uma adolescente. — Então... como foi? Eu preciso de todos os detalhes!
Will, ainda tentando processar tudo e desejando evitar a conversa, desviou os olhos, fingindo uma serenidade que claramente não possuía. — Não foi nada demais, Bev — disse ele, com um esforço visível para minimizar o momento. — Foi... normal. Só... a ópera e tal.
Mas Beverly não seria enganada tão facilmente. — Não foi só a ópera! — disse ela, cruzando os braços e balançando a cabeça, seu sorriso travesso se alargando. — Você está vermelho como um tomate, Will! Você está se segurando, mas eu sei que algo aconteceu. Não me faça arrancar de você à força!
Will, tentando escapar do interrogatório, concentrou-se em Eloise, que já estava acordada e, feliz por ver Will, esticava seus pequenos bracinhos em sua direção, fazendo aqueles adoráveis barulhinhos de bebê que sempre derretiam o coração de todos ao redor. Ele a pegou com cuidado, deixando que a distração momentânea o ajudasse a desviar da intensidade de Beverly.
— Olha só quem está de bom humor hoje, hein? — Will comentou, sua voz suavizando enquanto ele balançava Eloise nos braços, sorrindo com genuína ternura. Eloise riu em resposta, apertando as mãos de Will e fazendo mais barulhinhos encantadores. A presença de sua filha adotiva sempre o trazia de volta para a realidade, ajudando-o a ancorar suas emoções em algo mais palpável, mais presente.
— Não adianta fugir assim, Will. — Beverly continuou, mas agora com um tom mais suave, percebendo o carinho na interação entre Will e Eloise. — Mas olha, eu só quero que você saiba que estou feliz por você. De verdade.
Will suspirou, o peso do momento finalmente o alcançando. Ele sabia que, eventualmente, teria de encarar o que havia acontecido. Ele trocou um olhar breve com Beverly, um sorriso pequeno surgindo nos lábios.
— Não sei o que isso significa ainda, Bev. — Will confessou, finalmente baixando um pouco a guarda. — Mas... foi bom. Foi... bom de um jeito que eu não esperava.
Beverly sorriu, dessa vez sem as brincadeiras. — Isso é o que importa, Will. E você merece isso.
O leve alívio na sala foi quebrado pelo riso suave de Eloise, como se a pequena soubesse que, mesmo em meio à confusão e à incerteza, havia momentos de pura alegria a serem aproveitados. Will abraçou a menina mais forte, sentindo uma onda de paz inundá-lo, mesmo que apenas por um instante.
— Então, não vai dar nem um único detalhe para essa sua pobre amiga, que te ama e quer o melhor para você? — provocou Beverly, sentada na cozinha de Will, observando-o enquanto ele fazia panquecas e preparava a mamadeira de Eloise.
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A taste for family
FanfictionWill Graham acredita que o destino gosta de brincar com ele, o que acontece quando sua mãe que o abandonou a tantos anos falece e deixa para ele a guarda de um bebê. Como as pessoas vão reagir? Como sua vida vai mudar? E o que o futuro reserva?
